09 abril, 2007

Aquecimento global extraterrestre

Alguns amigos meus falaram-me com um certo prazer perverso de um estudo que, segundo eles, talvez ponha em causa essa coisa da actividade humana como causadora do aquecimento global. Já que o tema do mês na Roda de Ciência é o aquecimento global, decidi que valia a pena falar desse tal estudo.

Sucede que algures no sistema solar há um planeta que tem perdido quantidades significativas de uma das suas calotas polares. Estudos científicos apontam como causa desse desaparecimento um fenómeno de aquecimento global que teria elevado a temperatura média de superfície desse planeta qualquer coisa como 0.65 graus Celsius nos últimos 20 anos. Qual é esse planeta? Pois bem, trata-se do quarto planeta a contar do Sol. Não, não é um engano, Marte parece atravessar de facto um período de aquecimento global estranhamente parecido ao da Terra. [leia mais ...]

6 comentários:

OK disse...

Caio, escrevi que: "Pois você tem que agir baseado na melhor informação disponível, não na verdade absoluta (coisa que não existe em ciência)."
Voce concorda? Ou acha que precisamos esperar ainda mais, coletar mais informações, antes de agir? Isso significaria que os 200 cientistas que assinaram o relatorio são incompetentes? Mas, na minha avaliação, dado que a reclamação é que os governos fizeram mudanças no texto para dar um tom menos urgente, então minha avaliação é que existe um clima de subestimação, nao de superestimação do problema.
Acho que deveriamos ter uma atitude Popperiana: voce precisa definir de antemão qual o nivel de evidencia (a favor da antropogenese do aquecimento, por exemplo) que voce aceitaria como suficiente para considerar refutada a tese de que o CO2 produzido pelo homem não é relevante para a questão do aquecimento global. E os que estao a favor da antropogenese tambem precisam definir qual o nivel de evidencia contra que levaria a uma falseação de sua tese.

OK disse...

Pois, se não fizermos isso, ficamos apenas na area de opiniao e crença: "Eu acredito que a causa do aquecimento global é a presença universal do Flying Spaguetti Monster, dado que spaguettis são quentes e ficam aquecendo a atmosfera." Ou seja, dado que sou (profissionalmente) um cientista, e acredito no Monstro do Spaguetti, segue que ja nao existe consenso sobre o aquecimento global?

Caio de Gaia disse...

Osame, essa do Flying Spaguetti Monster não. Podemos deixar os non-sequiturs de lado?

Para mim a questão é mais saber se ainda temos margem de manobra. Eu aceito a ciência que temos, gostaria no entanto de saber se podemos aguardar algum tempo para afinar a nossa compreensão do problema (digamos 10 a 20 anos) ou se temos que agir já.

Há algo de muito interessante na avaliação da resposta de sociedades democráticas (que pensam em períodos de tempo da ordem dos 5 anos) a fenómenos longíquos. Um político que queira ser reeleito deve investir os fundos em coisas que lhe deêm visibilidade durante a legislatura (sem falar de coisas como fundos de campanha mas podemos ignorar isso para já).

Voltando ao seu exemplo do tremor de terra: é improvável mas pode ocorrer durante a legislatura em curso. Vale a pena investir alguns fundos nisso. Em coisas como o clima acho que só mesmo o alarmismo e o medo que desperta nos eleitores poderão levar os políticos a agirem.

João Carlos disse...

Caio disse: «Para mim a questão é mais saber se ainda temos margem de manobra. Eu aceito a ciência que temos, gostaria no entanto de saber se podemos aguardar algum tempo para afinar a nossa compreensão do problema (digamos 10 a 20 anos) ou se temos que agir já.»

Precisamente o meu ponto de vista! E o meu grande temor é chegar à conclusão de que o quadro é irreversível e que, enquanto se discutia a natureza do problema (não, não é um trocadilho), se perdeu um tempo precioso para tomar as medidas do tipo que se toma para minorar os efeitos de terremotos e furacões, por exemplo.

João Carlos disse...

Depois de ler o artigo do Caio, eu me lembrei de que o EurekAlert tinha publicado alguma coisa sobre um relacionamento entre o plantio de árvores para compensar as emissões de CO2.

Realmente, na edição de 9 de abril eles têm uma notícia "Trees to offset the carbon footprint", onde é mencionado que o plantio de árvores em regiões elevadas pode se revelar até prejudicial. A questão do albedo parece ser particularmente relevante.

Maria Guimarães disse...

não entendi. flutuações climáticas globais são naturais numa escala de tempo geológica. nenhuma novidade aí. já tivemos eras do gelo, elevações no nível do mar etc. e tal.
não é isso que acontece também em marte? não surpreende nada. ou me escapou a novidade do artigo?

a novidade do que acontece na terra é a velocidade e a intensidade das mudanças. as ações são para ontem!