02 setembro, 2007

Setembro: comunicar incerteza

Quem faz ciência sabe que costuma ser atividade longe de exata. Parte-se do conhecido para o desconhecido, ora por rotas tortuosas, ora por becos sem saída. As conclusões nunca são certezas; são saberes prováveis até que algo melhor apareça.

Mas isso tudo desaparece na ciência que chega ao público leigo. Ao ler notícias parece que as descobertas caem prontas no colo dos cientistas e que não resta margem para dúvidas.

Fica aí espaço para muito debate: é importante comunicar a dúvida? É possível?

A foto acima é de io2, em flickr.


Precisamos de sugestões de temas de discussão! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

1 ano com a Roda girando

Em agosto, o Roda de Ciência completou 1 ano de existência e muitas discussões. Ao longo desse período, um total de 9 grandes temas foram abordados sob a forma de posts pelos blogs participantes. Mas a Roda não teria girado bem apenas com os posts: são os comentários que acrescentaram à discussão a devida diversidade. A todos, participantes, comentaristas, leitores e interessados que frequentam este espaço, fica aqui o nosso muito obrigado pelo papo descontraído num tema árido da imprensa geral: a ciência.

*********************

Para comemorar a data, alguns dos participantes celebraram o aniversário do blog homenageando-o ou divagando sobre sua discussão "predileta". Não interessa o formato: o momento especial liberta de regras rígidas. Começo então pelas palavras da Silvia, que relembrou o quão artístico e leve também deve ser esse espaço (e a ciência, de tabela, quando possível):


"Estar Roda, além de escrever e se arriscar pelo mundo das cantigas...pinta, borda e faz o que for preciso para divulgar ciências!

Um exemplo de suas travessuras foi o tema escolhido para ser desenvolvido nos meses de Outubro e Novembro: 'Arte e Ciências'. Houve de tudo um pouco, desde poesias e poetas, indicações literárias e de sites, até visitações a museus virtuais (ou não). Vale a pena conferir (ou reler - aos sempre bem-vindos freqüentadores assíduos!).

Gostaria de fazer uma chamada especial ao post de Lucia Malla, sobre as fotografias premiadas no 'Shell Wildlife Photographer of the Year 2006". Um passeio aos ohos e à consciência ecológica, tão em voga nos tempos atuais de mudanças climáticas!"



Ao que veio a Maria e resumiu (como só ela consegue!) a nossa discussão de estréia, quando tudo ainda era um meio-teste e a empolgação era larga para divulgarmos idéias há tanto tempo engasgadas:

"O primeiro tema que discutimos nesta roda foi justamente a ciência e sua divulgação. Foi animado e cheio de contribuições. Pena que algumas das pessoas iniciais tenham desaparecido... Fica aqui uma pequena amostra.

Começamos discutindo como divulgar e discutir ciência de forma rigorosa e interessante. O caminho é cheio de armadilhas – como o catastrofismo que reina, por exemplo quando o assunto é meio ambiente.

Para o Daniel não há nada democrático como a ciência e os blogues vêm aumentar ainda mais a possibilidade de diálogo entre especialistas e leigos.

A Lucia acha que o pensar científico devia ser aprendido na escola, e a divulgação tem um papel importante em remediar esse vácuo. À medida em que o acesso à ciência deixa de ser passivo surgem diálogos entre cientistas, leigos e cientistas e aí que a coisa vai funcionar. Espero que se torne menos rara a infinita curiosidade de que o João Carlos é exemplo.

Os blogues têm a vantagem de permitir o contato direto entre pesquisador e leigo, como comentou o Anselmo. Segundo o Daniel os blogues derrubam as hierarquias e as pessoas não estão habituadas a isso. O visitante Bruno H confirma: ele diz que as pessoas só deixam comentários quanto têm opinião formada. Uma pena.

Divulgação é ciência e é literatura, como disse a Silvia! E somos felizmente todos otimistas quanto a seu potencial. Senão não estaríamos aqui...



O João Carlos finaliza a homenagem ao aniversário do blog com um pouco da arte que a Silvia quis ressaltar, presente em posts e pelo visto na cabeça dos cientistas que escrevem por aqui - somos humanos, ora pois.

"Pois é... O "Roda de Ciência" já tem um ano... E tudo que me vem à mente é um trecho de "A História do Cerco de Lisboa", de Saramago:

«É o que tem o tempo, corre e não damos por ele, está uma pessoa por aí ocupada nos seus quotidianos, subitamente cai em si e exclama, meu Deus como o tempo passa, ainda agora estava o rei Salomão vivo e já lá vão três mil anos.»

Quisera eu que realmente fossem três mil anos!... Quem sabe, conseguiríamos chegar a alguma conclusão. Mas - que digo eu?!... - ao contrário: é exatamente essa "incompleitude" que faz do "Roda de Ciência" algo tão agradável de ler e nos compele a comentar, pesquisar, discutir, filosofar como nos tempos dos gregos antigos.

Meus parabéns ao "nosso bebê"!... Que cresça forte e saudável, e que continue arrebanhando novos colaboradores e críticos... E obrigado aos criadores da idéia por me permitirem expor as minhas.



Nada mais cabe aqui que agradecer à participação de todos que fazem a Roda de Ciência ser cada vez mais um porto seguro de discussão científica (e de temas congêneres) na blogosfera brasileira, torcendo para que mais um ano de discussão enriquecedora se desenrole nesse espaço.

E como não pode faltar em uma comemoração, mesmo virtual:

Tin-tin à Roda de Ciência!

11 agosto, 2007

O pensamento, um sextante

Em texto na revista piauí, Tom Zé escreveu sobre aprendizados importantes como amarrar os sapatos: "E foi aprendendo essas coisinhas que percebi que o ato de pensar seria uma maneira de eu me mover dentro do mundo. Um sextante."

Busquei aprender um pouco sobre formas alternativas - e quiçá mais produtivas - de equipar e calibrar esse sextante. O exemplo que me ocorreu foi a Escola da Ponte, em Portugal. A pesquisa atiçou minha curiosidade, leia no ciência e idéias.


06 agosto, 2007

E, aproveitando que o jogo foi para a prorrogação


Um assunto ainda relacionado com a educação:

Via EurekAlert, um novo estudo comprova o importante papel da pré-escola na integração social de indivíduos nascidos nas classes economicamente menos favorecidas.

University of Minnesota


Um relatório da Universidade de Minnesota diz que a intervenção na tenra infância melhora o bem-estar dos aultos jovens

Estudo é o primeiro a demonstrar que programas de escolaridade têm impacto duradouro

leia mais aqui

31 julho, 2007

Educação na era Google

Nesse mês de julho que passou, o Roda de Ciência dedicou-se a conversar sobre o ensino básico em geral e sua participação no despertar da criatividade e curiosidade. Para variar, aos 45 minutos do segundo tempo, eu deixo aqui minha colaboração na discussão.

Educar não é tarefa fácil, e educar para a ciência talvez seja mais complexo ainda.

(Continue lendo aqui.)

29 julho, 2007

Quem tem medo do Oscar?

A conceituadíssima revista The New England Journal of Medicine publicou na semana passada o artigo intitulado "A Day in the Life of Oscar the Cat" (por David M Dosa) onde é relatado, de modo curioso, e até mesmo fantasioso, o dom 'paranormal' do gato Oscar de prever quais pacientes vão morrer.
Os editores podem ter decidido publicar o artigo de brincadeira, ou por entenderem que lidar com pacientes terminais não é, certamente, tarefa fácil e essa era uma forma criativa de dizer isso.

Mas a forma como a imprensa tratou o caso é que me preocupou: "Gato 'prevê a morte' de idosos em clínica nos EUA" disse a Folha de São Paulo. "Médico afirma que gato pode prever a morte de idosos em clínica nos EUA" está estampado no site da UOL.

Leia mais em Você que é Biólogo...

18 julho, 2007

O que há de errado com o ensino?


«When I think back
of all the crap
I've learnt in High School,
it's a wonder that
I can still think att all"

Paul Simon

Eu travei conhecimento com o Daniel (Doro Ferrante) através de um site chamado "Queremos Saber", na época, restrito ao Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará. Apesar desse site, em particular, ter crescido e se tornado muito mais abrangente, eu só gostaria de mencionar uma pergunta, feita por um vestibulando de Direito: «Para que raios eu tenho que saber o "Número de Avogadro"?».

Leia mais aqui.

17 julho, 2007

O que diferencia um professor bom de um professor ruim?

Neste meu primeiro artigo para a Roda sobre educação e criatividade eu resolvi tentar analisar as diferenças entre o que eu considerava um professor bom e um professor ruim ao longo do meu ensino médio. Como eu estudei em escola particular, os problemas estruturais não aparecem e as falhas pedagógicas dos professores fica em evidência. Por outro lado, o relato é anedotal e as impressões são pessoais... Leia o artigo no Entropicando. Comente aqui.

09 julho, 2007

Minha professora de ciências

Crianças da comunidade ribeirinha do lago do Puruzinho na Amazônia (foto de Mauro Rebelo)

Começo minha participação na roda com uma opinião que eu mesmo considero polêmica, mas minhas experiências recentes com educação me fazem ver a imagem da professora de ciências do colégio com um romantismo muito distante da realidade: livros didáticos ruins, escolas mal equipadas, professores despreparados. Estão formatando o HD de nossas crianças com um conhecimento pasteurizado que não favorece, ao contrário, abafa, a criatividade.
Vejam no VQEB!

07 julho, 2007

Ensino básico, criatividade, curiosidade

Quem não se lembra de alguma professora que estimulou ou acachapou alguma idéia, alguma pergunta? De uma forma ou de outra, a escola é bastante responsável por desenvolver a curiosidade e a criatividade.

O que se pode fazer para contribuir? É nisso que penso, na condição de divulgadora de ciência. Estou, como de costume, curiosa para saber das diversas perspectivas que surgem neste blogue.

(A foto eu peguei aqui)


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

06 julho, 2007

03 julho, 2007

polêmica nas universidades

Talvez o César possa nos explicar melhor essa diferença entre política como ciência de política corriqueira (politicagem), ou o risco que se tem quando empreende numa aventura como desse tipo.

Antes de mais nada, vale a pena relembrar as greves das universidades federais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso que eram duradouras e de poucos resultados práticos para as universidades, mas sempre promoveram uma ameaça ao ensino público, a sua gratuidade, a sobrevivência de seus docentes e de seus discentes, além dos funcionários, é claro.

O que vejo de perigoso na quebra da autonomia são exatamente as intenções sub-reptícias contidas neste tipo de decreto do Serra, é bom não esquecer que ele é do mesmo partido do FHC que tinha como foco a privatização das universidades públicas.

Movimentos sempre significaram resistência. Mas não significam necessariamente “desobediência civil” como no texto Cicero Araujo e Álvaro de Vita (ambos da USP).

Mais no blog Freud Explica

21 junho, 2007

invadir é a regra?

viagene volta num post-relâmpago para uma nota sobre a atual crise nas universidades paulistas, onde manifestações diferentes com motivações diferentes têm criado um certo caos de comunicação e alimentam polêmicas sobre a legitimidade de invasões, greves, notas de repúdio, etc... fica-se com a impressão de que DIÁLOGO é coisa ultrapassada - avançado mesmo é INVADIR! Leia mais aqui.

16 junho, 2007

A verdeira crise nas universidades

Talvez o tema do mês tenha outro enfoque, mas eu acho que esse meu post ajuda talvez compreender um pouco melhor o que eu chamo da verdadeira crise nas universidades.
Leiam sobre a pseudociência aparecendo bem perto de nós.

03 junho, 2007

A rebelião das universidades

Maio viu as universidades paulistas virarem de pernas para o ar. A USP lidera, com sua reitoria ocupada por estudantes e professores e funcionários em greve. Unicamp e Unesp também aderiram - mesmo que parcialmente - aos protestos.

A imprensa traz opiniões diversas, mas para quem está de fora é difícil entender quais são as condições reais, quais são as exigências, qual é o cunho político das discussões. Muitos assumem posições por simpatia, sem ter acesso a informação suficiente.

Este mês poderemos então discutir opiniões - sejam elas políticas ou o que for - e trocar informações. Alguns dos participantes e dos visitantes esporádicos desta roda estão dentro da universidade e podem trazer uma contribuição importante contando o que vivem e sabem. Espero ao fim de junho me sentir em condições de ter uma opinião mais informada.


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

29 maio, 2007

Daiane dos Santos e Neguinho da Beija-Flor são europeus


A BBC Brasil encomendou ao geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, o perfil genético de nove negros famosos. Os resultados integram o especial Raízes afro-brasileiras. Vale a pena conferir o site, que aos poucos divulga os resultados - ontem foi a Daiane dos Santos, hoje Neguinho da Beija-Flor - além de vários textos relevantes a esta discussão. Tem até um fórum para discutir se faz sentido falar em raça no Brasil. Ainda não tive tempo de olhar os comentários, mas há pouquinho tinha mais de cem.

28 maio, 2007

Algumas considerações sobre raças e afins

Há muito tempo atrás, eu entrei numa discussão super-interessante por email com a querida Ana, sobre raças. Na época, sabia que ela estava com um livro pronto para ser lançado, mas eu não sabia sobre o que se tratava - e ela insistia em querer entender o conceito biológico de raças, espécies, etc. e eu, avoada como sou, não liguei aquele papo sequer ao tópico de seu livro. Continuei enviando links e mais links de sites que tratam de biologia, discussões intermináveis, que foram muito férteis, pelo menos para mim, sobre o conceito biológico de raça, população e até de espécie. Os emails depois de um tempo cessaram, por um motivo claro: ela se ocupou com o presente máximo à literatura brasileira, um dos maiores tratados sobre a escravidão e o racismo no Brasil, o livro "Um defeito de cor"; e eu percebi então o quanto aquela discussão internética poderia realmente ter se estendido - eu estava conversando com uma expert cultural no assunto e não me toquei. Shame on me.


(Continue lendo aqui.)

12 maio, 2007

O Cérebro de todos

Nada mais propício do que se socorrer com uma matéria sobre um anatomista do séc. XIX, que, ao estudar cérebros humanos, ultrapassou barreiras impostas pelo gênero e pela cor da pele...leia mais aqui.
Os comentários, por favor, devem ser deixados neste blog também, ok? Boa leitura!

05 maio, 2007

O que são raças?

As pessoas costumam ter opiniões fortes sobre raças humanas. Ao ler sobre o assunto e vê-lo discutido, porém, me chama a atenção a falta de clareza sobre conceitos. Acho que é um daqueles tópicos em que duas pessoas podem se matar ou odiar-se para sempre sem saber que no fundo concordam. Que o problema é em parte semântico. Por isso, antes de começar qualquer reflexão, vou tentar pôr as cartas na mesa.

Leia mais no ciência e idéias.

Raças humanas ou Raça Humana?

Mais uma votação apertada que tive que desempatar. O tema para discussão durante este mês de maio será: Existem raças na espécie humana?

Acho que dispensa maiores explicações. Vamos lá.

Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Não me canso de repetir, esta roda de ciência está aberta a quem quiser participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

02 maio, 2007

AQUECIMENTO GLOBAL E PSICANÁLISE – UMA APROXIMAÇÃO

Por Rogério Silva

Durante estes dois meses eu vivi uma grande angústia diante da perspectiva de tratar a questão do aquecimento global sob o ponto de vista da psicanálise, para contribuir com o tema do mês passado do blogue Roda de Ciência.

De certa forma senti também uma paralisia, como denunciou Maria Guimarães na sua última postagem e concordo quando ela fala de uma paralisia que impede que cada um incorpore ao seu modo de vida a consciência de que nós (eu, você e os outros) contribuímos para a devastação do mundo e agora temos que ir atrás de remediar o malfeito.

Muitas coisas já foram ditas em outras postagens, mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto. Os cientistas da Física, da Química, da Biologia dentre outras ciências, tratam a questão do aquecimento global de dentro do fenômeno, de suas causas e de seus efeitos, enquanto nossos instrumentos ficam mais distantes.

Embora Freud não tenha nenhum escrito relacionado diretamente com o meio ambiente, ele não deixou de falar sobre algumas questões que são hoje de grande relevância. Em “O mal-estar na civilização” (1930ª [1929]), ele aponta como sendo três os grandes males que nos aflige: a ação da natureza sob a qual pouco podemos fazer; os males do corpo, que hoje em dia as ciências já conseguem algum domínio, aumentando a longevidade e a qualidade de vida e a ação do homem sobre a humanidade em suas relações políticas, religiosas e inter-pessoais e sobre o meio ambiente.

Leia mais aqui

27 abril, 2007

Novo blogue

Esta semana o Jornal da Ciência e-mail noticiou o lançamento de um blogue de "notícias e debates sobre fontes renováveis de energia e questões ambientais". É mantido pela ISES do Brasil, braço neste país da Sociedade Internacional de Energia Solar.

26 abril, 2007

O problema é nosso

A imprensa fala muito sobre aquecimento global, nós discutimos aqui. Mas como envolver a sociedade como um todo?
Não sei a resposta e é para pensarmos juntos que joguei umas idéias lá no ciência e idéias.

Leia o texto completo aqui

19 abril, 2007

Modelo climático sugere desmatamento global!

Como nós já discutimos esse assunto intensamente aqui no Roda, no post A Politização do Aquecimento Global (além de um pouco mais nos comentários desse outro post, Aquecimento Global), eu achei que essa matéria da The Economist viesse bem a calhar para ilustrar com clareza o quê é que eu venho dizendo [e que foi levantado nesses 2 posts]: A new tree line.

Essencialmente, o resultado diz que se todas as árvores do planeta fossem cortadas (i.e., se todo o Planeta fosse desmatado!), a temperatura global seria reduzida de 0.3°C.

É claro que esse modelo não deve levar em consideração o quê acontece depois dessa redução (i.e., rodaram o código até o ponto em que essa redução foi prevista e pararam -- o que aconteceria se tivessem deixado o programa rodar um pouco mais?), muito menos todo o impacto ecológico e as implicações que ele vai acarretar!

Mas, o objetivo aqui não é criticar esse trabalho em particular, e sim mostrar que esses modelos têm falhas graves e agudas.

Diversão garantida, []'s. :-)

18 abril, 2007

A produção primária da biosfera

As discussões sobre o aquecimento global e sobre o que se pode fazer para o mitigar, envolvem sempre aquilo que se chama recurso a energia limpa, muitas vezes com a estampa ecológica lá gravada. O que me incomoda nessas coisas é que em geral não se avança números, referem-se sempre uns estudos quaisquer mas sem muita substância. Encontrei no entanto um artigo recente que fornece alguns números interessantes que merecem alguma reflexão. Tem tudo a ver com um modelo de utilização de etanol tal como existe neste momento no Brasil. No fundo é uma pequena provocação da minha parte aos participantes brasileiros da Roda de Ciência. Vamos então aos números. [leia mais...]

13 abril, 2007

Esquenta o clima mundial nos blogs


A percentagem de posts relativos ao aquecimento global está aumentando, segundo o Blogpulse. As pequenas oscilações são semanais.

09 abril, 2007

Aquecimento global extraterrestre

Alguns amigos meus falaram-me com um certo prazer perverso de um estudo que, segundo eles, talvez ponha em causa essa coisa da actividade humana como causadora do aquecimento global. Já que o tema do mês na Roda de Ciência é o aquecimento global, decidi que valia a pena falar desse tal estudo.

Sucede que algures no sistema solar há um planeta que tem perdido quantidades significativas de uma das suas calotas polares. Estudos científicos apontam como causa desse desaparecimento um fenómeno de aquecimento global que teria elevado a temperatura média de superfície desse planeta qualquer coisa como 0.65 graus Celsius nos últimos 20 anos. Qual é esse planeta? Pois bem, trata-se do quarto planeta a contar do Sol. Não, não é um engano, Marte parece atravessar de facto um período de aquecimento global estranhamente parecido ao da Terra. [leia mais ...]

07 abril, 2007

Mudança de clima

Bom, mês novo, imagino que é necessário post novo.



Parece que vai ocorrendo um clima de mudança sobre a questão da mudança de clima (OK, OK, desculpem o horrível trocadilho, não resisti). Aqui, gostaria de enfatizar algo que coloquei em um comentário no Roda de Ciência. Me parece que dado a complexidade e presença de inúmeros laços de feedback, aparecimento de bifurcações devido a processos não lineares, etc, realmente a única coisa que pode se fazer, cientificamente, é propor (e melhorar) cenários de mudança climatica. Ou seja, não será possivel nunca se chegar a um consenso científico: o consenso não pode ser um pré-requisito para a ação.

Mas você, leitor, já está acostumado com isso. A meteorologia é tão complexa quanto a economia, mas isso não implica que os governos e as pessoas caiam no laissez-faire simplesmente porque não podem prever seus rumos. Você faz seguros, faz poupança, se prepara para dias onde o "clima da sua vida" irá mudar. Os governos fazem politicas econômicas, industriais, sociais etc. Mesmo na ausencia de consenso. Mesmo quando os cenários não são unânimes entre os economistas. Pois você tem que agir baseado na melhor informação disponível, não na verdade absoluta (coisa que não existe em ciência).

Sem dúvida, um "clima" de alarmismo (desculpem de novo) também pode ser prejudicial, por jogar as pessoas ou no ceticismo ou na resignação sem esperança (as pessoas, especialmente os céticos, passam convenientemente de uma atitude a outra). Por outro lado, a teoria de decisão estatística diz que é melhor acreditar em um falso positivo do que um falso negativo. Este é o dilema, que todos enfrentamos no dia a dia: se alguém grita "FOGO!" no seu prédio, você pega suas coisas e sai correndo ou fica esperando por um consenso científico sobre o tema?

Continue a ler no SEMCIÊNCIA.

06 abril, 2007

Um email de Leonardo DiCaprio

Hoje de tarde, como sempre faço, abri minha caixa postal de email. Algumas poucas mensagens, mas uma em particular me chamou a atenção: o remetente era Leonardo di Caprio.

(Continue lendo . Mas comente aqui no Roda...)

04 abril, 2007

Aquecimento Global


O que mais tem me deixado perplexo quanto à questão do Aquecimento Global é o amadorismo com que o assunto tem sido tratado. Talvez as previsões mais alarmistas sejam apenas isso: alarmismo. Mas minha formação de militar me ensinou que devemos sempre raciocinar com base na previsão de que a pior hipótese se concretize e que as providências devem ser tomadas para encarar as conseqüências mais graves.

Leia mais aqui

O frio que veio da Holanda

A roda de ciência decidiu focar este mês o problema do aquecimento global. Confesso que se a política por trás da coisa me interessa pouco, os estudos das evoluções do clima, e dos factores que entram em jogo, são no entanto fascinantes. Enquanto procurava algo sobre o tema encontrei um artigo curioso, em que o autor colocava a questão: qual a razão que levou os holandeses às costas da América do Norte 400 anos atrás? A resposta está no roedor de ar receoso que se mostra na imagem: o castor americano, de seu nome científico Castor canadensis. O autor explica também qual o motivo: o frio que se na época se fazia sentir na Europa. O início do século XVII corresponde à parte mais fria daquilo que se conhece como a Pequena Idade do Gelo. Não espanta assim que existisse uma procura muito grande por casacos de peles (em especial castor) por parte das classes altas e médias da Europa. O resultado foi um extermínio generalizado dos castores à escala planetária, e em particular na América do Norte. Os castores esgotaram-se, os holandeses partiram, mas os efeitos dramáticos na paisagem permaneceram. O que eu ignorava é que até talvez o clima tenha sido afectado. [ler mais ...]

31 março, 2007

Um DVD que incomoda muita gente


Ok, ok, eu sei que devia ter assistido ao documentário do Al Gore antes, mas quem tem quatro filhos disputando a televisão que atire a primeira pedra. Não tenho muitos comentários a fazer, acho que todo mundo já viu e já comentou. Achei que ele enfrentou o mesmo dilema entre a complexidade da questão científica e a simplificação necessária à comunicação e ação. Por falar nisso, o achei o artigo da Wikipedia muito tendencioso e anti-Gore, acho que deveria ser editado, pois não está nos padrões de imparcialidade de uma enciclopédia.

Para ler mais, clique aqui no SEMCIÊNCIA.

30 março, 2007

A Politização do Aquecimento Global…

Minha contribuição para o tema desse mês do Roda pode ser lida em A Politização do Aquecimento Global.

Os comentários, como sempre, devem ficar por aqui.

[]'s!

25 março, 2007

Ouvindo sobre o ambiente

Como o tema deste mês trata da divulgação do aquecimento global, resolvi pesquisar como os Podcasts científicos estavam divulgando o assunto. Para os que não estão por dentro do assunto, já vou avisando que a ausência é quase total em língua portuguesa (pelo menos aqui no Brasil, até onde eu saiba, ainda não foi lançado um exclusivamente dedicado à divulgação científica...). Então, já pedindo desculpas pelas dicas em língua inglesa...mas as explicações já estão dada! Continue aqui

Ah! E os comentários, deixem por aqui, ok?
Silvia

18 março, 2007

Uma discussão sobre Ciência

Na edição desse mês da Revista Eletrônica de Divulgação Científica Click Ciência apresenta algumas matérias feitas a respeito do tema Ciência. A Samira (a jornalista que trabalha comigo) fez alguns textos interessantes. Há também a visão do Prof. Sérgio Mascarenhas sobre o tema.
Como discutimos muito sobre o que seria Ciência no mês passado vale a pena dar uma olhada.
Cometários e críticas sempre são bem vindos.

o endereço é:
www.clickciencia.ufscar.br

16 março, 2007

O fogo de Monbiot

Tinha publicado um texto no Ciência e Idéias que é relevante para o tema deste mês: uma resenha ao recente de livro de George Monbiot Heat: how to stop the planet burning. Pode ser (re)lido aqui.

Hoje coloquei também no C&I um excerto de um artigo do mesmo Monbiot sobre como alguma imprensa ainda trata a ciência do aquecimento global.

Continuo encantado com o jornalismo de opinião informada de Monbiot. Por oposição à maioria...neste caso.

13 março, 2007

Em março o quente é aquecimento global

Com relatórios de terror, discussões sobre combustíveis limpos e a população sem saber bem o que pensar, acho que será enriquecedor discutirmos também esse tema.

Desculpem a demora, foi-se meio março e só agora consigo anunciar o tema. A votação foi dura, três temas empatados. Usei meu voto para desempatar.

Por favor, sugiram novos temas nos comentários a esta postagem. E quem estiver interessado em publicar textos (em seu próprio blogue ou aqui, caso não tenha) nesta roda, é só avisar. Estamos abertos a todos.

28 fevereiro, 2007

Muitos credos, uma só busca

A discussão deste mês mostrou que quando o assunto é ciência e religião, há uma tendência forte de se polarizar e escolher campos. Mas não precisa ser assim. Para garantir a sobrevivência deste planeta - e a nossa própria - o jeito é deixar as diferenças de lado.

Leia mais no Ciência e idéias.

25 fevereiro, 2007

Ode a Damásio e o conceito de DEUS

Noto a seguinte citação do filósofo francês do séc. XVII Mallebranche, no livro do neurocientista português António Damásio “Feeling of what happens: body and emotion in the making of consciousness” (Harcourt Brace, 1999), publicado no Brasil com o título “O mistério da Consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si" (Companhia das Letras, 2000):

É através da luz e de uma ideia clara que a mente vê a essência das coisas, números, e extensões. É através de uma ideia vaga ou através do sentimento que a mente julga a existência de criaturas e que conhece a sua própria existência.


Leia mais aqui.


24 fevereiro, 2007

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Como vocês devem ter notado (e me perdoar), este mês eu apenas coloquei aqui alguns posts sobre ciência e religião com material não original. É que eu pretendia escrever um post longo sobre a questão de que seria uma precondição para se ser um bom cientista o fato de ser ateu (uma afirmativa que acredito que Richard Dawkins endossaria).

Obviamente tal afirmativa é absurda por deixar muita gente boa de fora, desde Newton, Maxwell e Faraday até, na atualidade, o cosmólogo George Ellis (quaker) e mesmo meu avô em doutorado (o orientador do meu orientador), Barry Simon (judeu ortodoxo).

Mas fica para outra vez. Estou indo para o Simpósio do IINN daqui a pouco, não sei quando poderei blogar de novo. Fica aqui algo que escrevi um tempo atrás.

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Para continuar, leia aqui.

22 fevereiro, 2007

Uma questão de fé

Se eu quisesse polemizar, começaria este texto dizendo que o conhecimento está para as Ciências, assim como a fé está para as Religiões. Mas meu intuito é evidenciar outro aspecto do que vem sendo debatido no tema deste mês do Roda da Ciência: "Ciência e Religião", ou seja, como as religiões vêm ganhando espaço dentro das universidades...

Para continuar a ler, click aqui.

Apophenia



Este artigo do NYT comenta sobre o fato de que parece que temos um módulo especializado para reconhecimento de faces. Uma coisa interessante, ligada ao tema do Roda de Ciência deste mês, é o porque de grande parte dessas faces são interpretadas como tendo significado religioso (a foto acima é chamada de "face de Deus". As faces usualmente são interpretadas como a Virgem Maria, Jesus Cristo, Abraham Lincoln ou mesmo um ET (no caso da face marciana em Sidônia, que desapareceu quando fotos melhores foram obtidas).

Hipótese: Outra pesquisa mostra que temos neurônios especializados ("neurônio de Jennifer Aniston") para rápida detecção de personalidades bem conhecidas. Juntando as duas coisas, teriamos então que as faces mais facilmente identificadas em padrões aleatórios seriam as ligadas a esses neurônios.

Previsão testável da minha teoria: deve existir um(s) neurônio(s) especializados na detecção da face - historicamente construida - de Jesus Cristo (nos católicos, além disso, um neurônio da Virgem Maria).

Update: Daniel Doro Ferrante indicou na Roda de Ciência um interessante link sobre reconhecimento de padrões em estímulos aleatórios: apophenia.

21 fevereiro, 2007

Ciência e Religião, afinal qual a diferença?

Estou inscrito nesse blog há algum tempo, mas nunca postei nada diretamente. Apenas falta de tempo, pois acompanho sempre as discussões que são interessantes. Mas não resisti em dar um contribuição sobre Ciência e Religião, pois também acredito em ambas.

Talvez a primeira questão que eu gostaria de levantar, se é que já não foi debatida, é a diferença fundamental entre ambas. No meu ponto de vista, ambas são formas diferentes de ver o mundo, mas com seus respectivos métodos. A minha opinião é eles que não são excludentes, no sentido que não podemos dizer que uma é superior a outra e vice-versa.

A partir desse ponto de vista o grande conflito que existe é justamente quando uma quer excluir a outra. Como já sabemos esse embate já dura séculos e ambas as instituições ainda persistem.
A religião de forma alguma pode explicar a natureza de forma tão completa como a ciência explica. Por outro lado, a ciência não dá conta de determinados anseios humanos e não consegue oferecer o conforto que tanto faz falta para a maioria das pessoas. A diferença entre ambas é como se quisessemos analisar uma sinfonia de Mozart apenas a partir dos métodos da Física, da Fisiologia, da Acústica e da Psicologia. Com certeza a informação mais importante que essa música nos traz ficaria perdida, pois nenhuma dessas ciências poderiam explicar o que cada pessoa experimenta ao ouvir uma determinada sinfonia.

Para muitos que trabalham com ciência parece claro que a religião é algo apenas para iludir os individuos que não conseguem compreender as leis que regem esse nosso universo. Para os que seguem determinadas crenças fica a sensação que os ignorantes são os homens da ciência que têm uma visão extremamente limitada do mundo.

Agora, para aqueles que trabalham com ciência e tem alguma crença religiosa (como é o meu caso e muitos colegas físicos, químicos que conheço em São Carlos) pode-se compreender que a religião nos ajuda a ligar com algo incompreensível e imensurável que, de certa maneira, deixou determinadas pistas para seguirmos e descobrirmos o verdadeiro enigma do universo.

20 fevereiro, 2007


«Ciência sem religião é capenga.
Religião sem ciência é cega.»

Albert Einstein

«A fé é a esperança infundada
na ocorrência do improvável»

Henry Louis Mencken

«Se você fala com Deus, você está rezando.
Se Deus fala com você, você está maluco»

Ditado Popular

O tema deste mês no Roda de Ciência é um pouco delicado para mim: eu não só sou religioso, como pratico uma religião particularmente discutível, a Umbanda.

(leia mais aqui)

19 fevereiro, 2007

POR UMA EXPERIENCIA RELIGIOSA

Por Rogério Silva

Freud tem um interessante texto que apresenta as conseqüências de uma entrevista dada a um jornalista teuto-mericano G. S. Virec que o indaga sobre a sua crença na religião durante uma visita sua aos Estados Unidos e por conta disso recebeu uma carta de um médico americano.
Nesta carta o medico fica impressionado com a resposta dada por Freud sobre sua crença na sobrevivência da personalidade após a morte. Simplesmente ele respondeu: “Não penso no assunto”.

Relata o médico que ao passar por uma sala de dessecação deparou com o cadáver de uma velhinha de rosto suave que o fez pensar: “Não existe Deus; se existisse, não permitiria que essa pobre velhinha fosse levada a sala de dissecação.” O sentimento que experimentou da visão na sala de dissecação fizera-lhe decidir não mais continuar indo à igreja. Há muito já nutria dúvidas a respeito das doutrinas do cristianismo.

Enquanto ele meditava sobre o assunto, uma voz falou-lhe à alma que ele deveria considerar o passo que estava prestes a dar. Seu espírito replicou a essa voz interior: “Se eu tivesse a certeza de que o cristianismo é verdade e que a Bíblia é a Palavra de Deus, então eu os aceitaria.”

No decorrer das semanas seguintes, Deus tornou claro à sua alma que a Bíblia era Sua Palavra, que os ensinamentos a respeito de Jesus Cristo eram verdadeiros e que Jesus era nossa única salvação. Após uma revelação tão clara, passou a aceitar a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, e Jesus Cristo, como seu Salvador pessoal. Desde então, Deus Se revelou a si por meio de muitas provas infalíveis, acrescentou.

15 fevereiro, 2007

At the Edge


Via Ciência em Dia: Um interessante post sobre Dawkins e o debate Ciência, Ateísmo e Religião foi colocado no Cosmic Variance. Recebeu até agora 75 comentários. Vale a pena dar uma olhada.

Foto: De pé, a partir da esquerda: Steven Pinker, Jeff Bezos e John Brockman. Sentados: Katinka Matson, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins e W. Daniel Hillis.


11 fevereiro, 2007

A religião do Rapaz de Turkana

"Eu não evoluí do Rapaz de Turkana nem de nada semelhante a ele," diz o Bispo Boniface Adoyo, que comanda 35 denominações evangélicas, que ele diz possuirem 10 milhões de seguidores. "Esse tipo de opiniões idiotas estão a matar a nossa fé."

O tema do mês na roda de ciência é Ciência e Religião, e eu não resisti a incluir esta citação de um artigo da AP relativamente a movimentações que se fazem no Quénia contra uma exposição de vestígios fósseis de antepassados humanos. A posição do Bispo Adoyo ilustra bem o que está em jogo, qualquer tipo de religião com componentes naturalistas, isto é de explicação de como o mundo veio a ser e funciona, tem o potencial de entrar em colisão com as explicações científicas. No caso das correntes cristãs que interpretam literalmente a Bíblia o pomo da discórdia é o Génesis que afirma que o homem foi criado tal como é, e que estabelece um intervalo temporal para a existência do mundo de uns poucos milhares de anos. Nas religiões da antiguidade este aspecto naturalista da religião era ainda mais patente, com deuses para cada um dos fenómenos da natureza: trovões, chuva, Sol, rios, colheitas. Este tipo de preocupações acompanham os seres humanos há muito tempo. [leia mais ...]

06 fevereiro, 2007

A grande desilusão

Menos uma resolução de 2007. Terminei de ler "The God Delusion", do Richard Dawkins. Edição em inglês, não faço a menor idéia quando será publicado no Brasil - embora acredite que nem tão cedo, dado o teor do que ali é discutido. O livro é fabuloso, com uma lógica científica fantástica. A vontade que eu tenho é de comprar umas cópias e distribuir para meus amigos que gostam de "provocação mental". (O Guto, por exemplo, imagino que adoraria.)


Leia o resto aqui.

05 fevereiro, 2007

Como a fé desempatou o jogo


Curiosamente, a Revista Veja desta semana discute o mesmo tema do Roda de Ciência. O texto completo está disponível on-line aqui. Copio apenas um trecho como indicação para quem estiver interessado. O Marcelo Leite deve estar se descabelando com o tal "gene da espiritualidade"...
De Okky de Souza

Os antepassados humanos que desenvolveram a capacidadede crer foram os únicos a sobreviver à Idade do Gelo. Isso explica por que a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade.
(...)
A ciência já identificou um gene da espiritualidade e conseguiu mapear os circuitos neurais responsáveis pelas emoções ligadas à fé. A evolução gravou em nosso genoma a necessidade da devoção e isso ajudou a espécie a sobreviver à Idade do Gelo. Como se sabe isso? As pesquisas arqueológicas e antropológicas mostram que diversos tipos de ancestrais humanos conviviam antes da Idade do Gelo, há cerca de 30.000 anos. Quando as geleiras cederam, apenas um tipo predominava, os Cro-Magnon. Eles organizavam-se em famílias, puniam o incesto, enterravam seus mortos, enfeitavam os túmulos, pintavam as paredes das cavernas por deleite estético e espiritual...! Os religiosos enxergam nesse salto evolutivo a interferência direta de Deus nos destinos da humanidade. Os cientistas dizem que a brutal aceleração da competição por recursos escassos e a luta pela sobrevivência em condições climáticas adversas selecionaram os hominídeos de tal forma que restaram apenas aqueles que desenvolveram a capacidade de acreditar. Em quê? Acreditar que aqueles tempos duros iriam passar. Acreditar que uma força superior iria trazer de volta as temperaturas amenas.

02 fevereiro, 2007

Fevereiro: Ciência e religião

A religião é uma ciência?
A ciência é uma religião?
Crenças religiosas e científicas são compatíveis?
Os cientistas são às vezes tratados como seres superiores, detentores do saber e portanto inatingíveis, inquestionáveis. E muitas vezes os próprios pesquisadores acreditam nisso e se comportam de forma condizente.

Cabem inúmeras abordagens no tema, vamos lá!
Quem tiver idéias para temas futuros, por favor ponha como comentário.
Quem quiser entrar na roda, escreva para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br.
Como já se passaram uns meses, copio abaixo as "instruções" de funcionamento do blogue, que estavam lá na postagem inaugural.


Vamos escolher um tema por mês, sobre o qual quem quiser escreve um texto, conta uma história, mostra uma foto, faz um desenho, o que for. O grosso da publicação estará nos respectivos blogues, aqui poremos só resumos, ou chamadas com o linque. Proponho bloquearmos a possibilidade de comentários ao fazer a publicação nos blogues pessoais (no blogger sei que é uma opção fácil, logo abaixo da janela onde escrevemos). Na última linha da publicação, escrevemos algo como "deixe seu comentário aqui", com um link no "aqui" para esta roda. Para padronizar os textos, costumo fazer os meus com fonte "Verdana", tamanho normal.

30 janeiro, 2007

a arte de falar simples: uma tentativa

O que parecia uma tarefa simples se transformava num desafio cada vez maior à medida que crescia minha consciência do abismo que pode haver entre estas duas linguagens de divulgação, a acadêmica e a informal. Por isso mesmo é preciso um artista para mediar esta transformação do conteúdo, e nem todos somos Charles Chaplins capazes de traduzir a complexidade da vida humana e suas relações através de obras primas que se revelam para todas as idades e “escolaridades”, uma linguagem “universal”.
Extraído do blog Via Gene - veja texto completo do tema de janeiro (segundo tempo da prorrogação!) aqui.

15 janeiro, 2007

Cinco teses sobre o recente jornalismo científico

Pessoal do Roda de Ciência, não sei se todo mundo está de férias mas, se bem me lembro, para um blog decolar tem que ter no mínimo posts a cada dois dias...
Sendo assim, vou aqui colocando qualquer coisa relacionada com jornalismo científico que escrevi, pois imagino que isto esteja relacionado com o tema do mês: como escrever para um público mais amplo.

1. A revista PLANETA (de papel, não a eletrônica) ficou menos Esotérica e mais Eco-Turística. Mas que saudade de sua fase inicial de Realismo Fantástico editada pelo Ignácio de Loyola Brandão...!
2. Pressionada pelo padrão Scientific American, e tentando ocupar o nicho deixado pela Planeta, a SUPERINTERESSANTE se torna cada vez mais New Age, fazendo propaganda subliminar romântico-religiosa sob o nome de "consciência crítica da ciência".
3. Ninguém lê a Galileu.
4. A SciAm está cada vez melhor, mas os artigos nacionais da Viver Mente e Cérebro deixam um pouco a desejar (inclusive o meu, que infelizmente NÃO aparece neste índice da SciAm especial sobre Sonhos..!). Bom, excluindo o Sidarta e o Nicolelis, claro...
5. As melhores reportagens da Revista Pesquisa FAPESP são assinadas pela... Maria Guimarães.

Alguém discorda?
Lá no SEMCIÊNCIA a Maria Guimarães discordou da tese número 5. Mas será que excesso de modéstia vale?

12 janeiro, 2007

Devemos ser lacônicos ou lacânicos?

Não, o texto a seguir não foi gerado pelo Postmodern Essay Generator, pois afinal é só ler devagar que você o entende perfeitamente. Em outro post defenderei minha tese de que o pessoal de Humanidades, devido a seu largo treino de leitura e discussão escrita e oral, desenvolve regiões específicas de seu cortex que ampliam sua memória de trabalho para leitura de frases longas na voz passiva intercaladas com sentenças nuançadas, condicionais e ambíguas, uma capacidade cerebral profissional similar a dos matemáticos quando usam expressões matemáticas longas. Ok, desculpem pela longa frase anterior, foi sem querer querendo.

Da Wikipedia: Although Lacan is often associated with it, he was not without his critics from within the major figures of what is broadly termed postmodernism. (Several writers, such as Slavoj Žižek, have argued specifically against considering Lacan a poststructuralist theorist.) Along these lines, Jacques Derrida (though Derrida did not endorse nor associate himself with postmodernism) made a considerable critique of Lacan's analytic writings, accusing him of taking a structuralist approach to psychoanalysis, but this is hardly surprising. In particular, Derrida criticises Lacanian theory for an inherited Freudian phallocentrism, exemplified primarily in his conception of the phallus as the "primary signifier" that determines the social order of signifiers. It could be said that much of Derrida's critique of Lacan stems from his relationship with Freud: for example, Derrida deconstructs the Freudian conception of "penis envy", upon which female subjectivity is determined as an absence, to show that the primacy of the male phallus entails a hierarchy between phallic presence and absence that ultimately implodes upon itself.

(...)


Critics from outside psychoanalysis, critical theory and the humanities have often dismissed Lacan and his work in a more or less wholesale fashion. François Roustang, in The Lacanian Delusion, called Lacan's output "extravagant" and an "incoherent system of pseudo-scientific gibberish". Noam Chomsky described Lacan as "an amusing and perfectly self-conscious charlatan". In Fashionable Nonsense (1997), Alan Sokal and Jean Bricmont accuse Lacan of "superficial erudition" and of abusing scientific concepts he does not understand (e.g., confusing irrational and imaginary numbers). Defenders of Lacanian theories dispute the validity of such criticism on the basis of Sokal's misunderstanding of Lacan's texts. According to Lacanians, the dismissal by Sokal and his allies precludes any valid criticism of his theories, and is instead motivated by a desire to "police the boundaries" of what constitutes an appropriate use of scientific terminology.


Foto: Um esquema dos neurônios receptores da mucosa nasal mandando seus axônios para a camada glomerular do bulbo olfatório? Não. Da correspondência Jacques Lacan - Pierre Souri, legenda alemã traduzida pelo Babel Fish:
Generalized Borromaeer in the closer sense 6-3. Soury formed a generalized borromaeische chain according to our method in the case of six rings. It is necessary and sufficient to pull three rings out so that it dissolves. Its attached comment illuminates and confirms our interest in the reading of the Pascal' triangle.

Alguém pode me ajudar a melhorar a tradução desta legenda em alemão?

Continue a ler no SEMCIÊNCIA.

Um desafio redacional para o pessoal da Roda de Ciência: pegar a seção Lacan and his discontents do tópico da Wikipedia de onde foram tirados esses trechos e reescrevê-la de forma simples, jornalística, tentando extrair o cerne do que o autor coletivo quer dizer (ou das possíveis leituras que ele quer permitir).

08 janeiro, 2007

"Não entendi nada, deve ser importante"

A comunicação cifrada tem o péssimo hábito de parecer mais valiosa aos olhos de quem não a entende. E vira bola de neve, uma certa impressão de que texto bom é texto difícil, então vamos lá dar uma complicadinha pra não parecer banal. Por aí vai.

Leia mais no Ciência e idéias.

02 janeiro, 2007

Poesia científica

OK, ok, o Rogério Silva, do blog Freud Explica, realmente detonou meu comentário postado na Roda de Ciência, onde eu dizia (amigavelmente) que um de seus textos postado na Roda não era apropriado nem para um público com pós-doc. Rogério disse que seu texto era equivalente ao poema abaixo, e que tentar explicar textos é como tentar explicar piadas... faz perder toda a graça.

(...)

Sim, poemas são exemplos concretos de textos pouco traduziveis (tradutíveis?) que permitem uma vasta gama de leituras (além do prazer de sua fruição) sem que isso signifique que sejam propositadamente obscuros ou maliciosos (vender poesia barrenta por poesia profunda). Ou seja, voltando ao assunto original discutido no Roda de Ciência, embora exista uma forma "canônica" (jornalística) de se fazer textos de divulgação científica, que pode ser encontrada nos manuais de estilo da Folha ou do Estadão, haveria espaço para "heresias" textuais, tais como: textos tão obscuros e densos que despertam o interesse do leitor por sua decifração e interpretação pessoal (e portanto múltipla e não consensual) - um exemplo seria alguns textos de Benjamin, já citado na Roda.

Outro exemplo seriam as poesias filosóficas e/ou científicas, para as quais parece que Rogério e João Alexandrino, do Ciência e Idéias, tem vocação: ok, vou postar uns poeminhas meus aqui também se vocês deixarem... Eu colocaria também neste rol de formas alternativas de divulgação científica certas músicas de Caetano, Lenine etc...

Só ainda não entendi o que significam os versos em HTML no poema do Rogério... Minha interpretação pessoal é de que Rogério quis dizer que o HTML é a poesia do futuro, feita nas entrelinhas de nossos textos... Bom, talvez tenha sido apenas um erro de copy and paste... Melhor ainda, talvez tenha sido as duas coisas ao mesmo tempo, o que seria paradoxalmente genial. Tudo bem, Rogério, não precisa me explicar.

Para referência:
(En)canto científico: temas de ciência em letras da música popular brasileira
(...)
Continue a ler aqui no SEMCIÊNCIA.

31 dezembro, 2006

A PALAVRA

A palavra fala,

Sozinha, acompanhada,

comanda, manda, demanda...

.

Sublinhada empolga,

inclinada declina.

Clínica, clinica.

Cria idéias,

cria assunto.

.

Causo.

Causo de vida,

caso de amor,

vida de festa, sonho perdido.

Vida vazia!

.

É no discurso

da grande fala

que a fala se cala.

.

Sem nome e sem corpo.

Silencia na voz,

silencia no afeto,

silencia na dor.

Aih! como dói!

.

A palavra,

sempre ela

a palavra.

.

Pa-lavra.

.

Larva que queima,

pá que recolhe, acolhe...

Texto, testículo, prazer;

gozo, ferida, fenda, fruição.

.

A palavra,

sozinha, desacompanhada,

comanda, manda, demanda...

Nomeia, corporifica.

Re-signi-fica.


Como disse o Anselmo, a Roda tem que girar. Aceitar um texto pelo seu prazer e não cerceá-lo em demasia com códigos de conduta também precisa ser levado em consideração.

Prometi reescrever de forma simples, e aí está. A poesia é um bom recurso. Aqui se fala mais, com o mínimo de palavras. É óbvio que não vou explicar o escrito. É como na piada, se você explica, ela perde o sentido. Quem não entender, que não se desespere, espero. Repetindo o Anselmo: “Viva e deixe a língua viver, mesmo que a principio não haja tantos significados.”.

Tentando responder o Osame se é desejável uma tradução conceitual da Psicanálise, sem o uso do jargão, não acredito que ela seja, por definição, intraduzível, mas nós também temos problemas. Em nosso meio, muitas vezes, o psicanalês, o lacanês e/ou outro (ês) irrompem trazendo dificuldades. Outras vezes a questão é institucional e a visibilidade da psicanálise se perde em nome deste ou daquele discípulo(?) de Freud, deste ou daquele conceito. O próprio Lacan disse, certa vez, cabe a vocês serem lacanianos, quanto a mim, eu sou freudiano.

Como eu sou um pouco kantiano e o que me move é o entusiasmo, vou continuar escrevendo.

Feliz 2007 para todos.

28 dezembro, 2006

Cadê o dicionário?



O tema do Roda de ciência este mês, "Falar e escrever simples", se mostra um desafio de argumentação e auto-análise. Porém, vamos contribuir. A Roda tem que girar.Primeiramente gostaria de deixar aqui registrado que gostei muito da participação do Rogério Silva. Contar com as idéias de um profissional de uma área diferente da maioria dos participantes do Roda traz novo "oxigênio" para as discussões. Aceitar um texto pelo seu prazer e não cerceá-lo em demasia com códigos de conduta também tem que ser levado em consideração. Viva e deixe a língua viver, mesmo que a príncipio não haja tantos significados. O dia-a-dia trata de formá-los. Divagações e subjetividades de lado, voltemos ao tema propriamente. Leia mais aqui

27 dezembro, 2006

Fractais para crianças

Bom, parece que não conseguirei comentar mais nada sobre a questão da escrita simples na divulgação científica, especialmente depois que o João Alexandrino, com seu poema iconoclasta, fez a pergunta fatal: simples para quem?

Assim, acho que talvez pudessemos pensar a questão em termos de um emissor (o jornalista ou cientista) que tenta enviar uma mensagem para um receptor (vários grupos a serem definidos, por exemplo, leitor de jornal, estudante do ensino médio, espectador do Fantástico etc.). Assim, a nossa questão seria: como diminuir o nível de "ruído" ao longo da transmissão da mensagem, ruído produzido pelo uso de termos e conceitos que não fazem parte da bagagem cultural do público alvo? Você concorda com esta redefinição do problema, Maria?

Bom, há algum tempo atrás, informado por um editor da Ediouro de que o verdadeiro filão do mercado editoral brasileiro é o setor de paradidáticos (por exemplo, as edições em geral têm entre 100.000 e 500.000 exemplares, na maior parte comprados pelo governo), e cabisbaixo por meu eterno cheque especial negativo, pensei se teria capacidade de escrever um livro desses. Ok, minto, na verdade foi puro idealismo, eu achei que seria um importante trabalho de divulgação científica e extensão universitária etc.

Pois bem, não consegui terminar o livro, mas tentei realmente escrever sobre Fractais de modo que pudesse ser lido e apreciado por estudantes do ensino fundamental (note, fundamental, nao médio! Você já tentou explicar o que são logarítmos para crianças de 12 anos?). Os dois capítulos iniciais de minha tentativa você pode encontrar aqui no Ceticismo Aberto de Kentaro Mori, que me pediu permissão para hospedar o texto, não sei se isso vai comprometer a venda do livro (isso detona com o Copyright?) quando eu acabar de escrevê-lo daqui a cinco(?) anos, vender para a Ediouro e ficar zilionário...

Alguns Post Scripts a mais aqui no SEMCIÊNCIA.

25 dezembro, 2006

TEXTO E DISCURSO – UM PONTO DE VISTA

Por Rogério Silva

“Semente de amor sei que sou desde nascença,

Mas sem ter a vida e fulgor, heis minha sentença,

Tentei pela primeira vez um sonho vibrar,

Foi beijo que nasceu e morreu, sem se chegar a dar,”

Não quero mais amar a ninguém de Cartola


“Não é hora de chorar, amanheceu o pensamento

O poeta está vivo, com seus moinhos de vento

A impulsionar a grande roda da história

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento”

O poeta está vivo de Roberto Frejat e Dulce Quental


Quais as possibilidades que um blog oferece? Essa pergunta parece direcionar a resposta para uma única finalidade, mas a palavra possibilidades trai tal intenção. Um blog que roda, que em seu texto reúne pessoas que pensam em diferentes direções e que freqüentam diferentes saberes, nos remete a um parque de diversões com rodas gigantes, montanhas russas e outros brinquedos que por mais diferentes que sejam giram sempre em torno de um eixo qualquer.

O texto, este incansável dizer, acompanha o homem desde os tempos mais primitivos. Nas cavernas, nos papiros, nos livros ou modernamente na internet, são sempre dizeres.

Falar e escrever simples. Uma pretensão para quem não pode usar desses atributos em suas teses, mas um desejo para quem quer se implicar com o que se propõe falar ou escrever.

Leia mais aqui

21 dezembro, 2006

Simples?

Simples,
o quê? para quem?

[Leia mais no Ciência e Ideias]

Perdão pela simplicidade,
apenas uma outra forma de expressão,
simples do complexo,
estado de espírito,
sem qualquer outra pretensão.

Esta é a minha contribuição inaugural para a Roda. Vivam os assíduos que a têm construído!

18 dezembro, 2006

Blogs facilitam escrever mais simples

Depois escrevo um texto meu, por enquanto vai aqui uma notícia da USP online para quem não viu:

Blogs de pesquisadores incentivam nova forma de discussão acadêmica

Paulo Gama / USP Online

Até pouco tempo atrás, quando um pesquisador decidia expor suas idéias em algum meio diferente das tradicionais publicações científicas, esbarrava em limitações técnicas, como por exemplo a dificuldade para construir um site pessoal ou criar um grupo de discussão.

Recentemente, com a popularização dos blogs, esses pesquisadores viram aberta uma nova porta, que impulsionou um tipo diferente de debate. Nessas páginas virtuais, surge uma discussão um pouco menos acadêmica e mais ligada a temas cotidianos, que consegue atingir um público diferente, menos ligado às universidades, mas maior em quantidade. “Com um blog você tem a coisa na mão. A ferramenta é pronta, é só chegar e escrever! Essa questão técnica foi um ponto a favor dessa popularização, que foi muito legal e deu um grande avanço na área”, explica a professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Elizabeth Saad Correa.

A professora ressalta que os blogs não têm a função de fomentar, especificamente, discussões acadêmicas profundas, mas se tornam essenciais na difusão do conhecimento gerado por pesquisas. “O blog serve pra você difundir as idéias que foram trabalhadas por um tempo maior e por um grupo menor. A discussão em profundidade não se dá no blog. Ela se dá, em geral, em listas fechadas de discussão, nas quais você conhece quem participa”, afirma.

Isso faz com que os assuntos tratados precisem se aproximar mais do cotidiano do usuário, possibilitando uma integração maior do mundo acadêmico com o público geral. “Você só consegue essa interação, essa troca de opiniões mais coletivas, se for um assunto de interesse desse freqüentador”, explica.

Outro fator importante é o tipo de linguagem usada pelo pesquisador: “Um blog com palavras mais técnicas vai ter poucos freqüentadores. Mas à medida que o site vai simplificando a linguagem, ele vai ampliando a possibilidade de usuários e comentadores. Quanto mais próxima a linguagem do público, mais o blog agrega”. Essa linguagem, afirma a professora, acaba tornando o próprio blog mais atraente: “Ele deixa de ser técnico e passa a conversar num nível de entendimento mais amplo.

Para continuar a ler, clique aqui. O meu blog está aqui na versão nova do Blogger.

Foto: Ok, ok, eu sei que estou (muito) mais gordo, mas o Richard Dawkins ficou usando aquela foto de jovenzinho durante anos em suas orelhas de livros...

15 dezembro, 2006

Akamai

Dia desses li num jornal havaiano:

"Vastly improved maps and global positioning systems make it easier to figure out what the risks might be, and people are now "way more akamai about at least assessing" where they are in relation to the rift zone, he said."

Akamai. Tenho certeza que a palavra deixa mesmo aqueles que têm vivência da língua inglesa com dúvidas. Afinal, o que é "akamai" nesse contexto? Está num jornal de circulação razoável dos EUA, um veículo de informação que requer um tratamento jornalístico claro da língua. Entretanto, o uso de um termo 100% havaiano já nos mostra que mesmo onde a clareza deve ser lei, a realidade local fala muito alto.

(Leia o resto aqui.)

08 dezembro, 2006

Tema de dezembro: falar e escrever simples

Tem gente que acha que se apresenta com mais autoridade se disser coisas que ninguém consegue entender. E tem gente que acredita, e acha que se não entendeu é porque deve ser importante e inteligente... Mas tem algo mais longe da divulgação de ciência? Fica vigente a mistificação da ciência, infelizmente bastante difundida.

Mas vamos aqui fazendo nossa partezinha, falar de ciência entre cientistas e não cientistas, discutir explicar conversar. Nem sempre a gente consegue, falar do que se entende de forma compreensível para os outros não é nada fácil.

Por isso mesmo é um tema rico, interessante e importante para discussão. Encerremos então o ano discutindo a arte de falar - e escrever - com simplicidade. Mas nem por isso pouca profundidade ou rigor.

Por favor, quem tiver sugestões para temas futuros ponha nos comentários desta postagem.

23 novembro, 2006

Lançamento do Clik Ciência

Como eu nunca ocupei o espaço aqui estou estreando dando uma boa notícia.
Estamos lançando a revista digital de divulgação científica "Click Ciência" . A idéia é fazer um site onde se de um pouco mais de ênfase no contéudo científico e não apenas fazer propaganda institucional.
O site surgiu a partir de uma iniciativa de pesquisadores de um projeto temático da FAPESP e acabou tomando uma dimensão um pouco maior.
O primeiro número está no ar e o tema principal é nanotecnologia.
Comentários serão sempre bem vindos

13 novembro, 2006

Ciência e arte em Walter Benjamin


Por Rogério Silva

Pensando no tema de outubro entre ciência e arte eu achei que deveria tratar de Julio Verne ou Michelangelo que não eram cientistas, mas criaram muito para a humanidade. Gostaria talvez de versar sobre Moritz Echler, entre a arte e a matemática, mas meus conhecimentos sobre eles é pequeno e só então me dei conta de que já havia escrito algo sobre o tema no meu blog sob o título “Experiência e construtividade em Walter Benjamin”.

Walter Benjamin parece estar falando sempre de dois tempos. Um tempo perdido de criação e um tempo posterior de recriação. O primeiro tempo é o tempo da experiência, tempo da conhecer, tempo da ciência e um tempo posterior de construção ou de arte.

Esse tempo de criação parece ser um tempo primitivo, o tempo do narrador, do artesanato. É a passagem do artesanato para a produção em série, que muda a forma da narrativa e faz surgir o romance.

O romance sai da experiência individual (Erlebnis), não compartilhada, para a coletiva (Erfahrung), onde o leitor persegue o mesmo sentido dado pelo autor.

Espero, ainda que tardiamente, estar contribuindo para o tema.

05 novembro, 2006

Ciência e Saúde com poesia

É verdade que já escrevi pra este tema de outubro que se estende por novembro. Mas acabo de pôr um texto no Ciência e idéias que remete ao assunto em discussão, então ponho aqui o anúncio.

O médico, escritor e divulgador de ciência Drauzio Varella acaba de lançar o livro Borboletas da alma, que trata de ciência e saúde com linda arte. Bem na linha do que escrevi aqui.

Leia mais...