26 abril, 2007

O problema é nosso

A imprensa fala muito sobre aquecimento global, nós discutimos aqui. Mas como envolver a sociedade como um todo?
Não sei a resposta e é para pensarmos juntos que joguei umas idéias lá no ciência e idéias.

Leia o texto completo aqui

10 comentários:

Marcelo Knobel disse...

Maria
Obrigado por me incluir nessa discussão. De fato, tudo fica mais fácil quando há uma estrutura por trás ajudando. Todos os Museus de Ciência aqui nos EUA estão preocupados com o assunto, e tentando fazer algo, seja nas suas páginas web, nas galerias das exposições, etc... Mas a inércia é grande nessas instituições. Demora algo em torno de 3 anos para desenvolver uma bela exposição, e não temos tempo para isso. Principalmente aqui nos EUA, onde a situação é crítica. Eles literalmente jogam energia fora. É um verdadeiro escândalo o que ocorre por aqui.
Como bom exemplo de exposições que vi sobre o assunto, recomendo a todos uma visita (virtual pelo menos), ao Marian Koshland Science Museum da Academia Norte Americana de Ciências. Eles têm ali uma belissima exposição sobreo o assunto (http://www.koshland-science-museum.org/exhibitgcc/index.jsp).
Um abraço a todos,
Marcelo

João Carlos disse...

Gente!,,, Eu gostaria de observar que, como diz o blog do Daniel, "Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa".

De um lado temos a devastação ecológica que, esteja ou não contribuindo para o "aquecimento global", tem que ser parada! Eu costumava dizer que gostaria de saber o que me mataria primeiro: o coração, o câncer de pulmão ou a cirrose hepática... (O coração já tentou e perdeu a oportunidade...)

A poluição das fontes de água potável chegou a um nível tão alarmante que, talvez, um eventual derretimento das calotas polares não seja uma notícia tão ruim assim...

Já quanto ao "aquecimento global", o único fato seguramente conhecido é que ele está acontecendo e que a ação humana está, pelo menos, agravando o problema. Mas - já pararam para pensar? - que, mesmo que o Protocolo de Kioto fosse multiplicado por dez, pode não ser a solução?

Em suma: uma coisa não impede a outra. Temos que parar de esculhambar o planeta. E temos que saber o que fazer se o "aquecimento global" for um fenômeno independente da ação humana (o Caio mencionou alhures que a "Mini Era Glacial" parece estar associada às Manchas Solares...)

O anúncio do Greenpeace - por piegas que seja - tem a virtude de dar uma chacoalhada nas consciências das pessoas.

Maria Guimarães disse...

agradeço ao marcelo knobel por trazer sua perspectiva. taí algo que não tinha me ocorrido, o tempo que leva para fazer uma boa exposição.
fui olhar o site do museu Marian Koshland, mas ainda não pude examinar com detalhe. dei uma olhada no calculador de emissões de co2, onde a gente pode escolher medidas (nacionais e pessoais, mas estas últimas mesmo assim adotadas por todos os habitantes dos EUA) que tomaria, e a calculadora nos diz a redução conseqüente em emissões. é desolador! parece que nada adianta! acho que o jeito é tomar todas as medidas possíveis e imagináveis, torcendo para que a somatória delas faça alguma diferença...

joão carlos, concordo.

Silvia Cléa disse...

Oi, Maria!

Pois é, foi super-proveitoso ler o blog do Knobel (que ainda não terminou seu programa como fellow, então, restam-nos algumas leituras-surpresas!); mas acho que não devemos buscar lá fora as respostas que não queremos encontrar em nossa casa...
Se não mudamos comportamentos individuais, queremos impor regras aos nossos vizinhos, aplicando técnicas americanas?
Acho que a experiência que o Knobel foi buscar não se propõe especificamente a tal questão...
Outro ponto que gostaria de salientar: quer dizer que a China agora vai montar cidades ecologicamente "corretas"!? Sei. E com isso, nós (leia-se a população do restante do mundo) vamos esquecer que ela vêm poluindo o planeta e, agora, resolveu aderir à causa e conscientizar-se...poderia, então, começar a fazer o mesmo em suas relações de trabalho, não acham? (Ah! Desviei do assunto, não é? Desculpem, mas acho que isso é uma estratégia para inglês ver...pura hipocrisia)

Maria Guimarães disse...

não acho que seja o caso de imitar os outros, mas de aprender o que houver de útil.
os estados unidos são o país que mais causa problemas ambientais. mas eles têm mais experiência que nós em termos de museus de ciência. a divulgação de ciência também está mais integrada à sociedade lá, como mostra a miríade de podcasts.
a china, sabemos muito bem. mas isso não me impede de achar que devia haver normas para construção mais ecológica neste nosso país.

Silvia Cléa disse...

OI, Maria!
Acho melhor eu dizer: xiiiii, vc não entendeu nada do que eu quis dizer!
Primeiro em relação aos meuseus: não acredito que museu, "lato sensu", seja espaço para debates, e sim para provocações. Pelo simples fato do que o Marcelo disse aí em cima...as coisas levam tempo para acontecer ("cerca de 3 anos", não foi?). Não faz parte de sua função social.
Depois de "provocarem", eles podem e devem resultar em debates, que não vão ocorrer em seus domínios.
Já os Podcasts, como vc fez a comparação; é um meio de divulgação rápido e dinâmico, que ultimamente, tem se re-estruturado para versões interativas, como o o site Waxxi (www.waxxi.us). Assim, há a possibilidade de, além de divulgar diversas opiniões sobre um mesmo assunto, ou colocar no ar uma mesa de debates, possibilita ao público a interferência, ao vivo (por e-mail, telefone ou web), fazendo perguntas aos palestrantes ou entrevistados.
Veja, Maria, são espaços de divulgação com finalidades completamente diferentes, que em absoluto se excluem, ao contrário, se complementam!
Segundo: quando, há 2 anos, entrevistei a Dra Chum, especialista em Energias Alternativas, ninguém falava no assunto. E ela me ensinou que, neste aspecto, cada país deve ser voltar para si, buscar suas soluções internamente, por causa das idiossincrasias naturais. É gritantemente óbvio o que ela disse! Mas parece que ninguém dá bola...
Quanto ao que vc falou sobre a China, não há crítica em 'suas' palavras, mas na hipocrisia chinesa. Foi o que tentei alertar, para que não fiquemos sempre a alardear: "- Sim, Buana...diga, Buana!" (para tudo quanto seja extrangeito que apareça por aqui!)
Falo isso, pois, em 1981, havia uma "casa-piloto" construída no terreno do IPT, junto ao prédio do Biênio da Poli-USP; junto à casa, havia um placa que dizia que o projeto revelava um projeto ecológico, com baixo custo e outras coisas que não me lembro mais... (atentaram para a data???).
Então, vocês realmente acham que no Brasil não há pesquisadores que se dedicam a tal área? Precisamos sempre buscar idéias lá fora?
A propósito, o Marcelo, inteligente como é, mostrou sempre que pode e teve oportunidade, a "Nanoaventura" aos companheiros de museus científicos americanos (que ficaram muito bem-impressionados). Ou seja, ele foi trocar experiências!!!

Maria Guimarães disse...

concordo.
e também acho que os museus não são espaço para debate. o problema é que nessa questão de o que cada um pode fazer para minimizar o impacto sobre o ambiente, estamos aquém do debate. precisa conscientizar. e imaginei brincadeiras, simulações. que levassem as pessoas a se ligarem. por isso pensei em museus.
quanto a construções ecológicas, não tenho a menor dúvida de que o conhecimento existe aqui - e adequado às condições locais. não temos nada a copiar da china. só que ver a notícia chinesa me fez pensar no assunto. associação de idéias mesmo.
eu queria que houvesse uma legislação no brasil. toda casa ou prédio novo tem que ter painéis solares, isolamento térmico que minimize a necessidade de aquecimento ou refrigeração, climatização central mais eficiente do que há disseminado etc. etc. etc. . podia ser pegar essa casa do ipt (que não conheço) e usar como norma: se não for assim, não tem permissão de construir.
não se trata de ciência, já é política. como é que se faz para que brasil, portugal e todo o resto do mundo adotem normas assim?

Silvia Cléa disse...

É, vc disse tudo: não é mais ciência, é política, aliás é pior...vontade política! Então, acho que vamos ficar a ver navios...
O que podemos fazer? Pressionar. a gente vota e fica controlando as atitudes de quem elegemos. Bem, é assim que deveríamos agir, para que ele (a) não pense que pode fazer de seu mandato o que bem entender...Mas isso tb requer muita consciência política do votante. É nessas horas que a maioria diz: ah! Não entendo, não gosto (e outras variantes) de política...Só para fugir de suas responsabilidades. Mas a-d-o-r-a botar a boca no trombone!!!! ;o)))
É tão mais simples, não é?
Enfim, vamos assim, no trabalho de formiguinha...
bjos

João Carlos disse...

Gente,

considerando as notícias que chegam de Bangcoc, parece que - pelo menos - já se chegou à conclusão oficial de que se deve reduzir as emissões de CO2...

Só que ainda falta muito para conscientizar o cidadão de que queimar o lixo no terreno baldio perto da casa dele, também é ruim...

Daniel Doro Ferrante disse...

Oi Pessoal,

Achei que esse post era o ideal para incluir essa notícia "interdisciplinar" (ou "multidisciplinar", como preferirem ;-) entre Ciência do Clima e TI (Tecnologia da Informação -- o "presente" da Ciência da Computação): Open data to reduce cities' environmental impact.

O fato é que com um formato aberto para a divulgação dos dados e, possivelmente, com bancos de dados [relacionais] mundiais (como é feito em Bioinformática), qualquer pessoa online pode não só ter acesso a esses dados, mas também (e mais importante) analisá-los! E é só assim que a Ciência caminha: Com LIBERDADE e TRANSPARÊNCIA.

Essa é, certamente, uma idéia extremamente feliz, pra dizer o mínimo. :-)

[]'s!