Por Rogério Silva
Durante estes dois meses eu vivi uma grande angústia diante da perspectiva de tratar a questão do aquecimento global sob o ponto de vista da psicanálise, para contribuir com o tema do mês passado do blogue Roda de Ciência.
De certa forma senti também uma paralisia, como denunciou Maria Guimarães na sua última postagem e concordo quando ela fala de uma paralisia que impede que cada um incorpore ao seu modo de vida a consciência de que nós (eu, você e os outros) contribuímos para a devastação do mundo e agora temos que ir atrás de remediar o malfeito.
Muitas coisas já foram ditas em outras postagens, mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto. Os cientistas da Física, da Química, da Biologia dentre outras ciências, tratam a questão do aquecimento global de dentro do fenômeno, de suas causas e de seus efeitos, enquanto nossos instrumentos ficam mais distantes.
Embora Freud não tenha nenhum escrito relacionado diretamente com o meio ambiente, ele não deixou de falar sobre algumas questões que são hoje de grande relevância. Em “O mal-estar na civilização” (1930ª [1929]), ele aponta como sendo três os grandes males que nos aflige: a ação da natureza sob a qual pouco podemos fazer; os males do corpo, que hoje em dia as ciências já conseguem algum domínio, aumentando a longevidade e a qualidade de vida e a ação do homem sobre a humanidade em suas relações políticas, religiosas e inter-pessoais e sobre o meio ambiente.
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As discussões sobre o aquecimento global e sobre o que se pode fazer para o mitigar, envolvem sempre aquilo que se chama recurso a energia limpa, muitas vezes com a estampa ecológica lá gravada. O que me incomoda nessas coisas é que em geral não se avança números, referem-se sempre uns estudos quaisquer mas sem muita substância. Encontrei no entanto um artigo recente que fornece alguns números interessantes que merecem alguma reflexão. Tem tudo a ver com um modelo de utilização de etanol tal como existe neste momento no Brasil. No fundo é uma pequena provocação da minha parte aos participantes brasileiros da Roda de Ciência. Vamos então aos números. 
Sucede que algures no sistema solar há um planeta que tem perdido quantidades significativas de uma das suas calotas polares. Estudos científicos apontam como causa desse desaparecimento um fenómeno de aquecimento global que teria elevado a temperatura média de superfície desse planeta qualquer coisa como 0.65 graus Celsius nos últimos 20 anos. Qual é esse planeta? Pois bem, trata-se do quarto planeta a contar do Sol. Não, não é um engano, Marte parece atravessar de facto um período de aquecimento global estranhamente parecido ao da Terra. 


