08 janeiro, 2007

"Não entendi nada, deve ser importante"

A comunicação cifrada tem o péssimo hábito de parecer mais valiosa aos olhos de quem não a entende. E vira bola de neve, uma certa impressão de que texto bom é texto difícil, então vamos lá dar uma complicadinha pra não parecer banal. Por aí vai.

Leia mais no Ciência e idéias.

36 comentários:

João Alexandrino disse...

O gerador pós-modernista é uma redução ao absurdo do que eu chamei num comentário anterior de reverberar conhecimento. Citando e recitando, informação que ecoa como raios laser que se cruzam para produzir belos padrões que nada significam.

Osame Kinouchi disse...

Pessoal de ciencias: todos nós usamos jargões em nossos textos para revistas especializadas, e isso é inevitavel: o jargao compactifica, economiza, transmite melhor pois os conceitos sâo bem definidos (podem ser encontrados em um dicionario).

Entao fica a pergunta: se vc pega um texto "pos-moderno", com sua aparente ambiguidade, isto se deve a que:
1) Somos ignorantes do particular jargao conceitual da área?
2) Nesses textos, as multiplas referencias, niveis de leitura e mesmo ambiguidades sao propositais e valorizadas em si?
3) As frases sao tao compridas, e tão cheias de sentenças intercaladas atenuantes e condicionais, que superam nossa janela de leitura, ou seja, o tamanho de uma frase que pode ser guardada na nossa memória de trabalho.

Estou tentado a achar que todos os fatores sao importantes, mas o fator tres pode ser essencial. Imaginem que, por arduo treinamento ao longo de anos de leituras, o pessoal de humanidades desenvolve seus lobos frontais de modo a ter maior memoria de trabalho dedicada a linguagem (algo plausivel, imagino que o mesmo deve acontecer com a memoria de trabalho dos físicos e matematicos - por outro lado não sei que pedaço do cortex os biologos e físicos experimentais desenvolvem com seu treinamento... seria a área motora dedicada às mãos?

Ou seja, calma lá com o andor. Eles podem estar certos. Muitos de meus amigos de Humanidades se queixam de que sua área está cheia de picaretas (e se quixavasm disso muito antes de Sokal).

Logo, dado que eles sabem identificar os picaretas, basta explicitar isso. Para o Rogerio Silva: que critérios voce usaria para distinguir entre um bom psicanalista e um picareta charlatão? Lembro que o escritor Henry Miller, ao lhe faltar dinheiro, se dedicou a dar consultas psicanaliticas durante um periodo de sua vida, mas aceitando que ele sabia muito de sexo, duvido que soubesse muito de Freud.

Sei que os criterios existem: por exemplo, conhecimento bibliografico, preparacao em um bom instituto psicanalitico etc. Mas seria possivel fazer a distinção apenas pela linguagem usada? Como distinguir um texto confuso e ambiguo de um texto profundo (e ambiguo)?

Osame Kinouchi disse...

Comentando a ultima frase: a ambiguidade é sem duvida importante em Poesia e Literatura, mas deveria ser um valor positivo em ciencias ou divulgacao cientifica? Por que sim, ou por que não? Normalmente se diz que uma afirmativa ambigua é fugir do jogo, pois se confrontado com paradoxos internos ou evidencia empirica contraria, vc poderia simplesmente dizer: "Ah, mas vc nao entendeu oque eu queria dizer...". É essa atitude irritante, que cheira a desonestidade intelectual, que chateia os cientistas... mas certamente não os politicos ou certos filosofos franceses...

Maria Guimarães disse...

Acho que a diferença importante a se destacar aí é com quem o escritor quer se comunicar. entre pares, vai ver eles se entendem. mas se é para ser mais amplo...

me lembrei, lendo teu texto, de uns resumos de artigos de ciências sociais que eu traduzia uma época. muitas vezes eu simplesmente não conseguia entender nada, embora não tivesse jargões aparentes. perguntava pra outras pessoas, inclusive minha mãe que é profissional das letras (editora), e nada de entender. ficava sempre curiosa para saber se os pares entendiam aquilo.

Krishnamurti disse...
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Krishnamurti disse...

Engraçado, matemáticos (e até os físicos decentes) não usam jargões, por exemplo, se falam de um anel (isso é matemática básica)estão falando de uma estrutura matemática bem definida que possui propriedades específicas e que precisava ser batizada com algum nome, qualquer um, e olhem que os matemáticos escolhem nomes bem simples, mesmo os nomes compostos derivados do grego. Então ou você sabe o que é um anel previamente ou vai ter que estudar um pouquinho de matemática antes para não ficar perdido.
Já as sentenças longas, em matemática pelo menos, sempre querem dizer algo, o que não é bem verdade em outros ramos do saber.
O grande diferença é que os matemáticos usam nomes simples para designar idéias não tão simples e até mesmo bem complexas, enquanto outros ramos do saber, talvez para valorizarem seus peixes, usam nomes complicadíssimos para designar idéias bem simples e que poderiam sem explicadas com uma breve frase.
No mais, as idéias matemáticas são bem sólidas e duráveis, para não dizer eternas, enquanto as idéias em humanidades são mais voláteis que gasolina de Fórmula 1.
Há ainda o problema dos sabichões que usam nomes difíceis (e até mesmo simples), sentenças longas e idéias aparentemente complicadas quando não sabem efetivamente do que falam, para com isso deixarem nos desavisados a impressão de que são os tais.
Um exemplo clássico disso em física é o pessoal que fala de topologia com a boca cheia sem nunca tem nem lido sua definição matemática precisa nem muito menos ter estudado seus vários teoremas e aplicações, mas que deixam impressão de sabedoria só pelo uso de um nome pomposo (que por sinal, tem acepção literal bem simples ).

Em suma, tem muito enrolão por aí se aproveitando da ignorância das pessoas, mas no final das contas estes é que se dão bem, pois não há o que entender no dizem, já que não dizem nada, e entre entender algo e não entender nada a segunda opção é menos trabalhosa.

Osame Kinouchi disse...

Ok, mas "anel" e "lei de potência", ou mesmo "trabalho" e "energia", embora termos simples, continuam sendo jargões, ou seja,
da wikipedia:
Jargão é uma expressão ou palavra comum para um ou alguns grupos profissionais. Por exemplo, para os advogados "peticionar" significa o que os leigos conhecem por "entrar com a ação" ou "pedir para o juiz".

Kynismós! disse...
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Kynismós! disse...
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Kynismós! disse...

Deixe-me fazer entender: (do Houaiss) Jargão: substantivo masculino
1 linguagem viciada, disparatada, que revela conhecimento imperfeito de uma língua
2 Derivação: por extensão de sentido.
linguagem resultante de alterações de estrutura, não raro pela interferência de mais de um idioma
3 Rubrica: sociolingüística.
código lingüístico próprio de um grupo sociocultural ou profissional com vocabulário especial, difícil de compreender ou incompreensível para os não-iniciados; gíria
Obs.: cf. gíria
4 Rubrica: sociolingüística.
linguajar destinado a não ser entendido senão por um grupo, em especial o que adota determinadas convenções
Ex.: a língua do pê é j. lúdico entre as crianças
5 discurso obscuro, hermético
Ex.: j. dadá
6 linguagem alterada por perturbações patológicas de natureza afásica
7 linguagem corrompida, estropiada, deformada, feita de elementos díspares
8 Derivação: por extensão de sentido.
qualquer linguagem (em especial, língua estrangeira) incompreensível
9 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: sociolingüística.
linguagem deliberadamente artificializada empregada pelos membros de um grupo desejosos de não serem entendidos pelos não-iniciados ou, simplesmente, de diferenciarem-se das demais pessoas



Como se pode ver, jargão possui duas acepções bem distintas, uma pejorativa e outra nem tanto, que têm origens nas intenções de como as palavras são usadas, a não pejorativa é de uso inevitável mesmo quando se escreve para o leigo (mas nem por isso pode-se deixar de exemplificar em poucas linhas o que seja um anel, uma lei de potência, etc.), já a pejorativa é usada com segundas intenções, e claro que ninguém vai querer exemplificar o que não quer que seja entendido, e que talvez nem mesmo tenha algum significado.

Osame Kinouchi disse...

Ok, nao da para superar o Houaiss.
Eu usei na acepcao 3), mas parece que a acepacao pejorativa é bem mais usada atualmente. Como dizem as minhas meninas, o problema é que eu sou "da década"...

Osame Kinouchi disse...

Silvia, notei que meu nome nao esta na lista de colaboradores do Sidebar... Vc poderia dar um jeito nisso?

Maria Guimarães disse...

osame (vale para outros integrantes da roda), você recebeu minha mensagem de e-mail pedindo a todos que se recadastrassem para o blogger novo?

Osame Kinouchi disse...

Maria, eu ja havia mudado faz tempo para a versao beta do blogger. Entao, parece que vcs precisam fazer um novo convite para mim, para me adicionar no team...

Rogerio Silva disse...

Querido Osame
Espero não estar exagerando em chamá-lo de querido pois nossas diferenças nos aproximam (no afetivo) enquanto nos distanciam (nas idéias). Não vejo problema nisso, pois a ciência é feita de idéias e não de afetos. Sempre que vc me cita sinto-me próximo afetivamente e distante(?) no campo das idéias. Que bom, nos encontramos!...
Bem eu tentei, mas como não consegui, vou tentar como "outro".
Já passei para Maria um texto de Freud , escrito justamente para dirimir a questão do charlatanismo na psicanálise. Se vc quiser lhe mando uma cópia desta versão eletrônica que acho que vale a pena conferir. Quanto ao Henry Miller, ou Anis Nin, Erica jong ou qualquer escritor que escreva eróticamente, eu os prefiro escritores. Para mim basta. Eu mesmo tenho alguns textos eróticos, mas não os considero psicanalíticos. Não dá para fazer análise num motel.
Na clínica encontramos problemas de algumas ordens como: ficar velha aos dezoito anos para ser modelo, "ficar" com muitos rapazes numa única noite, dirigir bêbado e se achar fogão ou outras questões mais complicadas como: como é o meu corpo (mesmo sendo aparentemente linda)? Que faço com minha sexualidade (homo, hetero ou ?)
Nós temos que nos haver com isso, mas como falar de efeito estufa na clinica? Como falar do aquecimento global, etc...?
Nós ficamos com o efeito do efeito. A fenomenologia que nos interessa é a de Hurssel.
Mas vamos em frente. Eu estou aprendendo muito na Roda de Ciencia. Espero estar contribuindo.
Um outro assunto, tentei me adequar ao novo blogger, mas fiquei perdido, não sei nem se conseguirei postar esse comentário.

Osame Kinouchi disse...

Oi Rogerio,
Cuidado que as vezes eu me meto em mal entendidos, especialmente via e-mails e blogs, onde o tom emocional e a piscadela ironica nao sao possiveis: quando te cito, é com o maior respeito, pois, afinal, sou fa de Freud (tenho um artigo, unpublished - snif - onde falo que a teoria original de Freud sobre sonhos, embora incompleta, é totalmente compativel com o que se sabe hoje sobre o assunto (uma opiniao compartilhada com Sidarta Ribeiro).
Ou seja, acho que, fora voce, eu sou o único fã inconteste do Dr. Freud aqui neste blog (e olha que já passei por uma fase Junguiana...
Ah sim, posso te mandar o artigo sobre sonhos se vc quiser, a versao que esta no ArXiv esta desatualizada.

João Alexandrino disse...

Terá sido sonho meu, Osame, ou li um comentário teu muito semelhante, há algum tempo atrás? Dejà lu? Enfim, sonho com certeza, que só o Rogério Silva poderia eventualmente explicar. Ab.

João Alexandrino disse...

Tentando quebrar uma certa unanimidade no que foi escrito aqui, talvez a simplicidade da linguagem seja apenas um pequeno problema no mar de problemas mais profundos que envolvem a ineficácia da "comunicação" na sociedade. Tentei aflorar isso no meu texto e é curioso que ninguém tenha comentado. Falha minha, com certeza, da mesma maneira que argumentamos que é nossa a falha ao comunicar ciência. Mas será mesmo[?] ou, excetuando os exageros pós-modernos e outras afectações de sociedade, esse "mea culpa" encobre apenas uma enorme falta de interesse e curiosidade gerais na aprendizagem de tudo o que não nos interessa ou envolve. Atualmente, se um indivíduo se interessa e é curioso, não existem grandes impedimentos a que ele cultive esse interesse e curiosidade, a não ser ele próprio. Isso poderia ser compensado, com certeza, com a produção de textos belos e cativantes que desentorpecessem as mentes receptoras, mas quantos de NÓS se deixam realmente contagiar por textos belos e cativantes, já para não falar em ideias e ideiais? Algo mais profundo impede a comunicação, o interesse e a curiosidade gerais. Penso que a importância dos media é muito sobrevalorizada, neste contexto. "O escritor escreve para um leitor" e tem que estabelecer um contato racional e emocional, menos pelo texto acessível que pelos seus significados empáticos e relevantes.
...Outra grande questão é que a EDUCAÇÃO seria um processo pelo qual o HOMEM tenta elevar-se acima da sua herança biológica, para lá das necessidades de sobrevivência e reprodução, processo doloroso e contra-natura! Atributos desse homem "educado" são ainda raros na nossa sociedade (eu, certamente não os possuo!), embora tenhamos percorrido já um longo caminho. Não me vou alongar mais, mas vou deixar aqui uma outra ideia: é que talvez a ciência, como corpo ainda heterogéneo de consciência humana, não tenha sido ainda capaz de produzir "significados últimos" para a existência humana, algo que é claramente inerente à religião. Não sou religioso, a não ser numa certa acepção monástica do termo para significar um processo pelo qual um indivíduo (ou grupo) se retira do convívio social para ter uma experiência "religiosa", reflexiva, metafísica. Apenas reconheço que existe um maior interesse pelo futuro post-mortem do indivíduo (ou da sua memória) do que pelo futuro da humanidade para lá da morte individual.
... Vejo três caminhos: a) o que percorremos atualmente, de transição talvez, que gera a insatisfação latente na sociedade pós geração de 60; b) produção de "significados últimos" pela coexistência pacífica de ciência e da metafísica, atendendo às necessidades da natureza humana; c) afastamento do Homem da sua herança biológica, através da sua evolução tecno-científica, o que eu chamaria de libertação do Homem do seu passado para ser aprisionado pelo seu futuro. Ficção científica? Talvez, mas o presente humano e o futuro pós-humano já foram escritos várias vezes. Por alguma razão será!
PS- espero que detestem estes longos comentários tanto quanto eu! Mas acreditem que pulei muita argumentação...escreverei algo longo, um dia. Ou talvez não e isto tenha sido apenas um exercício de "mind-stirring".

Maria Guimarães disse...

é bem verdade que há informação disponível pra quem for procurar. mas se eu fosse pesquisar sobre tudo o que me interessa, não haveriam dias no ano e horas no dia que me bastassem.
além disso, é lindo descobrir novos interesses como resultado de comunicação bem-sucedida. eu, por exemplo, até ir à unicamp conversar com o douglas galvão e o daniel ugarte, nem desconfiava que nanofios pudessem ter qualquer interesse.

Osame Kinouchi disse...

Joao disse e eu nao resisto comentar:
"Outra grande questão é que a EDUCAÇÃO seria um processo pelo qual o HOMEM tenta elevar-se acima da sua herança biológica, para lá das necessidades de sobrevivência e reprodução, processo doloroso e contra-natura!"
Joao, no caso das MULHERES, como fica isso?

Silvia Cléa disse...

Quem não resiste sou eu! De todas as 'provocações' que o João fez acima, certamente esta que vc aponta, Osame, foi a única que me passou despercebida...
Devo dizer que me encontro atônita!
Custo a crer que vc tenha feito tal leitura...mais ainda: que tenha se importado sobremaneira com tal detalhe...(fico a imaginar se vc estivesse em Harvard, qdo da preleção de Lawrence Summers!)
Há uma certa transferência no caso em questão? Ao invés de jogar a questão ao João, que, ao meu ver, não disse nada sobre isso, diga vc o que quer ( e dá-lhe laudas!...)
[]s,

Kynismós! disse...

Viajou legal...

João Alexandrino disse...

Osame, por isso usei HOMEM em vez de homem. Homem e mulher são indissociáveis na luta pela sobrevivência e reprodução, e ambos têm de ser libertados, ou então...quem sabe a alternativa esteja nos insetos sociais!

Osame Kinouchi disse...

Joao, minha interpretacao eh que usar homem em vez de humanos eh vicio de biologo primata (fala-se dos leoes, dos macacos, dos elefantes etc, sem referencia às femeas). Mas, dado que na maior parte das especies, sao as femeas que sao essenciais e dominantes - mesmo na sociedade dos leoes e dos elefantes, ok, nao dos primatas), nao deveriamos usar termos neutros ou mesmo femininos?
Eu tenho filhas... Gostaria que elas vivessem em um mundo menos machista, nem que seja verbalmente menos machista. Afinal, com o politicamente correto o racismo nao sumiu, mas as expressoes verbais racistas sim, e isto já eh um avanço...
Quanto à provocacao da Sil (que entendi como "poxa, eu pensei que voce estivesse acima dessas coisas", vou ter que pensar para responder melhor...

Osame Kinouchi disse...

Agora, isso poderia ser ate tema de discussao mensal: a linguagem jornalistica tende hoje a ser politicamente correta, e desta forma, a linguagem de divulgacao cientifica tambem. Acho que a Maria listou entre temas possiveis o tal patrulhismo ideologico na divulgacao cientifica. Entao, o politicamente correto estaria dentro dessa discussao mais ampla de patrulhismo ideologico. Que tal discutir isso em março? Pelo que me consta, a discussao de fevereiro eh sobre religiao e ciencia, não?

Maria Guimarães disse...

eu, pessoalmente, acho esse patrulhismo gramático meio perda de tempo. esse papo de ter que dizer "todos os brasileiros e brasileiras", quando está nas leis gramaticais que a forma masculina abrange o todo. machista? vai ver é, mas não é isso que diminui meu valor nem minha potencial influência na sociedade.
quanto aos temas de discussão - é, o de fevereiro está votado. e mês que vem fazemos a eleição do mês de março.

João Alexandrino disse...

Osame, já que você saiu do mundo primata, tem alguma razão especial para você ter desconsiderado um monte de bicharada cujos nomes são femininos: as panteras, as hienas, as girafas, as zebras, as alpacas, etc?

Osame Kinouchi disse...

Ok, ok, dou o braço a torcer: os biologos nao sao mais machistas que os outros cientistas (inclusive as mulheres cientistas).
curiosidade e pergunta lateral para os biólogos do blog: Em outras linguas (por exemplo, ingles), os nomes dos animais sao neutros? Usa-se sempre o it em vez de he or she (imagino que se usa he/she para pets). E no caso da nomemclatura propriamente biologica, em latim. Imagino que neste caso temos nomes masculinos e femininos. O que motiva ou influencia na escolha de um nome masculino ou feminino para os animais. Se sao elegantes como gazelas, sao femininas, e se sao de aspecto agressivo, como rinocerontes, escolhe-se nomes masculinos? Será que identificamos certas classes de animais com as mulheres, e outra classe com os homens, num pansexualismo zoologico? Focas e raposas seriam "femininas" mas leões marinhos e lobos seriam "masculinos"???

Maria Guimarães disse...

seria meio ridículo dizer "uma leão" ou "um zebra". tem meio a ver com a personalidade das palavras. em inglês bichos (e as profissões, e tantas outras coisas) são neutros, mas é limitação da língua. em francês, por ter origem latina, as coisas se dão como em português.
e continuo achando este papo pura perda de tempo, não sei por que me deixo embarcar nele. será que os machos da foca se sentem inferiorizados? será que o kynismós (exemplo aleatório, não posso escolher o osame porque é feminista) se sente ofendido quando dizem que ele é "uma pessoa"?
ah, tenha dó!

Maria Guimarães disse...

traduzindo sobre astrofísica, me ocorreu: como será que os anglófonos fazem poesia, com o sol e a lua assexuados?

via gene disse...

comentário de quem está sem tempo para fazer um comentário decente:

minha filha diz que seu sobrenome é: Checchia (correto); e que o pai e o irmão são ChecchiOs! Muito engraçadinho para alguém de 3 anos, mas ver maiores de 30 (será?) nessa discussão de gêneros foi curioso! Opinião XX: acho que o "politicamente correto" não precisa chegar a esse ponto, aliás, "politicamente correto" para mim é praticamente uma "caixa-preta"...
abraços,
ana

Maria Guimarães disse...

ufa, obrigada ana!

Osame Kinouchi disse...

Ok, Maria e Ana. Daqui para frente chamarei voces de doutor Guimaraes e Doutor Lessinger, vamos ver se vcs gostam... risos

Maria Guimarães disse...

ei, doutor tem feminino! e eu saí da academia em parte porque sou avessa a títulos, então não vem que não tem.

Osame Kinouchi disse...

Maria, a discussao nao é irrelevante. A linguagem politicamente correta, na medida que é adotada pelos manuais de redacao e pelos editores, implicara em uma edicao do que voce escrever nos seus artigos e reportagens. Ou não? Voce pode ser politicamente incorreta em seus artigos para a Pesquisa FAPESP???

Maria Guimarães disse...

o que vão me impedir de escrever eu ignoro até onde puder. o que me interessa é que a meu ver o político-corretismo nubla a visão do humano. ao deixar de poder reparar na diversidade humana, ou ter que se preocupar com formas verbais, a gente deixa de aceitar essa diversidade e olhar para o outro de fato.