02 setembro, 2007

1 ano com a Roda girando

Em agosto, o Roda de Ciência completou 1 ano de existência e muitas discussões. Ao longo desse período, um total de 9 grandes temas foram abordados sob a forma de posts pelos blogs participantes. Mas a Roda não teria girado bem apenas com os posts: são os comentários que acrescentaram à discussão a devida diversidade. A todos, participantes, comentaristas, leitores e interessados que frequentam este espaço, fica aqui o nosso muito obrigado pelo papo descontraído num tema árido da imprensa geral: a ciência.

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Para comemorar a data, alguns dos participantes celebraram o aniversário do blog homenageando-o ou divagando sobre sua discussão "predileta". Não interessa o formato: o momento especial liberta de regras rígidas. Começo então pelas palavras da Silvia, que relembrou o quão artístico e leve também deve ser esse espaço (e a ciência, de tabela, quando possível):


"Estar Roda, além de escrever e se arriscar pelo mundo das cantigas...pinta, borda e faz o que for preciso para divulgar ciências!

Um exemplo de suas travessuras foi o tema escolhido para ser desenvolvido nos meses de Outubro e Novembro: 'Arte e Ciências'. Houve de tudo um pouco, desde poesias e poetas, indicações literárias e de sites, até visitações a museus virtuais (ou não). Vale a pena conferir (ou reler - aos sempre bem-vindos freqüentadores assíduos!).

Gostaria de fazer uma chamada especial ao post de Lucia Malla, sobre as fotografias premiadas no 'Shell Wildlife Photographer of the Year 2006". Um passeio aos ohos e à consciência ecológica, tão em voga nos tempos atuais de mudanças climáticas!"



Ao que veio a Maria e resumiu (como só ela consegue!) a nossa discussão de estréia, quando tudo ainda era um meio-teste e a empolgação era larga para divulgarmos idéias há tanto tempo engasgadas:

"O primeiro tema que discutimos nesta roda foi justamente a ciência e sua divulgação. Foi animado e cheio de contribuições. Pena que algumas das pessoas iniciais tenham desaparecido... Fica aqui uma pequena amostra.

Começamos discutindo como divulgar e discutir ciência de forma rigorosa e interessante. O caminho é cheio de armadilhas – como o catastrofismo que reina, por exemplo quando o assunto é meio ambiente.

Para o Daniel não há nada democrático como a ciência e os blogues vêm aumentar ainda mais a possibilidade de diálogo entre especialistas e leigos.

A Lucia acha que o pensar científico devia ser aprendido na escola, e a divulgação tem um papel importante em remediar esse vácuo. À medida em que o acesso à ciência deixa de ser passivo surgem diálogos entre cientistas, leigos e cientistas e aí que a coisa vai funcionar. Espero que se torne menos rara a infinita curiosidade de que o João Carlos é exemplo.

Os blogues têm a vantagem de permitir o contato direto entre pesquisador e leigo, como comentou o Anselmo. Segundo o Daniel os blogues derrubam as hierarquias e as pessoas não estão habituadas a isso. O visitante Bruno H confirma: ele diz que as pessoas só deixam comentários quanto têm opinião formada. Uma pena.

Divulgação é ciência e é literatura, como disse a Silvia! E somos felizmente todos otimistas quanto a seu potencial. Senão não estaríamos aqui...



O João Carlos finaliza a homenagem ao aniversário do blog com um pouco da arte que a Silvia quis ressaltar, presente em posts e pelo visto na cabeça dos cientistas que escrevem por aqui - somos humanos, ora pois.

"Pois é... O "Roda de Ciência" já tem um ano... E tudo que me vem à mente é um trecho de "A História do Cerco de Lisboa", de Saramago:

«É o que tem o tempo, corre e não damos por ele, está uma pessoa por aí ocupada nos seus quotidianos, subitamente cai em si e exclama, meu Deus como o tempo passa, ainda agora estava o rei Salomão vivo e já lá vão três mil anos.»

Quisera eu que realmente fossem três mil anos!... Quem sabe, conseguiríamos chegar a alguma conclusão. Mas - que digo eu?!... - ao contrário: é exatamente essa "incompleitude" que faz do "Roda de Ciência" algo tão agradável de ler e nos compele a comentar, pesquisar, discutir, filosofar como nos tempos dos gregos antigos.

Meus parabéns ao "nosso bebê"!... Que cresça forte e saudável, e que continue arrebanhando novos colaboradores e críticos... E obrigado aos criadores da idéia por me permitirem expor as minhas.



Nada mais cabe aqui que agradecer à participação de todos que fazem a Roda de Ciência ser cada vez mais um porto seguro de discussão científica (e de temas congêneres) na blogosfera brasileira, torcendo para que mais um ano de discussão enriquecedora se desenrole nesse espaço.

E como não pode faltar em uma comemoração, mesmo virtual:

Tin-tin à Roda de Ciência!

11 agosto, 2007

O pensamento, um sextante

Em texto na revista piauí, Tom Zé escreveu sobre aprendizados importantes como amarrar os sapatos: "E foi aprendendo essas coisinhas que percebi que o ato de pensar seria uma maneira de eu me mover dentro do mundo. Um sextante."

Busquei aprender um pouco sobre formas alternativas - e quiçá mais produtivas - de equipar e calibrar esse sextante. O exemplo que me ocorreu foi a Escola da Ponte, em Portugal. A pesquisa atiçou minha curiosidade, leia no ciência e idéias.


06 agosto, 2007

E, aproveitando que o jogo foi para a prorrogação


Um assunto ainda relacionado com a educação:

Via EurekAlert, um novo estudo comprova o importante papel da pré-escola na integração social de indivíduos nascidos nas classes economicamente menos favorecidas.

University of Minnesota


Um relatório da Universidade de Minnesota diz que a intervenção na tenra infância melhora o bem-estar dos aultos jovens

Estudo é o primeiro a demonstrar que programas de escolaridade têm impacto duradouro

leia mais aqui

31 julho, 2007

Educação na era Google

Nesse mês de julho que passou, o Roda de Ciência dedicou-se a conversar sobre o ensino básico em geral e sua participação no despertar da criatividade e curiosidade. Para variar, aos 45 minutos do segundo tempo, eu deixo aqui minha colaboração na discussão.

Educar não é tarefa fácil, e educar para a ciência talvez seja mais complexo ainda.

(Continue lendo aqui.)

29 julho, 2007

Quem tem medo do Oscar?

A conceituadíssima revista The New England Journal of Medicine publicou na semana passada o artigo intitulado "A Day in the Life of Oscar the Cat" (por David M Dosa) onde é relatado, de modo curioso, e até mesmo fantasioso, o dom 'paranormal' do gato Oscar de prever quais pacientes vão morrer.
Os editores podem ter decidido publicar o artigo de brincadeira, ou por entenderem que lidar com pacientes terminais não é, certamente, tarefa fácil e essa era uma forma criativa de dizer isso.

Mas a forma como a imprensa tratou o caso é que me preocupou: "Gato 'prevê a morte' de idosos em clínica nos EUA" disse a Folha de São Paulo. "Médico afirma que gato pode prever a morte de idosos em clínica nos EUA" está estampado no site da UOL.

Leia mais em Você que é Biólogo...

18 julho, 2007

O que há de errado com o ensino?


«When I think back
of all the crap
I've learnt in High School,
it's a wonder that
I can still think att all"

Paul Simon

Eu travei conhecimento com o Daniel (Doro Ferrante) através de um site chamado "Queremos Saber", na época, restrito ao Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará. Apesar desse site, em particular, ter crescido e se tornado muito mais abrangente, eu só gostaria de mencionar uma pergunta, feita por um vestibulando de Direito: «Para que raios eu tenho que saber o "Número de Avogadro"?».

Leia mais aqui.

17 julho, 2007

O que diferencia um professor bom de um professor ruim?

Neste meu primeiro artigo para a Roda sobre educação e criatividade eu resolvi tentar analisar as diferenças entre o que eu considerava um professor bom e um professor ruim ao longo do meu ensino médio. Como eu estudei em escola particular, os problemas estruturais não aparecem e as falhas pedagógicas dos professores fica em evidência. Por outro lado, o relato é anedotal e as impressões são pessoais... Leia o artigo no Entropicando. Comente aqui.

09 julho, 2007

Minha professora de ciências

Crianças da comunidade ribeirinha do lago do Puruzinho na Amazônia (foto de Mauro Rebelo)

Começo minha participação na roda com uma opinião que eu mesmo considero polêmica, mas minhas experiências recentes com educação me fazem ver a imagem da professora de ciências do colégio com um romantismo muito distante da realidade: livros didáticos ruins, escolas mal equipadas, professores despreparados. Estão formatando o HD de nossas crianças com um conhecimento pasteurizado que não favorece, ao contrário, abafa, a criatividade.
Vejam no VQEB!

07 julho, 2007

Ensino básico, criatividade, curiosidade

Quem não se lembra de alguma professora que estimulou ou acachapou alguma idéia, alguma pergunta? De uma forma ou de outra, a escola é bastante responsável por desenvolver a curiosidade e a criatividade.

O que se pode fazer para contribuir? É nisso que penso, na condição de divulgadora de ciência. Estou, como de costume, curiosa para saber das diversas perspectivas que surgem neste blogue.

(A foto eu peguei aqui)


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

06 julho, 2007

03 julho, 2007

polêmica nas universidades

Talvez o César possa nos explicar melhor essa diferença entre política como ciência de política corriqueira (politicagem), ou o risco que se tem quando empreende numa aventura como desse tipo.

Antes de mais nada, vale a pena relembrar as greves das universidades federais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso que eram duradouras e de poucos resultados práticos para as universidades, mas sempre promoveram uma ameaça ao ensino público, a sua gratuidade, a sobrevivência de seus docentes e de seus discentes, além dos funcionários, é claro.

O que vejo de perigoso na quebra da autonomia são exatamente as intenções sub-reptícias contidas neste tipo de decreto do Serra, é bom não esquecer que ele é do mesmo partido do FHC que tinha como foco a privatização das universidades públicas.

Movimentos sempre significaram resistência. Mas não significam necessariamente “desobediência civil” como no texto Cicero Araujo e Álvaro de Vita (ambos da USP).

Mais no blog Freud Explica

21 junho, 2007

invadir é a regra?

viagene volta num post-relâmpago para uma nota sobre a atual crise nas universidades paulistas, onde manifestações diferentes com motivações diferentes têm criado um certo caos de comunicação e alimentam polêmicas sobre a legitimidade de invasões, greves, notas de repúdio, etc... fica-se com a impressão de que DIÁLOGO é coisa ultrapassada - avançado mesmo é INVADIR! Leia mais aqui.

16 junho, 2007

A verdeira crise nas universidades

Talvez o tema do mês tenha outro enfoque, mas eu acho que esse meu post ajuda talvez compreender um pouco melhor o que eu chamo da verdadeira crise nas universidades.
Leiam sobre a pseudociência aparecendo bem perto de nós.

03 junho, 2007

A rebelião das universidades

Maio viu as universidades paulistas virarem de pernas para o ar. A USP lidera, com sua reitoria ocupada por estudantes e professores e funcionários em greve. Unicamp e Unesp também aderiram - mesmo que parcialmente - aos protestos.

A imprensa traz opiniões diversas, mas para quem está de fora é difícil entender quais são as condições reais, quais são as exigências, qual é o cunho político das discussões. Muitos assumem posições por simpatia, sem ter acesso a informação suficiente.

Este mês poderemos então discutir opiniões - sejam elas políticas ou o que for - e trocar informações. Alguns dos participantes e dos visitantes esporádicos desta roda estão dentro da universidade e podem trazer uma contribuição importante contando o que vivem e sabem. Espero ao fim de junho me sentir em condições de ter uma opinião mais informada.


Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Esta roda de ciência está aberta a quem queira participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

29 maio, 2007

Daiane dos Santos e Neguinho da Beija-Flor são europeus


A BBC Brasil encomendou ao geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, o perfil genético de nove negros famosos. Os resultados integram o especial Raízes afro-brasileiras. Vale a pena conferir o site, que aos poucos divulga os resultados - ontem foi a Daiane dos Santos, hoje Neguinho da Beija-Flor - além de vários textos relevantes a esta discussão. Tem até um fórum para discutir se faz sentido falar em raça no Brasil. Ainda não tive tempo de olhar os comentários, mas há pouquinho tinha mais de cem.

28 maio, 2007

Algumas considerações sobre raças e afins

Há muito tempo atrás, eu entrei numa discussão super-interessante por email com a querida Ana, sobre raças. Na época, sabia que ela estava com um livro pronto para ser lançado, mas eu não sabia sobre o que se tratava - e ela insistia em querer entender o conceito biológico de raças, espécies, etc. e eu, avoada como sou, não liguei aquele papo sequer ao tópico de seu livro. Continuei enviando links e mais links de sites que tratam de biologia, discussões intermináveis, que foram muito férteis, pelo menos para mim, sobre o conceito biológico de raça, população e até de espécie. Os emails depois de um tempo cessaram, por um motivo claro: ela se ocupou com o presente máximo à literatura brasileira, um dos maiores tratados sobre a escravidão e o racismo no Brasil, o livro "Um defeito de cor"; e eu percebi então o quanto aquela discussão internética poderia realmente ter se estendido - eu estava conversando com uma expert cultural no assunto e não me toquei. Shame on me.


(Continue lendo aqui.)

12 maio, 2007

O Cérebro de todos

Nada mais propício do que se socorrer com uma matéria sobre um anatomista do séc. XIX, que, ao estudar cérebros humanos, ultrapassou barreiras impostas pelo gênero e pela cor da pele...leia mais aqui.
Os comentários, por favor, devem ser deixados neste blog também, ok? Boa leitura!

05 maio, 2007

O que são raças?

As pessoas costumam ter opiniões fortes sobre raças humanas. Ao ler sobre o assunto e vê-lo discutido, porém, me chama a atenção a falta de clareza sobre conceitos. Acho que é um daqueles tópicos em que duas pessoas podem se matar ou odiar-se para sempre sem saber que no fundo concordam. Que o problema é em parte semântico. Por isso, antes de começar qualquer reflexão, vou tentar pôr as cartas na mesa.

Leia mais no ciência e idéias.

Raças humanas ou Raça Humana?

Mais uma votação apertada que tive que desempatar. O tema para discussão durante este mês de maio será: Existem raças na espécie humana?

Acho que dispensa maiores explicações. Vamos lá.

Sugestões de temas de discussão são bem-vindíssimas! Se puserem nos comentários desta postagem, anotarei para o mês que vem.

Não me canso de repetir, esta roda de ciência está aberta a quem quiser participar. Se você é um visitante esporádico, ajude a nos iluminar com seu conhecimento ou opinião. Se quiser publicar um texto como parte da discussão, basta mandar uma mensagem para mariamsguimaraes arroba yahoo ponto com ponto br

02 maio, 2007

AQUECIMENTO GLOBAL E PSICANÁLISE – UMA APROXIMAÇÃO

Por Rogério Silva

Durante estes dois meses eu vivi uma grande angústia diante da perspectiva de tratar a questão do aquecimento global sob o ponto de vista da psicanálise, para contribuir com o tema do mês passado do blogue Roda de Ciência.

De certa forma senti também uma paralisia, como denunciou Maria Guimarães na sua última postagem e concordo quando ela fala de uma paralisia que impede que cada um incorpore ao seu modo de vida a consciência de que nós (eu, você e os outros) contribuímos para a devastação do mundo e agora temos que ir atrás de remediar o malfeito.

Muitas coisas já foram ditas em outras postagens, mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto. Os cientistas da Física, da Química, da Biologia dentre outras ciências, tratam a questão do aquecimento global de dentro do fenômeno, de suas causas e de seus efeitos, enquanto nossos instrumentos ficam mais distantes.

Embora Freud não tenha nenhum escrito relacionado diretamente com o meio ambiente, ele não deixou de falar sobre algumas questões que são hoje de grande relevância. Em “O mal-estar na civilização” (1930ª [1929]), ele aponta como sendo três os grandes males que nos aflige: a ação da natureza sob a qual pouco podemos fazer; os males do corpo, que hoje em dia as ciências já conseguem algum domínio, aumentando a longevidade e a qualidade de vida e a ação do homem sobre a humanidade em suas relações políticas, religiosas e inter-pessoais e sobre o meio ambiente.

Leia mais aqui