21 outubro, 2007

Mais do que elementar, meu caro Watson

Por Rogério Silva

Lendo neste domingo o jornal “O Globo”, o artigo do Arnaldo Bloch me chamou a atenção com o título “DNA é o cacete”. O artigo em sí é pequeno e pouco informativo, mas me provocou muitas reflexões. A pesquisa apresentada por Bloch deixa claro, que a intenção do “Nobel” James Watson ao afirmar que os negros são menos inteligentes que os brancos, é racista.

É claro que a ciência tem um papel preponderante no desenvolvimento da humanidade, mas paralelamente a ela encontramos a arte, o esporte, a filosofia e outras formas de expressão e desenvolvimento do pensamento humano.

Se infelizmente não encontramos negros e/ou brasileiros entre os expoentes das ciências mundiais, felizmente os encontramos em outros setores.

Contudo, emparelhar desenvolvimento mental com cor de pele e prêmios (Nobel, Oscar ou outro qualquer), me parece uma visão míope e reducionista do que o homem pode.

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20 comentários:

Tiago "Huhn" disse...

é um tanto claro que eles (os "africanos") tenham um indice menor de onteligência nos testes. Inicialmente não a os estímulo para padrões de inteligência "ocidentais" e além disso a sobrevivência em relação a escassez ou guerra é prioritário na vida deles. Acredito eu que caso o estudo fosse aplicado a burguesia da áfrica do sul os escores seriam bons

Kynismós! disse...

Questionar realmente não é racismo, afirmar sem ter provas cientificas o é, mas no mundinho dos politicamente corretos e hipócritas mesmo só questionar já é motivo para se ser apedrejado como racista.

Suponhamos hipoteticamente que o Watson esteja certo, e aí? Vai-se dizimar os negros da face da Terra por eles não poderem atingir os mesmo padrões civilizacionais dos brancos, assim como se fazem com os animais?

O que realmente tem valor nisso tudo, o ser por ter vida, ou ser por ter inteligência, ou nada?

Acho que nunca vamos deixar de ser bárbaros enquanto estivermos preocupados com essas questões menores sobre a cor da pele.

Shridhar Jayanthi disse...

Tiago, eu também acho que o escore seria bom se se aplicasse naqueles que tem estudo (não gosto do seu termo "burguesia").

Mas esse relativismo em "padrões ocidentais" tem uma conotação de que aqueles que não tem condição de acesso ao estudo deveriam se manter daquela forma, são "bons selvagens". O erro não está no "padrão ocidental" do conceito de inteligência, o erro está nas condições precárias em que essas pessoas vivem. Garanto que eles gostariam bastante de pertencer à "burguesia" e ter uma medição relevante nos "padrões ocidentais".

Elas são pessoas, não bichinhos dentro de aquários com as quais podemos ficar observando e medindo e estudando.

João Carlos disse...

O problema fundamental é que o Watson está para lá de errado! Eu só pergunto quantos Adolf Hitler o padrão europeu de cultura produziu, para produzir um Watson que seja...

O mesmo país que produz um Watson, é capaz de produzir um George W. Bush... E não é por falta de escolas, saneamento básico e dinheiro em geral...

Isso é uma constatação. Não é ser "politicamente correto e hipócrita". Caramba!... Francis Bacon divulgou a idéia dos "Ídolos" em 1620!... Até quando vão insistir em dizer asneiras com base em estatísticas tendenciosas?...

Lucia Malla disse...

Mas... há pouco tempo o Sergio Pena não mostrou q boa parte da população negra brasileira tem uma forte composição genética européia? Não foi o headline dos headlines de ciência: "Neguinho da Beija-Flor é europeu" (ou algo assim)?

Essa lista do Globo faz menos sentido ainda, se juntarmos as duas informações.

Claro, Watson não dizia especificamente dos brasileiros, e vem daí toda a discussão fervorosa q suscitou. Mas a escolha do Globo com essa lista para abordar o tema foi confusa.

Kynismós! disse...

A lista da globo é uma piada.

Kynismós! disse...

Shridhar Jayanthi, você já ouviu flar em Ramanujan?

Shridhar Jayanthi disse...

Sim, sim. Bastante. Inclusive ele é um exemplo do mito de que basta inteligência e o cara gera teorias do nada. Esquecem-se de que ele veio de uma família que dava valor e incentivava a educação, que ele tinha ensino superior (toda vez que alguém fala sobre ele, fala como se ele fosse um cara que morasse no alto de um coqueiro de onde fazia cálculos em folhas de palma). A genialidade dele é indiscutível mas dependeu também do universo no qual ele cresceu. Eu não sei exatamente porque vc levantou o exemplo dele...

Só para deixar claro: eu não acho que existam diferenças de inteligência entre populações, acho que são flutuações mais ou menos que nem, seilá, ficar careca: tem careca em todos os povos. Além disso, acho que inteligência depende muito mais do ambiente. E é esse o ponto que eu estou tentando trazer. O problema não é na genética do brasileiro ou do africano, é na cultura anti-educacional (que vem de vários fatores como a Lei de Gérson, falta de vergonha, guerras civis, ...).

Shridhar Jayanthi disse...

Acho que a lista da Globo mostrava que variações genética intra-raciais e inter-raciais tinham a mesma ordem de grandeza e portanto, qualquer tentativa de estabelecer uma raça não tem fundamento biológico. Acho que era isso. Em outras palavras, faz tanto sentido falar que um negro é menos inteligente quanto dizer que um careca é menos inteligente.

Carlos Hotta disse...

Mas entram menos carecas do que negros nos vestibulares...

João Carlos disse...

Carlos Hotta:

E quantos negros carecas?... :D

Maria Guimarães disse...

concordo com o shridhar, kynismós: "padrões civilizacionais" não equivalem a inteligência.
há gênios da matemática e da pintura, há quem goste de azul e quem prefira vermelho, há campeões de natação e outros de corrida. quais são mais inteligentes?

Silvia Cléa disse...

Xiiiiiiiiiiiiiiiii!

Vamos tentar esclarecer umas coisinhas...
Houve, recentemente, um movimento político (porque oriundo do ministério da Educação) que, no intuito de "socializar" a inteligência, decidiu englobar os termos superdotação e altas-habilidades em um só.
Pronto. Está feita toda a confusão que vejo refletida agora nesta discussão aqui.
Como já disseram por aqui, podem achar que a inteligência não vale para nada, ou até que não seja o fulcro do tema primordial em questão, mas daí a ficar confundindo com outros que tais....
Bem, podemos, então, fazer deste um novo tópico para o mes vindouro ;o)))

João Carlos disse...

Parabéns, Sílvia!

O tema do mês é "A Representação Social do Cientista" e não "O que é inteligência?". Inclusive porque estamos partindo de uma falsa idéia de que só uma pessoa "inteligente" (consultem o "Aulete Digital" e vejam quantos significados tem a palavra "inteligência"...) pode ser cientista.

Falso! A ciência tem amplo espaço para o tipo "burrinho, mas esforçado". Tarefas de imensa utilidade, tais como "catalogações sistemáticas", são uma tortura para as mentes mais criativas, mas são o paraíso dos "sistemáticos", que gostam de "tudo arrumadinho, nas prateleiras e gavetas corretas". Criatividade, zero; valor, imensurável.

Silvia Cléa disse...

Oi, João Carlos!

Heeheheheheh, falando em "tudo arrumadinho"...recentemente participei de um congresso em que um dos palestrantes falava da primeira profissão, citando um trecho do Velho Testamento...sabe a qual estou me referindo? Confesso que meus conhecimentos sobre o 'livro sagrado' não eram tão profundos para sacar a piada assim de chofre...mas que ele foi perspicaz, lá isso eu não posso negar!
Ele se referia à Taxonomia. ;o))

Concordo com o que disse, sem mudar uma vírgula....sente em um só banco de sala de aula e verás o FEBEAPA! Não é generalizado, mas sempre há as pérolas para atazanar o seu curso, seja ele em que nível for...Duvida? Eu te desafio...(infelizmente é a pura realidade).

Isso não deve ser um desestímulo ao seu avanço, mas uma consciência do que irá encontrar. Continue mas não se iluda.

Kynismós! disse...

Shridhar Jayanthi, parece que não conhecemos o mesmo Ramanujan.

Ou nossos gênios são piores que os dos outros, ou não temos gênios, ou só gênio não basta, precisa de algo mais que o brasileiro e o africano não tem.

Maria Guimarães, não é porque um primata desenvolve alguma habilidade específica que deva ser considerado inteligente.

Maria Guimarães disse...

exatamente, kynismós. pelo visto você andou pensando desde o seu primeiro comentário.

Kynismós! disse...

Ah, estava falando das habilidades que você citou insinuando serem indícios de inteligência e não, por exemplo, de habilidade matemática.

Silvia Cléa disse...

Oi, Kynismós!

Só uma questão de denominações...se vc for utilizar o conceito de múltiplas inteligências de Gardner, pode falar em "inteligência" matemática, mas as habilidades empregadas essencialmente serão a lógico-espacial. ;o)))

Maria Guimarães disse...

kynismós, minha intenção era mostrar o absurdo de equiparar "padrões civilizacionais" a inteligência.