26 dezembro, 2007

Ciência cotidiana

Em geral o que se vê da ciência são os resultados finais - os que surtiram resultado positivo. O suor, as idéias equivocadas, os momentos de angústia e de entusiasmo, as cabeçadas na parede... tudo isso faz parte do processo científico.

Abrimos aqui este espaço para que pesquisadores contem seu dia-a-dia, não-pesquisadores façam perguntas e exponham hipóteses e o que mais imaginem.


Precisamos de sugestões de temas de discussão! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

18 dezembro, 2007

O mar em reservas

Há poucos dias, eis que me cai nas mãos uma série de relatórios didáticos sobre o estado das reservas marinhas nos EUA e no mundo, feito por um consórcio de pesquisadores das universidades de Stanford, Oregon e California (Santa Barbara e Santa Cruz). Em grossas linhas, sugere-se que o número total de reservas marinhas pelo mundo é ínfimo, a eficiência das áreas protegidas ainda precisa melhorar e o maior desafio à implementação das mesmas são entraves econômicos e sociais. Nada disso soa como novidade, eu sei, mas acredito que algumas elucidações trazidas pelo relatório cabem aqui ser discutidas.

(Continue lendo aqui.)

27 novembro, 2007

Modelos simples são mais didáticos...


O que você prefere? Um modelo realista e complicado que não te dá intuição nenhuma sobre o que está acontecendo ou um modelo simples que não descreve quantitativamente, mas sim qualitativamente um dado fenômeno?
Este é o problema clássico que os cientistas que trabalham com simulações enfrentam. No caso do estudo dos fenômenos ligados aos oceanos - e por tabela à circulação atmosférica. Mas estes autores propõe os modelos simples como uma ferramenta de trabalho importante.

El Nino and the Delayed Action Oscillator



Authors: Ian Boutle, Richard H. S. Taylor, Rudolf A. Roemer
(Submitted on 10 Mar 2006)
Abstract: We study the dynamics of the El Nino phenomenon using the mathematical model of delayed-action oscillator (DAO). Topics such as the influence of the annual cycle, global warming, stochastic influences due to weather conditions and even off-equatorial heat-sinks can all be discussed using only modest analytical and numerical resources. Thus the DAO allows for a pedagogical introduction to the science of El Nino and La Nina while at the same time avoiding the need for large-scale computing resources normally associated with much more sophisticated coupled atmosphere-ocean general circulation models. It is an approach which is ideally suited for student projects both at high school and undergraduate level.
Comments:
13 RevTeX pages, 14 .eps figures included, submitted to the American Journal of Physics
Subjects:
Atmospheric and Oceanic Physics (physics.ao-ph); Geophysics (physics.geo-ph)
Journal reference:
American Journal of Physics 75, 15-24 (2007)
DOI:
10.1119/1.2358155
Cite as:
arXiv:physics/0603083v1 [physics.ao-ph]

26 novembro, 2007

Algumas ondas marinhas virtuais

Como alguns sabem, nutro uma especial predileção pela ciência que envolve qualquer tema relacionado ao mar. Em meu blog pessoal, estou sempre que possível enfatizando aspectos científicos de biologia marinha, principalmente se tocam na delicada situação da conservação dos oceanos no mundo atual. Ou relatando experiências que vi e/ou vivi no ambiente marinho, embaixo d'água, navegando pelos mares do planeta. Então, antes de deixar aqui minha contribuição original do mês para o Roda de Ciência, resolvi fazer um "revival postístico" do que já escrevi ao longo desses 3 anos de blog sobre o tema. Escolhi 5 posts passados que mais gosto sobre o tema, e deixo os links abaixo para os interessados leitores refletirem, degustarem, discutirem e acrescentarem informações novas a eles, já que foram escritos em tempos passados e devem ter surgido novos estudos que confrontam algumas das minhas colocações. (Espero que os amigos do Roda não se importem com meu abuso virtual de textos passados.)

1) "Ser tubarão na Ásia" - Relato do cotidiano de um entreposto pesqueiro comercial taiuanês, com ênfase específica no declínio das populações de tubarões do mundo. Uma visita que até hoje me traz arrepios só de pensar.

2) "Biodiversidade marinha" - Texto mais básico sobre onde encontramos as maiores concentrações de biodiversidade embaixo d'água no mundo - e por que não somos o país da biodiversidade marinha com suas consequências filosóficas e políticas.

3) "Rastelando o mar" - Uma reflexão sobre o mar sem peixes, um delírio nada longe da realidade, infelizmente.

4) "Esbranquiçamento de corais e aquecimento global" - Nos primórdios da discussão sobre aquecimento na blogosfera e no vácuo do desastre do Katrina, resolvi lembrar uma das consequências diretas mais tristes (pelo menos para mim) da mudança climática no mundo: o esbranquiçamento de corais.

5) "Dia Mundial dos Oceanos" - Um grito de socorro vindo das bocas de quem realmente sofre com a degradação do mar. Ou uma tentativa terapêutica de não deixar que os humanos fujam de suas responsabilidades.


Divirtam-se!

25 novembro, 2007

É agora, gente!.... No final do mês!...


Via EurekAlert, mais uma matéria sobre os Oceanos:

Cientistas marinhos avisam que a segurança e a prosperidade do ser humano dependem de uma melhor sistema de observação dos Oceanos

Um apelo por um sistema inicial adequado para o produção de compreensão, previsões úteis para o público e para os responsáveis pelas politicas

(continue lendo aqui)

15 novembro, 2007

Um Oceano de Problemas


"Na terra onde o mar não bate,
não bate o meu coração.
O mar onde o céu flutua,
onde morre o Sol e a Lua,
e acaba o caminho do chão"

(Gilberto Gil, Beira Mar)

É, no mínimo, curioso que, tendo mais de 71% de sua superfície coberta por águas, este planeta seja chamado "Terra". E este "bairrismo" do ser humano vai mais longe.

Vai tão longe quanto o Sputnik 1, lançado para além da atmosfera em 04 de outubro de 1957, enquanto que o fundo da Fossa das Marianas só foi atingido pelo "Trieste" em 23 de janeiro de 1960...


(continue lendo aqui)

10 novembro, 2007

Oceanos alterados

Ações humanas têm sido devastadoras no mar, na terra e no ar. Os oceanos, com sua imensidão e sua complexidade, são motivo para sérias preocupações. É o que mostra a série multimídia de reportagens "Oceanos alterados", publicada no ano passado pelo Los Angeles Times e ganhadora do prêmio Pulitzer de reportagem explicativa de 2007.

Leia mais no ciência e idéias.

08 novembro, 2007

Mares de Minerva


OK, OK, Maria Guimarães, você venceu (com seu voto de Minerva): eu mudei meu voto na Roda da Ciência na última hora, para dar empate, mas não consegui escapar desse assunto (Mares da Terra) sobre os quais não entendo nada. Assim, para dar a minha contribuição deste mês, apenas dou o link aqui para uma busca que fiz com a palavra "Ocean" no http://www.arxiv.org/ , repositório de preprints de livre acesso que todo mundo interessado em ciência conhece ou deveria conhecer.

PS: Para eu me lembrar depois: o mito de Minerva é muito parecido com o de Ishtar. Minerva também é a deusa da guerra, ciência, poesia, tecnologia, invenção, medicina, conhecimento e comércio.


Figura: Head of Minerva by Elihu Vedder, 1896.


Ó mar salgado...

A votação deste mês empatou, como vêem na enquete à esquerda. Guardei meu voto, como costumo, para caso fosse necessário desempatar. Voto então pelos mares do planeta.

O tema é oportuno. Nestes tempos de mudança climática, muito se conta com as florestas e os mares para ajudar a reparar nossos erros. Mas eles já dão sinais de esgotamento.

E tanto mais, tanta descoberta por se fazer nesses tantos mares.


31 outubro, 2007

Estereótipo de cientista?


Nelson me disse que ando colocando muita foto de mulher bonita aqui no SEMCIÊNCIA. Bom, mas o nome do blog diz exatamente que o mesmo não é muito sério. Em todo caso, para recuperar sua seriedade científica, anoto abaixo dois papers de Natalie Harshleg, vulgo Natalie Portman.

Da Wikipedia:

Portman has said that she was "used to A's" but admits to reading about institutional grade inflation in the Ivy Leagues in the New York Times. She reported on a talk show, "I'd rather be smart than be a movie star" and that her goal was to graduate from college even if it ruined her acting career.

After high school, Portman enrolled at Harvard University where she graduated with a bachelor's degree in psychology on June 5, 2003. In 2005, Portman pursued graduate studies at Hebrew University in Jerusalem. Portman is credited as a research assistant to Harvard Professor Alan Dershowitz's The Case for Israel. She was a research assistant to Dr. Stephen M. Kosslyn's psychology lab as well, and made a cameo appearance as a guest lecturer for the Terrorism and Counterterrorism course at Columbia University in early March of 2006, discussing themes from her film V for Vendetta.[8]

Para continuar lendo, clique aqui.


29 outubro, 2007

Quem quer ser cientista?

Ter um amigo cientista deve ser legal. Mas ir à uma festa de cientistas deve ser meio pesado. Minha namorada que o diga! Por outro lado, os cientistas parecem achar qualquer festa que não seja de cientistas, um saco. Eu que o diga!

Leia mais no VQEB.

22 outubro, 2007

A Ciência Também é Humana

Faz tempo que não publico nada aqui, mas é por pura falta de tempo, pois as discussões sempre são muito interessantes.
Estou ressuscitando um texto que publique no falecido AOL, mas que está no meu blog, sobre o fato da Ciência ser uma atividade humana.
Vejam os trechos iniciais:
________________________________________
A Ciência Também é Humana


A Ciência talvez seja um dos empreendimentos humanos de maior sucesso em toda a história. Os benefícios que ela trouxe para humanidade, felizmente, superam os malefícios que a sua utilização desvirtuada e sem ética pode causar.

Por exemplo, quando foi estudada a estrutura do núcleo atômico descobriu-se uma nova fonte de energia, a energia nuclear, que transformada em energia elétrica pode beneficiar milhões de pessoas. Esse tipo de conhecimento também pode ser utilizado na construção de armas nucleares capazes de destruir cidades inteiras em apenas alguns minutos. Em outra área, os avanços na compreensão dos sistemas biológicos permitiram encontrar a cura de muitas doenças. Esse mesmo conhecimento, se utilizado de maneira errada, pode produzir armas biológicas tão letais quanto as nucleares.

Quem quiser ver mais veja no Por Dentro da Ciência

21 outubro, 2007

Mais do que elementar, meu caro Watson

Por Rogério Silva

Lendo neste domingo o jornal “O Globo”, o artigo do Arnaldo Bloch me chamou a atenção com o título “DNA é o cacete”. O artigo em sí é pequeno e pouco informativo, mas me provocou muitas reflexões. A pesquisa apresentada por Bloch deixa claro, que a intenção do “Nobel” James Watson ao afirmar que os negros são menos inteligentes que os brancos, é racista.

É claro que a ciência tem um papel preponderante no desenvolvimento da humanidade, mas paralelamente a ela encontramos a arte, o esporte, a filosofia e outras formas de expressão e desenvolvimento do pensamento humano.

Se infelizmente não encontramos negros e/ou brasileiros entre os expoentes das ciências mundiais, felizmente os encontramos em outros setores.

Contudo, emparelhar desenvolvimento mental com cor de pele e prêmios (Nobel, Oscar ou outro qualquer), me parece uma visão míope e reducionista do que o homem pode.

Leia mais em Freud Explica

20 outubro, 2007

Ser cientista

Sou cientista. Adoro falar isso às pessoas, principalmente para ver a reação de cada um. A maioria, ao ouvir essa afirmação, começa seriamente a duvidar das minhas faculdades mentais; outros, mostram preocupações de natureza econômica (é fato, a ciência não paga bem em qualquer lugar do planeta); e há aqueles ainda que acham a profissão tão glamourosa quanto astros de Hollywood, algo para pessoas "muito inteligentes, beirando a genialidade"(!). E tem ainda um último grupo, os que acreditam na versão ficção científica da coisa: ando por aí de jaleco branco e luvas roxas, dando risadas malignas, com planos para conquistar o universo e carregando tubos de ensaio saindo fumacinha, como no desenho do Dexter.

(Leia o resto aqui.)

19 outubro, 2007

Um folgado ou alguém tentando curar o câncer?

Toda vez que eu vejo termos como "representação social", "responsabilidade social", "impacto social" e outras "socializações" eu me arrepio. Não porque a discussão em si seja irrelevante ou inútil, mas porque o rumo da discussão é sempre o que podemos fazer para mudar a sociedade, como se o problema fosse da sociedade, sempre a sociedade. Acho que a questão do espaço social ocupado por um cientista em seu meio passa pela questão de como o cientista influencia seu meio. Passa pela questão da relação entre o cientista e seus clientes, seu mercado consumidor. Readaptando a frase célebre de John Kennedy, não perguntemos o que a sociedade faz dos cientistas e sim o que os cientistas fazem pela sociedade!

Continua aqui.

Elementary, dear Watson!


Mesmo com esta Roda meio bagunçada e apesar de ter dito que eu iria ficar "na arquibancada" neste tema, não consigo resistir a publicar uma matéria sobre as desastradas declarações do Dr. James Watson sobre a "inteligência dos negros".

O Adilson bem poderia tê-lo feito com seu artigo "A estupidez de um ganhador do prêmio Nobel", publicado quase que imediatamente no seu Por dentro da ciência. Mas, já que ele deixou a oportunidade passar, eu aproveito para inserir o artigo dele na discussão.

(Leia mais aqui)

10 outubro, 2007

MAD SCIENTIST


Acredito que o estereótipo mais presente na cultura (popular ou não) é o cientista louco (ver aqui para o conceito e ver aqui para uma lista de personagens na industria cultural). Obviamente é um estereótipo que prejudica bastante os cientistas e o despertar de vocações científicas, especialmente entre mulheres.

Talvez seja tempo de discutir seriamente este estereótipo, pela carga de discriminação que contém: especialmente nos quadrinhos e desenhos animados dirigidos a crianças, em uma verdadeira lavagem cerebral, os vilões são intelectuais e muitas vezes cientistas, enquanto que os mocinhos possuem poderes "naturais" (não tecnológicos), mágicos, e pouco entendem de ciência. Na melhor das hipóteses, o cientista é um ajudante do herói, um ajudante meio atrapalhado por sinal.

Mas precisamos enxergar que este estereótipo não é a-histórico, ou seja, a representação social do cientista teve variações ao longo dos séculos. Um livro que traça essa evolução, os altos e baixos do status cultural da Ciência e dos cientistas, é "A Escalada da Ciência", de Brian L. Silver. Eu o recomendo fortemente, pois faz tempo que não encontrava um livro de divulgação científica com prosa tão gostosa e profundidade nada desprezível

Para continuar a ler, ver aqui no SEMCIÊNCIA.

02 outubro, 2007

A representação social do cientista

Nas aventuras de Tintim, o professor Girassol (ao lado, tirei o desenho daqui) é a imagem do cientista. Avoado, sonhador, surdo, sentimental, ele vive num mundo à parte mas tem uma curiosidade infinita a respeito deste.

Me lembrei dele agora, quando sentei para anunciar o tema que entra na roda em outubro. O cientista aparece em filmes, quadrinhos, desenhos. Ele habita o imaginário popular sob várias formas, para o bem e para o mal. Acredito que parte da nossa missão seja desmistificar essa figura perante o público leigo.

Vamos lá!

(Quem nunca leu os quadrinhos do Tintim, aproveite agora que a Cia. das Letras está relançando a coleção - eu adoro)


Precisamos de sugestões de temas de discussão! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

29 setembro, 2007

Incerteza estatística

As discussões desse mês no Roda de Ciência versaram sobre a dificuldade em se comunicar a incerteza. Não só aos acadêmicos, mas principalmente ao público leigo, que, acostumados ao maniqueísmo do "preto ou branco", não se sentem confortáveis com estatísticas e probabilidades que sejam diferentes e nos deixem em tons de cinza. As discussões foram excelentes e eu, aos 45 minutos do segundo tempo, deixo aqui minha humilde contribuição pessoal.

(Leia o resto aqui.)

19 setembro, 2007


"Porque nós cientistas queremos ter sempre razão?" Essa pergunta, feita por um amigo que é um grande cientista, apesar do contexto diferente (leiam no VQEB) me remeteu a discussão do mês no roda. Nós, cientistas, também fomos contaminados pela educação da dualidade, do certo e do errado. Também queremos sempre ter certeza de tudo. Também queremos ter sempre razão. O meu texto primeiro texto aqui no roda, discute muito a culpa dos outros, mas não a do próprio cientista, na comunicação da incerteza. Apesar de me policiar, vejo que muitos colegas são realmente frustrados pela incerteza e procuram a "explicação plausível", que sempre pode ser encontrada a posterióri, mas que nem sempre corresponde a realidade incerta. E, por vaidade, cometemos bem mais que um pecado capital

16 setembro, 2007

Um pouco mais de "Estilo SciAm"?


Eu acredito que em boa parte dos artigos da Scientific American essa comunicação da incerteza, da polêmica e do debate científico são feitos de forma razoável. Imagino que isto se deva ao fato de que em geral os autores são cientistas que sabem que seu artigo vai ser lido por colegas (inclusive seus adversários), de modo que tentam ser mais ou menos "fair" sem deixar de assinalar qual alternativa preferem (justificando o porquê disso). Ou seja, isso não é exatamente equivalente à "isenção" jornalistica que às vezes quer dar espaço igual para teorias desiguais (em termos de evidências).


Eu chamaria isso de Estilo SciAm. Será que as outras revistas brasileiras de divulgação científica apresentam um estilo similar? Não seria hora de tal padrão ser adotado mais genericamente?


Para ver um exemplo do Estilo SciAm, ver aqui e aqui. Digo, não o meu estilo, mas o estilo da SciAm...

14 setembro, 2007

Eu sei, mas mesmo assim...

Não sei se podemos pensar num instinto de longo prazo para a sobrevivência do grupo no caso humano, muito menos se ele costuma aflorar nas situações de crise fazendo “homens-comuns-transformados-em-heróis”, ou mesmo transformando um homem básico num anti-social.

A questão, a meu modo de ver, é que somos regidos também por um outro regime que é o regime das pulsões. Digo “também” porque também somos regidos pelo instinto do mesmo modo que cada espécime animal é.

Convém definir o conceito de pulsão para que fique claro o que pretendo dizer. De acordo com o Vocabulário de Psicanálise de J.Laplanche/J-B Pontalis, trata-se de um processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz tender o organismo para um alvo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu alvo é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir seu alvo.

Leia mais em Freud Explica

A quem interessa?

No final de agosto foi publicado, no BMC Genomics, artigo (“Effect of active smoking on the human bronchial epithelium transcriptome”) cuja chamada alertava para o fato de que ex-fumantes ainda estavam em risco. Assim a notícia alastrou-se por toda a imprensa...

Para continuar a ler vá até o Pitáculos

10 setembro, 2007

Sei ou não sei? Eis a questão!


(...) O meu professor de estatística dizia que o problema é que nós não fomos educados a conviver com a incerteza. Durante toda nossa educação formal, fomos obrigados à escolher entre o 'certo' e o 'errado'. Não nos ensinaram que as coisas, muitas delas, eram (e sempre serão) 'incertas'. Aprendemos a fazer aproximações, aprendemos a escolher entre o 'certo' e o 'errado'. Mas não aprendemos que entre os dois existe o 'incerto'. Aliás, é muito pior, aprendemos a ignorar o incerto, ou tortura-lo até que se torne 'certo' ou 'errado'. O resultado é desastroso: a grande incapacidade da maioria das pessoas de entender a ciência.

Leia mais no VQEB.

09 setembro, 2007

Bom... Já que ninguém topou a provocação...


"Estar consciente de sua própria ignorância é um grande passo para o conhecimento".
Bejamin Disraeli, "Sybil"


Eu adoraria iniciar este artigo com uma citação de Isaac Asimov, de um de seus artigos sobre a "relatividade do erro", mas minha biblioteca ficou em Araruama... Nele, Asimov nos lembra que somos, desde a mais tenra idade, a aceitar "absolutos": isto é "certo"; aquilo é "errado".

A título de exemplo, ele apresenta o caso hipotético de uma prova de matemática elementar, onde aparece a questão: "2+2=?". Joãozinho responde "azul" e Mariazinha responde "3,99999..." Pelas regras em vigor, ambas as respostas estão "erradas", mas a de Mariazinha está "quase certa".

(leia mais aqui)

02 setembro, 2007

Cadê minha certeza que eu deixei aqui?...

Ah!... Como tudo era bom e simples, antigamente. Tudo em seus lugares certos. Um Deus "todo-poderoso" tinha criado a Terra, bem no meio de tudo que havia, posto um Sol para iluminar o dia e uma Lua para não ficar escuro demais de noite. E um monte de luzinhas cintilando naquele telhado para nos orientar durante as viagens e prover maneiras de adivinhar o que ia acontecer no futuro...

Os filósofos discutiam se primeiro existiu a idéia, ou se a idéia nasceu da constatação das coisas. Mas, em uma coisa todos eram unânimes: tudo está como sempre foi e nunca vai mudar. Existem coisas vivas que nascem, crescem, envelhecem e morrem. E existem coisas que não são vivas e não mudam nunca.

Qualquer um podia constatar: existiam coisas duras, com formas definidas, coisas moles com formas maleáveis, coisas que não dava para segurar nas mãos, como a fumaça e os vapores, e aquela substância misteriosa, roubada dos Deuses, que era assustadora, mas extremamente útil: o fogo.

(continue lendo aqui)

Setembro: comunicar incerteza

Quem faz ciência sabe que costuma ser atividade longe de exata. Parte-se do conhecido para o desconhecido, ora por rotas tortuosas, ora por becos sem saída. As conclusões nunca são certezas; são saberes prováveis até que algo melhor apareça.

Mas isso tudo desaparece na ciência que chega ao público leigo. Ao ler notícias parece que as descobertas caem prontas no colo dos cientistas e que não resta margem para dúvidas.

Fica aí espaço para muito debate: é importante comunicar a dúvida? É possível?

A foto acima é de io2, em flickr.


Precisamos de sugestões de temas de discussão! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

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1 ano com a Roda girando

Em agosto, o Roda de Ciência completou 1 ano de existência e muitas discussões. Ao longo desse período, um total de 9 grandes temas foram abordados sob a forma de posts pelos blogs participantes. Mas a Roda não teria girado bem apenas com os posts: são os comentários que acrescentaram à discussão a devida diversidade. A todos, participantes, comentaristas, leitores e interessados que frequentam este espaço, fica aqui o nosso muito obrigado pelo papo descontraído num tema árido da imprensa geral: a ciência.

*********************

Para comemorar a data, alguns dos participantes celebraram o aniversário do blog homenageando-o ou divagando sobre sua discussão "predileta". Não interessa o formato: o momento especial liberta de regras rígidas. Começo então pelas palavras da Silvia, que relembrou o quão artístico e leve também deve ser esse espaço (e a ciência, de tabela, quando possível):


"Estar Roda, além de escrever e se arriscar pelo mundo das cantigas...pinta, borda e faz o que for preciso para divulgar ciências!

Um exemplo de suas travessuras foi o tema escolhido para ser desenvolvido nos meses de Outubro e Novembro: 'Arte e Ciências'. Houve de tudo um pouco, desde poesias e poetas, indicações literárias e de sites, até visitações a museus virtuais (ou não). Vale a pena conferir (ou reler - aos sempre bem-vindos freqüentadores assíduos!).

Gostaria de fazer uma chamada especial ao post de Lucia Malla, sobre as fotografias premiadas no 'Shell Wildlife Photographer of the Year 2006". Um passeio aos ohos e à consciência ecológica, tão em voga nos tempos atuais de mudanças climáticas!"



Ao que veio a Maria e resumiu (como só ela consegue!) a nossa discussão de estréia, quando tudo ainda era um meio-teste e a empolgação era larga para divulgarmos idéias há tanto tempo engasgadas:

"O primeiro tema que discutimos nesta roda foi justamente a ciência e sua divulgação. Foi animado e cheio de contribuições. Pena que algumas das pessoas iniciais tenham desaparecido... Fica aqui uma pequena amostra.

Começamos discutindo como divulgar e discutir ciência de forma rigorosa e interessante. O caminho é cheio de armadilhas – como o catastrofismo que reina, por exemplo quando o assunto é meio ambiente.

Para o Daniel não há nada democrático como a ciência e os blogues vêm aumentar ainda mais a possibilidade de diálogo entre especialistas e leigos.

A Lucia acha que o pensar científico devia ser aprendido na escola, e a divulgação tem um papel importante em remediar esse vácuo. À medida em que o acesso à ciência deixa de ser passivo surgem diálogos entre cientistas, leigos e cientistas e aí que a coisa vai funcionar. Espero que se torne menos rara a infinita curiosidade de que o João Carlos é exemplo.

Os blogues têm a vantagem de permitir o contato direto entre pesquisador e leigo, como comentou o Anselmo. Segundo o Daniel os blogues derrubam as hierarquias e as pessoas não estão habituadas a isso. O visitante Bruno H confirma: ele diz que as pessoas só deixam comentários quanto têm opinião formada. Uma pena.

Divulgação é ciência e é literatura, como disse a Silvia! E somos felizmente todos otimistas quanto a seu potencial. Senão não estaríamos aqui...



O João Carlos finaliza a homenagem ao aniversário do blog com um pouco da arte que a Silvia quis ressaltar, presente em posts e pelo visto na cabeça dos cientistas que escrevem por aqui - somos humanos, ora pois.

"Pois é... O "Roda de Ciência" já tem um ano... E tudo que me vem à mente é um trecho de "A História do Cerco de Lisboa", de Saramago:

«É o que tem o tempo, corre e não damos por ele, está uma pessoa por aí ocupada nos seus quotidianos, subitamente cai em si e exclama, meu Deus como o tempo passa, ainda agora estava o rei Salomão vivo e já lá vão três mil anos.»

Quisera eu que realmente fossem três mil anos!... Quem sabe, conseguiríamos chegar a alguma conclusão. Mas - que digo eu?!... - ao contrário: é exatamente essa "incompleitude" que faz do "Roda de Ciência" algo tão agradável de ler e nos compele a comentar, pesquisar, discutir, filosofar como nos tempos dos gregos antigos.

Meus parabéns ao "nosso bebê"!... Que cresça forte e saudável, e que continue arrebanhando novos colaboradores e críticos... E obrigado aos criadores da idéia por me permitirem expor as minhas.



Nada mais cabe aqui que agradecer à participação de todos que fazem a Roda de Ciência ser cada vez mais um porto seguro de discussão científica (e de temas congêneres) na blogosfera brasileira, torcendo para que mais um ano de discussão enriquecedora se desenrole nesse espaço.

E como não pode faltar em uma comemoração, mesmo virtual:

Tin-tin à Roda de Ciência!

11 agosto, 2007

O pensamento, um sextante

Em texto na revista piauí, Tom Zé escreveu sobre aprendizados importantes como amarrar os sapatos: "E foi aprendendo essas coisinhas que percebi que o ato de pensar seria uma maneira de eu me mover dentro do mundo. Um sextante."

Busquei aprender um pouco sobre formas alternativas - e quiçá mais produtivas - de equipar e calibrar esse sextante. O exemplo que me ocorreu foi a Escola da Ponte, em Portugal. A pesquisa atiçou minha curiosidade, leia no ciência e idéias.


06 agosto, 2007

E, aproveitando que o jogo foi para a prorrogação


Um assunto ainda relacionado com a educação:

Via EurekAlert, um novo estudo comprova o importante papel da pré-escola na integração social de indivíduos nascidos nas classes economicamente menos favorecidas.

University of Minnesota


Um relatório da Universidade de Minnesota diz que a intervenção na tenra infância melhora o bem-estar dos aultos jovens

Estudo é o primeiro a demonstrar que programas de escolaridade têm impacto duradouro

leia mais aqui

31 julho, 2007

Educação na era Google

Nesse mês de julho que passou, o Roda de Ciência dedicou-se a conversar sobre o ensino básico em geral e sua participação no despertar da criatividade e curiosidade. Para variar, aos 45 minutos do segundo tempo, eu deixo aqui minha colaboração na discussão.

Educar não é tarefa fácil, e educar para a ciência talvez seja mais complexo ainda.

(Continue lendo aqui.)

29 julho, 2007

Quem tem medo do Oscar?

A conceituadíssima revista The New England Journal of Medicine publicou na semana passada o artigo intitulado "A Day in the Life of Oscar the Cat" (por David M Dosa) onde é relatado, de modo curioso, e até mesmo fantasioso, o dom 'paranormal' do gato Oscar de prever quais pacientes vão morrer.
Os editores podem ter decidido publicar o artigo de brincadeira, ou por entenderem que lidar com pacientes terminais não é, certamente, tarefa fácil e essa era uma forma criativa de dizer isso.

Mas a forma como a imprensa tratou o caso é que me preocupou: "Gato 'prevê a morte' de idosos em clínica nos EUA" disse a Folha de São Paulo. "Médico afirma que gato pode prever a morte de idosos em clínica nos EUA" está estampado no site da UOL.

Leia mais em Você que é Biólogo...

18 julho, 2007

O que há de errado com o ensino?


«When I think back
of all the crap
I've learnt in High School,
it's a wonder that
I can still think att all"

Paul Simon

Eu travei conhecimento com o Daniel (Doro Ferrante) através de um site chamado "Queremos Saber", na época, restrito ao Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará. Apesar desse site, em particular, ter crescido e se tornado muito mais abrangente, eu só gostaria de mencionar uma pergunta, feita por um vestibulando de Direito: «Para que raios eu tenho que saber o "Número de Avogadro"?».

Leia mais aqui.

17 julho, 2007

O que diferencia um professor bom de um professor ruim?

Neste meu primeiro artigo para a Roda sobre educação e criatividade eu resolvi tentar analisar as diferenças entre o que eu considerava um professor bom e um professor ruim ao longo do meu ensino médio. Como eu estudei em escola particular, os problemas estruturais não aparecem e as falhas pedagógicas dos professores fica em evidência. Por outro lado, o relato é anedotal e as impressões são pessoais... Leia o artigo no Entropicando. Comente aqui.

09 julho, 2007

Minha professora de ciências

Crianças da comunidade ribeirinha do lago do Puruzinho na Amazônia (foto de Mauro Rebelo)

Começo minha participação na roda com uma opinião que eu mesmo considero polêmica, mas minhas experiências recentes com educação me fazem ver a imagem da professora de ciências do colégio com um romantismo muito distante da realidade: livros didáticos ruins, escolas mal equipadas, professores despreparados. Estão formatando o HD de nossas crianças com um conhecimento pasteurizado que não favorece, ao contrário, abafa, a criatividade.
Vejam no VQEB!

07 julho, 2007

Ensino básico, criatividade, curiosidade

Quem não se lembra de alguma professora que estimulou ou acachapou alguma idéia, alguma pergunta? De uma forma ou de outra, a escola é bastante responsável por desenvolver a curiosidade e a criatividade.

O que se pode fazer para contribuir? É nisso que penso, na condição de divulgadora de ciência. Estou, como de costume, curiosa para saber das diversas perspectivas que surgem neste blogue.

(A foto eu peguei aqui)


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

06 julho, 2007

03 julho, 2007

polêmica nas universidades

Talvez o César possa nos explicar melhor essa diferença entre política como ciência de política corriqueira (politicagem), ou o risco que se tem quando empreende numa aventura como desse tipo.

Antes de mais nada, vale a pena relembrar as greves das universidades federais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso que eram duradouras e de poucos resultados práticos para as universidades, mas sempre promoveram uma ameaça ao ensino público, a sua gratuidade, a sobrevivência de seus docentes e de seus discentes, além dos funcionários, é claro.

O que vejo de perigoso na quebra da autonomia são exatamente as intenções sub-reptícias contidas neste tipo de decreto do Serra, é bom não esquecer que ele é do mesmo partido do FHC que tinha como foco a privatização das universidades públicas.

Movimentos sempre significaram resistência. Mas não significam necessariamente “desobediência civil” como no texto Cicero Araujo e Álvaro de Vita (ambos da USP).

Mais no blog Freud Explica

21 junho, 2007

invadir é a regra?

viagene volta num post-relâmpago para uma nota sobre a atual crise nas universidades paulistas, onde manifestações diferentes com motivações diferentes têm criado um certo caos de comunicação e alimentam polêmicas sobre a legitimidade de invasões, greves, notas de repúdio, etc... fica-se com a impressão de que DIÁLOGO é coisa ultrapassada - avançado mesmo é INVADIR! Leia mais aqui.

16 junho, 2007

A verdeira crise nas universidades

Talvez o tema do mês tenha outro enfoque, mas eu acho que esse meu post ajuda talvez compreender um pouco melhor o que eu chamo da verdadeira crise nas universidades.
Leiam sobre a pseudociência aparecendo bem perto de nós.

03 junho, 2007

A rebelião das universidades

Maio viu as universidades paulistas virarem de pernas para o ar. A USP lidera, com sua reitoria ocupada por estudantes e professores e funcionários em greve. Unicamp e Unesp também aderiram - mesmo que parcialmente - aos protestos.

A imprensa traz opiniões diversas, mas para quem está de fora é difícil entender quais são as condições reais, quais são as exigências, qual é o cunho político das discussões. Muitos assumem posições por simpatia, sem ter acesso a informação suficiente.

Este mês poderemos então discutir opiniões - sejam elas políticas ou o que for - e trocar informações. Alguns dos participantes e dos visitantes esporádicos desta roda estão dentro da universidade e podem trazer uma contribuição importante contando o que vivem e sabem. Espero ao fim de junho me sentir em condições de ter uma opinião mais informada.


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

29 maio, 2007

Daiane dos Santos e Neguinho da Beija-Flor são europeus


A BBC Brasil encomendou ao geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, o perfil genético de nove negros famosos. Os resultados integram o especial Raízes afro-brasileiras. Vale a pena conferir o site, que aos poucos divulga os resultados - ontem foi a Daiane dos Santos, hoje Neguinho da Beija-Flor - além de vários textos relevantes a esta discussão. Tem até um fórum para discutir se faz sentido falar em raça no Brasil. Ainda não tive tempo de olhar os comentários, mas há pouquinho tinha mais de cem.

28 maio, 2007

Algumas considerações sobre raças e afins

Há muito tempo atrás, eu entrei numa discussão super-interessante por email com a querida Ana, sobre raças. Na época, sabia que ela estava com um livro pronto para ser lançado, mas eu não sabia sobre o que se tratava - e ela insistia em querer entender o conceito biológico de raças, espécies, etc. e eu, avoada como sou, não liguei aquele papo sequer ao tópico de seu livro. Continuei enviando links e mais links de sites que tratam de biologia, discussões intermináveis, que foram muito férteis, pelo menos para mim, sobre o conceito biológico de raça, população e até de espécie. Os emails depois de um tempo cessaram, por um motivo claro: ela se ocupou com o presente máximo à literatura brasileira, um dos maiores tratados sobre a escravidão e o racismo no Brasil, o livro "Um defeito de cor"; e eu percebi então o quanto aquela discussão internética poderia realmente ter se estendido - eu estava conversando com uma expert cultural no assunto e não me toquei. Shame on me.


(Continue lendo aqui.)

12 maio, 2007

O Cérebro de todos

Nada mais propício do que se socorrer com uma matéria sobre um anatomista do séc. XIX, que, ao estudar cérebros humanos, ultrapassou barreiras impostas pelo gênero e pela cor da pele...leia mais aqui.
Os comentários, por favor, devem ser deixados neste blog também, ok? Boa leitura!

05 maio, 2007

O que são raças?

As pessoas costumam ter opiniões fortes sobre raças humanas. Ao ler sobre o assunto e vê-lo discutido, porém, me chama a atenção a falta de clareza sobre conceitos. Acho que é um daqueles tópicos em que duas pessoas podem se matar ou odiar-se para sempre sem saber que no fundo concordam. Que o problema é em parte semântico. Por isso, antes de começar qualquer reflexão, vou tentar pôr as cartas na mesa.

Leia mais no ciência e idéias.

Raças humanas ou Raça Humana?

Mais uma votação apertada que tive que desempatar. O tema para discussão durante este mês de maio será: Existem raças na espécie humana?

Acho que dispensa maiores explicações. Vamos lá.

Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Não me canso de repetir, esta roda de ciência está aberta a quem quiser participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

02 maio, 2007

AQUECIMENTO GLOBAL E PSICANÁLISE – UMA APROXIMAÇÃO

Por Rogério Silva

Durante estes dois meses eu vivi uma grande angústia diante da perspectiva de tratar a questão do aquecimento global sob o ponto de vista da psicanálise, para contribuir com o tema do mês passado do blogue Roda de Ciência.

De certa forma senti também uma paralisia, como denunciou Maria Guimarães na sua última postagem e concordo quando ela fala de uma paralisia que impede que cada um incorpore ao seu modo de vida a consciência de que nós (eu, você e os outros) contribuímos para a devastação do mundo e agora temos que ir atrás de remediar o malfeito.

Muitas coisas já foram ditas em outras postagens, mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto. Os cientistas da Física, da Química, da Biologia dentre outras ciências, tratam a questão do aquecimento global de dentro do fenômeno, de suas causas e de seus efeitos, enquanto nossos instrumentos ficam mais distantes.

Embora Freud não tenha nenhum escrito relacionado diretamente com o meio ambiente, ele não deixou de falar sobre algumas questões que são hoje de grande relevância. Em “O mal-estar na civilização” (1930ª [1929]), ele aponta como sendo três os grandes males que nos aflige: a ação da natureza sob a qual pouco podemos fazer; os males do corpo, que hoje em dia as ciências já conseguem algum domínio, aumentando a longevidade e a qualidade de vida e a ação do homem sobre a humanidade em suas relações políticas, religiosas e inter-pessoais e sobre o meio ambiente.

Leia mais aqui

27 abril, 2007

Novo blogue

Esta semana o Jornal da Ciência e-mail noticiou o lançamento de um blogue de "notícias e debates sobre fontes renováveis de energia e questões ambientais". É mantido pela ISES do Brasil, braço neste país da Sociedade Internacional de Energia Solar.

26 abril, 2007

O problema é nosso

A imprensa fala muito sobre aquecimento global, nós discutimos aqui. Mas como envolver a sociedade como um todo?
Não sei a resposta e é para pensarmos juntos que joguei umas idéias lá no ciência e idéias.

Leia o texto completo aqui

19 abril, 2007

Modelo climático sugere desmatamento global!

Como nós já discutimos esse assunto intensamente aqui no Roda, no post A Politização do Aquecimento Global (além de um pouco mais nos comentários desse outro post, Aquecimento Global), eu achei que essa matéria da The Economist viesse bem a calhar para ilustrar com clareza o quê é que eu venho dizendo [e que foi levantado nesses 2 posts]: A new tree line.

Essencialmente, o resultado diz que se todas as árvores do planeta fossem cortadas (i.e., se todo o Planeta fosse desmatado!), a temperatura global seria reduzida de 0.3°C.

É claro que esse modelo não deve levar em consideração o quê acontece depois dessa redução (i.e., rodaram o código até o ponto em que essa redução foi prevista e pararam -- o que aconteceria se tivessem deixado o programa rodar um pouco mais?), muito menos todo o impacto ecológico e as implicações que ele vai acarretar!

Mas, o objetivo aqui não é criticar esse trabalho em particular, e sim mostrar que esses modelos têm falhas graves e agudas.

Diversão garantida, []'s. :-)

18 abril, 2007

A produção primária da biosfera

As discussões sobre o aquecimento global e sobre o que se pode fazer para o mitigar, envolvem sempre aquilo que se chama recurso a energia limpa, muitas vezes com a estampa ecológica lá gravada. O que me incomoda nessas coisas é que em geral não se avança números, referem-se sempre uns estudos quaisquer mas sem muita substância. Encontrei no entanto um artigo recente que fornece alguns números interessantes que merecem alguma reflexão. Tem tudo a ver com um modelo de utilização de etanol tal como existe neste momento no Brasil. No fundo é uma pequena provocação da minha parte aos participantes brasileiros da Roda de Ciência. Vamos então aos números. [leia mais...]

13 abril, 2007

Esquenta o clima mundial nos blogs


A percentagem de posts relativos ao aquecimento global está aumentando, segundo o Blogpulse. As pequenas oscilações são semanais.

09 abril, 2007

Aquecimento global extraterrestre

Alguns amigos meus falaram-me com um certo prazer perverso de um estudo que, segundo eles, talvez ponha em causa essa coisa da actividade humana como causadora do aquecimento global. Já que o tema do mês na Roda de Ciência é o aquecimento global, decidi que valia a pena falar desse tal estudo.

Sucede que algures no sistema solar há um planeta que tem perdido quantidades significativas de uma das suas calotas polares. Estudos científicos apontam como causa desse desaparecimento um fenómeno de aquecimento global que teria elevado a temperatura média de superfície desse planeta qualquer coisa como 0.65 graus Celsius nos últimos 20 anos. Qual é esse planeta? Pois bem, trata-se do quarto planeta a contar do Sol. Não, não é um engano, Marte parece atravessar de facto um período de aquecimento global estranhamente parecido ao da Terra. [leia mais ...]

07 abril, 2007

Mudança de clima

Bom, mês novo, imagino que é necessário post novo.



Parece que vai ocorrendo um clima de mudança sobre a questão da mudança de clima (OK, OK, desculpem o horrível trocadilho, não resisti). Aqui, gostaria de enfatizar algo que coloquei em um comentário no Roda de Ciência. Me parece que dado a complexidade e presença de inúmeros laços de feedback, aparecimento de bifurcações devido a processos não lineares, etc, realmente a única coisa que pode se fazer, cientificamente, é propor (e melhorar) cenários de mudança climatica. Ou seja, não será possivel nunca se chegar a um consenso científico: o consenso não pode ser um pré-requisito para a ação.

Mas você, leitor, já está acostumado com isso. A meteorologia é tão complexa quanto a economia, mas isso não implica que os governos e as pessoas caiam no laissez-faire simplesmente porque não podem prever seus rumos. Você faz seguros, faz poupança, se prepara para dias onde o "clima da sua vida" irá mudar. Os governos fazem politicas econômicas, industriais, sociais etc. Mesmo na ausencia de consenso. Mesmo quando os cenários não são unânimes entre os economistas. Pois você tem que agir baseado na melhor informação disponível, não na verdade absoluta (coisa que não existe em ciência).

Sem dúvida, um "clima" de alarmismo (desculpem de novo) também pode ser prejudicial, por jogar as pessoas ou no ceticismo ou na resignação sem esperança (as pessoas, especialmente os céticos, passam convenientemente de uma atitude a outra). Por outro lado, a teoria de decisão estatística diz que é melhor acreditar em um falso positivo do que um falso negativo. Este é o dilema, que todos enfrentamos no dia a dia: se alguém grita "FOGO!" no seu prédio, você pega suas coisas e sai correndo ou fica esperando por um consenso científico sobre o tema?

Continue a ler no SEMCIÊNCIA.

06 abril, 2007

Um email de Leonardo DiCaprio

Hoje de tarde, como sempre faço, abri minha caixa postal de email. Algumas poucas mensagens, mas uma em particular me chamou a atenção: o remetente era Leonardo di Caprio.

(Continue lendo . Mas comente aqui no Roda...)

04 abril, 2007

Aquecimento Global


O que mais tem me deixado perplexo quanto à questão do Aquecimento Global é o amadorismo com que o assunto tem sido tratado. Talvez as previsões mais alarmistas sejam apenas isso: alarmismo. Mas minha formação de militar me ensinou que devemos sempre raciocinar com base na previsão de que a pior hipótese se concretize e que as providências devem ser tomadas para encarar as conseqüências mais graves.

Leia mais aqui

O frio que veio da Holanda

A roda de ciência decidiu focar este mês o problema do aquecimento global. Confesso que se a política por trás da coisa me interessa pouco, os estudos das evoluções do clima, e dos factores que entram em jogo, são no entanto fascinantes. Enquanto procurava algo sobre o tema encontrei um artigo curioso, em que o autor colocava a questão: qual a razão que levou os holandeses às costas da América do Norte 400 anos atrás? A resposta está no roedor de ar receoso que se mostra na imagem: o castor americano, de seu nome científico Castor canadensis. O autor explica também qual o motivo: o frio que se na época se fazia sentir na Europa. O início do século XVII corresponde à parte mais fria daquilo que se conhece como a Pequena Idade do Gelo. Não espanta assim que existisse uma procura muito grande por casacos de peles (em especial castor) por parte das classes altas e médias da Europa. O resultado foi um extermínio generalizado dos castores à escala planetária, e em particular na América do Norte. Os castores esgotaram-se, os holandeses partiram, mas os efeitos dramáticos na paisagem permaneceram. O que eu ignorava é que até talvez o clima tenha sido afectado. [ler mais ...]

31 março, 2007

Um DVD que incomoda muita gente


Ok, ok, eu sei que devia ter assistido ao documentário do Al Gore antes, mas quem tem quatro filhos disputando a televisão que atire a primeira pedra. Não tenho muitos comentários a fazer, acho que todo mundo já viu e já comentou. Achei que ele enfrentou o mesmo dilema entre a complexidade da questão científica e a simplificação necessária à comunicação e ação. Por falar nisso, o achei o artigo da Wikipedia muito tendencioso e anti-Gore, acho que deveria ser editado, pois não está nos padrões de imparcialidade de uma enciclopédia.

Para ler mais, clique aqui no SEMCIÊNCIA.

30 março, 2007

A Politização do Aquecimento Global…

Minha contribuição para o tema desse mês do Roda pode ser lida em A Politização do Aquecimento Global.

Os comentários, como sempre, devem ficar por aqui.

[]'s!

25 março, 2007

Ouvindo sobre o ambiente

Como o tema deste mês trata da divulgação do aquecimento global, resolvi pesquisar como os Podcasts científicos estavam divulgando o assunto. Para os que não estão por dentro do assunto, já vou avisando que a ausência é quase total em língua portuguesa (pelo menos aqui no Brasil, até onde eu saiba, ainda não foi lançado um exclusivamente dedicado à divulgação científica...). Então, já pedindo desculpas pelas dicas em língua inglesa...mas as explicações já estão dada! Continue aqui

Ah! E os comentários, deixem por aqui, ok?
Silvia

18 março, 2007

Uma discussão sobre Ciência

Na edição desse mês da Revista Eletrônica de Divulgação Científica Click Ciência apresenta algumas matérias feitas a respeito do tema Ciência. A Samira (a jornalista que trabalha comigo) fez alguns textos interessantes. Há também a visão do Prof. Sérgio Mascarenhas sobre o tema.
Como discutimos muito sobre o que seria Ciência no mês passado vale a pena dar uma olhada.
Cometários e críticas sempre são bem vindos.

o endereço é:
www.clickciencia.ufscar.br

16 março, 2007

O fogo de Monbiot

Tinha publicado um texto no Ciência e Idéias que é relevante para o tema deste mês: uma resenha ao recente de livro de George Monbiot Heat: how to stop the planet burning. Pode ser (re)lido aqui.

Hoje coloquei também no C&I um excerto de um artigo do mesmo Monbiot sobre como alguma imprensa ainda trata a ciência do aquecimento global.

Continuo encantado com o jornalismo de opinião informada de Monbiot. Por oposição à maioria...neste caso.

13 março, 2007

Em março o quente é aquecimento global

Com relatórios de terror, discussões sobre combustíveis limpos e a população sem saber bem o que pensar, acho que será enriquecedor discutirmos também esse tema.

Desculpem a demora, foi-se meio março e só agora consigo anunciar o tema. A votação foi dura, três temas empatados. Usei meu voto para desempatar.

Por favor, sugiram novos temas nos comentários a esta postagem. E quem estiver interessado em publicar textos (em seu próprio blogue ou aqui, caso não tenha) nesta roda, é só avisar. Estamos abertos a todos.

28 fevereiro, 2007

Muitos credos, uma só busca

A discussão deste mês mostrou que quando o assunto é ciência e religião, há uma tendência forte de se polarizar e escolher campos. Mas não precisa ser assim. Para garantir a sobrevivência deste planeta - e a nossa própria - o jeito é deixar as diferenças de lado.

Leia mais no Ciência e idéias.

25 fevereiro, 2007

Ode a Damásio e o conceito de DEUS

Noto a seguinte citação do filósofo francês do séc. XVII Mallebranche, no livro do neurocientista português António Damásio “Feeling of what happens: body and emotion in the making of consciousness” (Harcourt Brace, 1999), publicado no Brasil com o título “O mistério da Consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si" (Companhia das Letras, 2000):

É através da luz e de uma ideia clara que a mente vê a essência das coisas, números, e extensões. É através de uma ideia vaga ou através do sentimento que a mente julga a existência de criaturas e que conhece a sua própria existência.


Leia mais aqui.


24 fevereiro, 2007

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Como vocês devem ter notado (e me perdoar), este mês eu apenas coloquei aqui alguns posts sobre ciência e religião com material não original. É que eu pretendia escrever um post longo sobre a questão de que seria uma precondição para se ser um bom cientista o fato de ser ateu (uma afirmativa que acredito que Richard Dawkins endossaria).

Obviamente tal afirmativa é absurda por deixar muita gente boa de fora, desde Newton, Maxwell e Faraday até, na atualidade, o cosmólogo George Ellis (quaker) e mesmo meu avô em doutorado (o orientador do meu orientador), Barry Simon (judeu ortodoxo).

Mas fica para outra vez. Estou indo para o Simpósio do IINN daqui a pouco, não sei quando poderei blogar de novo. Fica aqui algo que escrevi um tempo atrás.

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Para continuar, leia aqui.

22 fevereiro, 2007

Uma questão de fé

Se eu quisesse polemizar, começaria este texto dizendo que o conhecimento está para as Ciências, assim como a fé está para as Religiões. Mas meu intuito é evidenciar outro aspecto do que vem sendo debatido no tema deste mês do Roda da Ciência: "Ciência e Religião", ou seja, como as religiões vêm ganhando espaço dentro das universidades...

Para continuar a ler, click aqui.

Apophenia



Este artigo do NYT comenta sobre o fato de que parece que temos um módulo especializado para reconhecimento de faces. Uma coisa interessante, ligada ao tema do Roda de Ciência deste mês, é o porque de grande parte dessas faces são interpretadas como tendo significado religioso (a foto acima é chamada de "face de Deus". As faces usualmente são interpretadas como a Virgem Maria, Jesus Cristo, Abraham Lincoln ou mesmo um ET (no caso da face marciana em Sidônia, que desapareceu quando fotos melhores foram obtidas).

Hipótese: Outra pesquisa mostra que temos neurônios especializados ("neurônio de Jennifer Aniston") para rápida detecção de personalidades bem conhecidas. Juntando as duas coisas, teriamos então que as faces mais facilmente identificadas em padrões aleatórios seriam as ligadas a esses neurônios.

Previsão testável da minha teoria: deve existir um(s) neurônio(s) especializados na detecção da face - historicamente construida - de Jesus Cristo (nos católicos, além disso, um neurônio da Virgem Maria).

Update: Daniel Doro Ferrante indicou na Roda de Ciência um interessante link sobre reconhecimento de padrões em estímulos aleatórios: apophenia.

21 fevereiro, 2007

Ciência e Religião, afinal qual a diferença?

Estou inscrito nesse blog há algum tempo, mas nunca postei nada diretamente. Apenas falta de tempo, pois acompanho sempre as discussões que são interessantes. Mas não resisti em dar um contribuição sobre Ciência e Religião, pois também acredito em ambas.

Talvez a primeira questão que eu gostaria de levantar, se é que já não foi debatida, é a diferença fundamental entre ambas. No meu ponto de vista, ambas são formas diferentes de ver o mundo, mas com seus respectivos métodos. A minha opinião é eles que não são excludentes, no sentido que não podemos dizer que uma é superior a outra e vice-versa.

A partir desse ponto de vista o grande conflito que existe é justamente quando uma quer excluir a outra. Como já sabemos esse embate já dura séculos e ambas as instituições ainda persistem.
A religião de forma alguma pode explicar a natureza de forma tão completa como a ciência explica. Por outro lado, a ciência não dá conta de determinados anseios humanos e não consegue oferecer o conforto que tanto faz falta para a maioria das pessoas. A diferença entre ambas é como se quisessemos analisar uma sinfonia de Mozart apenas a partir dos métodos da Física, da Fisiologia, da Acústica e da Psicologia. Com certeza a informação mais importante que essa música nos traz ficaria perdida, pois nenhuma dessas ciências poderiam explicar o que cada pessoa experimenta ao ouvir uma determinada sinfonia.

Para muitos que trabalham com ciência parece claro que a religião é algo apenas para iludir os individuos que não conseguem compreender as leis que regem esse nosso universo. Para os que seguem determinadas crenças fica a sensação que os ignorantes são os homens da ciência que têm uma visão extremamente limitada do mundo.

Agora, para aqueles que trabalham com ciência e tem alguma crença religiosa (como é o meu caso e muitos colegas físicos, químicos que conheço em São Carlos) pode-se compreender que a religião nos ajuda a ligar com algo incompreensível e imensurável que, de certa maneira, deixou determinadas pistas para seguirmos e descobrirmos o verdadeiro enigma do universo.

20 fevereiro, 2007


«Ciência sem religião é capenga.
Religião sem ciência é cega.»

Albert Einstein

«A fé é a esperança infundada
na ocorrência do improvável»

Henry Louis Mencken

«Se você fala com Deus, você está rezando.
Se Deus fala com você, você está maluco»

Ditado Popular

O tema deste mês no Roda de Ciência é um pouco delicado para mim: eu não só sou religioso, como pratico uma religião particularmente discutível, a Umbanda.

(leia mais aqui)

19 fevereiro, 2007

POR UMA EXPERIENCIA RELIGIOSA

Por Rogério Silva

Freud tem um interessante texto que apresenta as conseqüências de uma entrevista dada a um jornalista teuto-mericano G. S. Virec que o indaga sobre a sua crença na religião durante uma visita sua aos Estados Unidos e por conta disso recebeu uma carta de um médico americano.
Nesta carta o medico fica impressionado com a resposta dada por Freud sobre sua crença na sobrevivência da personalidade após a morte. Simplesmente ele respondeu: “Não penso no assunto”.

Relata o médico que ao passar por uma sala de dessecação deparou com o cadáver de uma velhinha de rosto suave que o fez pensar: “Não existe Deus; se existisse, não permitiria que essa pobre velhinha fosse levada a sala de dissecação.” O sentimento que experimentou da visão na sala de dissecação fizera-lhe decidir não mais continuar indo à igreja. Há muito já nutria dúvidas a respeito das doutrinas do cristianismo.

Enquanto ele meditava sobre o assunto, uma voz falou-lhe à alma que ele deveria considerar o passo que estava prestes a dar. Seu espírito replicou a essa voz interior: “Se eu tivesse a certeza de que o cristianismo é verdade e que a Bíblia é a Palavra de Deus, então eu os aceitaria.”

No decorrer das semanas seguintes, Deus tornou claro à sua alma que a Bíblia era Sua Palavra, que os ensinamentos a respeito de Jesus Cristo eram verdadeiros e que Jesus era nossa única salvação. Após uma revelação tão clara, passou a aceitar a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, e Jesus Cristo, como seu Salvador pessoal. Desde então, Deus Se revelou a si por meio de muitas provas infalíveis, acrescentou.

15 fevereiro, 2007

At the Edge


Via Ciência em Dia: Um interessante post sobre Dawkins e o debate Ciência, Ateísmo e Religião foi colocado no Cosmic Variance. Recebeu até agora 75 comentários. Vale a pena dar uma olhada.

Foto: De pé, a partir da esquerda: Steven Pinker, Jeff Bezos e John Brockman. Sentados: Katinka Matson, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins e W. Daniel Hillis.


11 fevereiro, 2007

A religião do Rapaz de Turkana

"Eu não evoluí do Rapaz de Turkana nem de nada semelhante a ele," diz o Bispo Boniface Adoyo, que comanda 35 denominações evangélicas, que ele diz possuirem 10 milhões de seguidores. "Esse tipo de opiniões idiotas estão a matar a nossa fé."

O tema do mês na roda de ciência é Ciência e Religião, e eu não resisti a incluir esta citação de um artigo da AP relativamente a movimentações que se fazem no Quénia contra uma exposição de vestígios fósseis de antepassados humanos. A posição do Bispo Adoyo ilustra bem o que está em jogo, qualquer tipo de religião com componentes naturalistas, isto é de explicação de como o mundo veio a ser e funciona, tem o potencial de entrar em colisão com as explicações científicas. No caso das correntes cristãs que interpretam literalmente a Bíblia o pomo da discórdia é o Génesis que afirma que o homem foi criado tal como é, e que estabelece um intervalo temporal para a existência do mundo de uns poucos milhares de anos. Nas religiões da antiguidade este aspecto naturalista da religião era ainda mais patente, com deuses para cada um dos fenómenos da natureza: trovões, chuva, Sol, rios, colheitas. Este tipo de preocupações acompanham os seres humanos há muito tempo. [leia mais ...]

06 fevereiro, 2007

A grande desilusão

Menos uma resolução de 2007. Terminei de ler "The God Delusion", do Richard Dawkins. Edição em inglês, não faço a menor idéia quando será publicado no Brasil - embora acredite que nem tão cedo, dado o teor do que ali é discutido. O livro é fabuloso, com uma lógica científica fantástica. A vontade que eu tenho é de comprar umas cópias e distribuir para meus amigos que gostam de "provocação mental". (O Guto, por exemplo, imagino que adoraria.)


Leia o resto aqui.

05 fevereiro, 2007

Como a fé desempatou o jogo


Curiosamente, a Revista Veja desta semana discute o mesmo tema do Roda de Ciência. O texto completo está disponível on-line aqui. Copio apenas um trecho como indicação para quem estiver interessado. O Marcelo Leite deve estar se descabelando com o tal "gene da espiritualidade"...
De Okky de Souza

Os antepassados humanos que desenvolveram a capacidadede crer foram os únicos a sobreviver à Idade do Gelo. Isso explica por que a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade.
(...)
A ciência já identificou um gene da espiritualidade e conseguiu mapear os circuitos neurais responsáveis pelas emoções ligadas à fé. A evolução gravou em nosso genoma a necessidade da devoção e isso ajudou a espécie a sobreviver à Idade do Gelo. Como se sabe isso? As pesquisas arqueológicas e antropológicas mostram que diversos tipos de ancestrais humanos conviviam antes da Idade do Gelo, há cerca de 30.000 anos. Quando as geleiras cederam, apenas um tipo predominava, os Cro-Magnon. Eles organizavam-se em famílias, puniam o incesto, enterravam seus mortos, enfeitavam os túmulos, pintavam as paredes das cavernas por deleite estético e espiritual...! Os religiosos enxergam nesse salto evolutivo a interferência direta de Deus nos destinos da humanidade. Os cientistas dizem que a brutal aceleração da competição por recursos escassos e a luta pela sobrevivência em condições climáticas adversas selecionaram os hominídeos de tal forma que restaram apenas aqueles que desenvolveram a capacidade de acreditar. Em quê? Acreditar que aqueles tempos duros iriam passar. Acreditar que uma força superior iria trazer de volta as temperaturas amenas.

02 fevereiro, 2007

Fevereiro: Ciência e religião

A religião é uma ciência?
A ciência é uma religião?
Crenças religiosas e científicas são compatíveis?
Os cientistas são às vezes tratados como seres superiores, detentores do saber e portanto inatingíveis, inquestionáveis. E muitas vezes os próprios pesquisadores acreditam nisso e se comportam de forma condizente.

Cabem inúmeras abordagens no tema, vamos lá!
Quem tiver idéias para temas futuros, por favor ponha como comentário.
Quem quiser entrar na roda, escreva para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br.
Como já se passaram uns meses, copio abaixo as "instruções" de funcionamento do blogue, que estavam lá na postagem inaugural.


Vamos escolher um tema por mês, sobre o qual quem quiser escreve um texto, conta uma história, mostra uma foto, faz um desenho, o que for. O grosso da publicação estará nos respectivos blogues, aqui poremos só resumos, ou chamadas com o linque. Proponho bloquearmos a possibilidade de comentários ao fazer a publicação nos blogues pessoais (no blogger sei que é uma opção fácil, logo abaixo da janela onde escrevemos). Na última linha da publicação, escrevemos algo como "deixe seu comentário aqui", com um link no "aqui" para esta roda. Para padronizar os textos, costumo fazer os meus com fonte "Verdana", tamanho normal.

30 janeiro, 2007

a arte de falar simples: uma tentativa

O que parecia uma tarefa simples se transformava num desafio cada vez maior à medida que crescia minha consciência do abismo que pode haver entre estas duas linguagens de divulgação, a acadêmica e a informal. Por isso mesmo é preciso um artista para mediar esta transformação do conteúdo, e nem todos somos Charles Chaplins capazes de traduzir a complexidade da vida humana e suas relações através de obras primas que se revelam para todas as idades e “escolaridades”, uma linguagem “universal”.
Extraído do blog Via Gene - veja texto completo do tema de janeiro (segundo tempo da prorrogação!) aqui.