17 agosto, 2008

Desenvolvimento sustentável: controle populacional…!

O tema desse mês para o Roda é “Desenvolvimento sustentável: é realmente possível?“, que é um “tema pegadinha”, uma vez que é necessário se abordar, nessa discussão, temas como fontes alternativas de energia, crise de alimentos, mudanças climáticas, etc…

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27 comentários:

Silvia Cléa disse...

Oi, Dani!

M-a-r-a-v-i-l-h-a! No more comments!!! ;o)))

Osame Kinouchi disse...

Vou olhar os videos. En passant, acho que a Terra irradia mais energia do que recebe, pois o aquecimento interno, dinâmica de placas tectônicas etc, é basicamente fruto de decomposição radiativa.
Como disse no mue post, a questão da eficiencia energética (menor produção de entropia) e dinâmica de população são essenciais. Mas sou otimista com relação a questão da população: a taxa de crescimento está caindo mais rápido do que qualquer um previa, e o perigo, dentro de 100 anos, será o crescimento negativo, o que significa um número cada vez menor de jovens...

Daniel Doro Ferrante disse...

Osame,

Se a Terra irradiasse mais do que recebe, ela estaria naturalmente se resfriando… e, ateh aonde eu sei, isso nao estah acontecendo — alias, a radiacao natural provida do centro da Terra eh necessaria pra manter a temperatura que observamos.

Quanto aa taxa de crescimento… mesmo que ela caia vertiginosamente, desde que ela se mantenha positiva (ou ateh mesmo nula!), a coisa nao vai bem. Eh preciso que a taxa seja negativa pra que exista esperanca de que as fontes energeticas que nohs conhecemos possam "aguentar o tranco".

[]'s.

Osame Kinouchi disse...

Daniel, embora este pequeno detalhe seja irrelevante para nossa discussão, precisamos observar que:
1. Nem toda energia que é recebida do sol é reemitida de volta (pois pode se acumular em material organico via fotossintese). Em todo caso, acho que a maior parte é reemitida sim, como você disse, apenas com comprimento de onda maior e num maior número de fótons, ambos os fenômenos implicando em aumento de entropia.
2. O consumo das reservas de energia não renováveis (carvão, petróleo, combustivel nuclear) contribuem para a emissão infravermelha, portanto, existe uma pequena contribuição humana (que não sei estimar mas imagino que também seja pequena).
3. A energia liberada nas placas tectonicas, terremotos, vulcões, geotermais etc não são de origem solar, mas sim devido a decaimento radiativo no interior da Terra (e um pouco de energia gravitacional). Me parece que essa energia é a maior componente, depois da simples reeemissão da luz solar.
4. A temperatura da superficie da Terra, basicamente se deve ao efeito estufa, principalmente do vapor de água (sem esse efeito estariamos congelando).
5. A temperatura do interior da Terra está (lentamente) diminuindo, seguindo a meia vida média dos materiais radiotaivos. A dinâmica de placas tectônicas deverá ser paralizada em menos de 1 bilhão de anos, com graves consequencias para a vida na Terra, mesmo que o Sol ainda dure 5 bilhoes de anos.
Referencia: Rare Earth

http://www.amazon.com/Rare-Earth-Complex-Uncommon-Universe/dp/0387987010

João Carlos disse...

(Engolindo a isca e comentando o fator escala) ... e é um pouquinho mais complicado, né?... O exemplo da Câmara de Vereadores que você deu é, digamos, um "exemplo bidimensional" para uma "n-variedade".

Em outras palavras, não é só o crescimento da população em números absolutos:

- o consumo "per capita" de energia dos países do BRIC está aumentando muito mais do que o dos "países desenvolvidos".

- ocorre que os países do BRIC têm populações enormes...

- existem vários "ralos" por onde "escorre" muita energia (eu sempre me lembro das luzes de Las Vegas... mas existem outros fatores, tais como o que se perde na produção de alimentos por falta de vias de comunicação - ou má manutenção das existentes - como no Brasil).

- também existe uma enorme "demanda reprimida" nos países de "terceiro mundo".

- etc...

Em suma: Malthus estava certo, afinal!...

Daniel Doro Ferrante disse...

Joao,

Exato: A coisa eh muito pior do que se pode imaginar superficialmente!

Eu ainda me lembro dos tempos em que o Brasil perdia, no translado de alimentos, a quantidade que a Europa consumia por ano — i.e., a gente jogava fora o suficiente pra alimentar a Europa toda!

A questao do balanco entre eficiencia e escala eh extremamente delicada… eh uma dessas caixas de Pandora… mas sem "esperanca" nenhuma! :-(

[]'s.

Daniel Doro Ferrante disse...

Osame,

Eu nao sei se entendi direito seu comentario acima… mas, de qualquer forma, acho que nao estamos em desacordo.

[]'s.

Osame Kinouchi disse...

Na década de 70 eu li um livro chamado "O princípio do fim", uma FC "ecológica realista". É interessante ler este livro nos dias de hoje, pois nada do que ela descrevia acabou acontecendo. O livro queria ser realista mas na verdade se mostrou extremamente pessimista.
É preciso que tomemos cuidado para não confundir realismo (avaliação ponderada da situação) com pessimismo (falta crônica de serotonina ubiqua entre intelectuais).
Esse cuidado precisa ser tomado porque a avaliação pessimista, em vez de enganjar as pessoas, na verdade acaba matando a vontade de agir. Caimos no fatalismo, no "não tem jeito mesmo", no "o Brasil é assim mesmo", e atitudes similares. Não vemos que a melhora incremental pode atingir um ponto de bifurcação (análogo a uma transição de fase em um ponto crítico), de modo que a "fase" social e a mentalidade coletiva muda revolucionariamente (embora os incrementos e os resultados, a princípio, parecessem pequenos). Bom, pelo menos os modelos de Sociophysics mostram isso...
Assim, tentando fazer aqui o advogado do diabo, tentarei mostrar alguns dados de que o crescimento populacional é autocontido, e já está em um processo acelerado de freamento: Noticia da Folha de hoje:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u435277.shtml
Número de americanas sem filhos duplicou em 30 anos, diz "NY Times"

O número de mulheres que escolheram não ter filhos duplicou nos últimos 30 anos, conforme levantamento feito com base no censo do governo dos Estados Unidos divulgado ontem pelo jornal "The New York Times".

Conforme a reportagem, 30 anos atrás, 10% das mulheres com idades entre 40 e 44 anos não tinham filhos e, em 2006, eram 20%.

Na mesma faixa etária, também diminuiu a média de filhos por mulher. Em 1976, havia 3,1 filhos por mulher com 40 a 44 anos e, atualmente, são 1,9. [OBS: para que a população se mantenha constante, essa taxa precisa ser de 2.1].

"Muitas mulheres não estão tendo filhos", disse ao jornal a pesquisadora Jane Lawler Dye. "Costumava ser esperado que, em uma fase da vida, você tivesse filhos, e muitas mulheres não estão tendo filhos agora."

Conforme o estudo conduzido por Dye, mulheres mais estudadas têm menos probabilidade de ter filhos. "Das mulheres de 40 a 44 anos com formação acadêmica ou profissional, 27% não têm filhos, enquanto 18% das mulheres que não continuaram estudando depois do ensino médio", afirma a reportagem.

Uma questão interessante é que a educação diminui o fitness biológico (número de filhos capazes de se reproduzir) dessas mulheres...

João Carlos disse...

Osame, todas as populações do Primeiro Mundo estão encolhendo (não encolhem mais rápido, por causa da imigração de terceiro-mundistas). E é uma conta até simples: está cada vez mais "caro" (tanto em termos financeiros, como em termos sociais) criar filhos.

Não há dúvida que o papel de "xerox" (mera "máquina de reprodução"...) das mulheres mudou e muito. Mas isso só é verdade para os lugares onde a "sobrevivência da espécie" não depende só do número de crias... É triste constatar que, nos "bolsões de pobreza", os humanos se comportam, neste particular, como ratos. E, como ratos, procuram se instalar onde há "fartura"...

As reações xenófobas do Primeiro Mundo são, mais ou menos, isso: eles encaram os imigrantes como "pragas" que sobrecarregam os serviços públicos.

O grande problema é que o desenvolvimento do Primeiro Mundo foi obtido de maneira predatória ao meio-ambiente e às expensas do Terceiro Mundo. Agora que alguns países de terceiro mundo estão seguindo o mesmo modelo "desenvolvimentista" do Primeiro Mundo, fica muito difícil convencer as populações que "têm que respeitar o meio-ambiente" e continuar pobres!

Notadamente quando os habitantes dos países mais ricos insistem em não abdicar de seu consumo suntuário...

Daniel Doro Ferrante disse...

Osame,

Eu não estou sendo fatalista, estou apenas sendo matematicamente claro — portanto, não é minha culpa se os dados têm cara feia.

O fato é: a menos que a população mundial passe a crescer negativamente, i.e., comece a diminuir de tamanho, não há o que se discutir — não é uma questão de "desaceleração" (crescimento com taxas menores), mas sim de que enquanto essas taxas de crescimento forem positivas, a coisa não vai bem.

Agora, quando vc diz que o crescimento é "autocontido", eu não discordo, no sentido de que, assim como tudo na Natureza, o desenvolvimento humano vai ser "regulado" duma maneira ou de outra (nas linhas de "dinâmica de populações"). A pergunta é: "Como é que isso vai acontecer?" Será que os países africanos vão ser empurrados para uma miséria sem fim, dizimando suas populações?, ou será que haverá alguma pandemia?, que tipo de "qualidade de vida" terão os seres humanos que serão afetados por essas mudanças?! Essa é a pergunta em questão aqui.

E, claro, o nosso objetivo é que essa qualidade de vida seja "estável", enquanto se tenta atacar e resolver essas questões.

Portanto, não é uma questão de "pessimismo" que leva a "fatalismo" que leva a "simplismos" e afins. Não, a coisa é séria e precisa ser encarada com tal seriedade, senão estamos sendo irresponsáveis. Ponto. Os números falam por si sós... e vc, claro, é livre pra massageá-los como bem quiser. Agora, não dá pra dizer que uma "desaceleração" vai resolver o problema, porque isso está matematicamente errado.

Fora isso tudo, essa sua última frase (que fecha seu comentário) é dura de engolir, não: Quer dizer que é o fato de que uma mulher tem educação formal que causa a diminuição do "fitness biológico" dela, é?! E eu que estava aqui achando que era o sistema educacional... fala sério! :-P

Daniel Doro Ferrante disse...

Só pra pegar uma caroninha rápida no comentário do João: O consumo energético per capita da Índia ou da imensa maioria dos países africanos é estupidamente menor do que o dos países ditos "desenvolvidos" — aliás, isso acontece de tal forma que, numericamente falando, muitos dos países "em desenvolvimento" poderiam aumentar suas populações significativamente até atingirem o consumo dos países desenvolvidos!

Portanto, querer culpar os países subdesenvolvidos é, em princípio, uma falácia lógica e numérica sem tamanhos — claro, cada caso deve ser avaliado individualmente e em mais detalhes; porém, de modo geral, não dá pra quererem botar uma "tampa" nos países em desenvolvimento, no intuito de limitar suas possibilidades de crescimento; é preciso alternativas bem diferentes.

[]'s.

João Carlos disse...

(Minha vez de pegar uma carona no comentário do Daniel)

O fato é: a menos que a população mundial passe a crescer negativamente, i.e., comece a diminuir de tamanho, não há o que se discutir — não é uma questão de "desaceleração" (crescimento com taxas menores), mas sim de que enquanto essas taxas de crescimento forem positivas, a coisa não vai bem.

Em termos econômico-financeiros: a "taxa de inflação" pode estar caindo, mas a inflação continua... E uma taxa de 1% sobre algo que já tinha partido de uma taxa anterior de 2%, não é uma diminuição em termos absolutos (juros compostos e essas chatices...)

Silvia Cléa disse...

Oi, Osame!

Deixa eu ver se entendi...

"Conforme o estudo conduzido por Dye, mulheres mais estudadas têm menos probabilidade de ter filhos. "Das mulheres de 40 a 44 anos com formação acadêmica ou profissional, 27% não têm filhos, enquanto 18% das mulheres que não continuaram estudando depois do ensino médio", afirma a reportagem."

Com este trecho acima vc quis dizer que, por exemplo, na China todas as mulheres são instruídas e portanto o fato de governo as coibir a ter um só filho vai ao encontro de suas expectativas?????

SiLvia

Osame Kinouchi disse...

Pessoal, alguém não está fazendo a conta direito.

Se uma mulher precisa criar 2.1 filhos para que a população fique estável (crescimento ZERO, não apenas desacelerado, pois ela tem que repor ela mesmo, o marido, e levar em conta a probabilidade de seus filhos morrerem antes da procriação ou serem inferteis), então se em uma população temos 1.8 filhos por casal, temos crescimento negativo, como quer o Daniel.
E isso está acontecendo no Brasil, que é um BRIC, não um pais do primeiro mundo.
Na China, mesmo se o governo liberalizar, duvido que volte à uma taxa maior que 2.1.
Já nos paises muçulmanos, africa, etc, não sei dizer, devido aos fatores culturais. Mas devemos lembrar que os fatores culturais podem mudar rápido, vide q queda de fertilidade da população nordestina brasileira.

Silvia, por fitness biologico entendo a definição da wikipedia. Mulheres inteligentes, justamente por serem inteligentes, podem avaliar racionalmente o risco e os custos de criar muitos filhos, além de terem melhor acesso a métodos anticoncepcionais. Assim, elas acabam apresentando menor fitness biologico. Acho que homens nerds também têm menor fitness biológico. Pessoas inteligentes são veículos que propagam memes, não genes... POr falar nisso, vamos fazer uma pesquisa? Qual é o numero médio de filhos aqui na Roda? (Se alguem ainda não tem filhos, diga apenas quantos pretende ter...). Eu aposto uma cerveja de que ficaremos abaixo de 1.8.

Isis Nóbile Diniz disse...

Osame, concordo com você. Aliás, para polemizar mais um pouco, certa vez li - não lembro onde - uma pesquisa com ratos. Afirmava que em populações com mais ratos por metro quadrado, havia mais ratos homosexuais. Na mesma quantidade vivendo em maior metragem, haviam menos homosexuais... Acredito que - de certa maneira - o mesmo é válido para a quantidade de filhos. As pessoas não querem mais ter muitos filhos pois, para criá-los, precisam diminuir o próprio conforto. Está ligado à sobrevivência. Por outro lado, não são os mais fortes que sobrevivem e procriam? Curiosidade: não tenho filhos, mas quero três - mesmo sabendo que o ideal para minhas condições, no máximo, seria um...

Daniel Doro Ferrante disse...

Osame: as continhas — apesar de nao serem o meu forte — nao sao complicadas. :-)

Quanto a filhos… complicado… mas, por enquanto, nao tenho nenhum (que eu saiba ;-). Mas, daih a falar do futuro e das minhas espectativas de procriacao…

Agora, soh pra ficar registrado: em primeira aproximacao, eu nao engulo muito bem essa estoria de que "inteligencia = grau-de-educacao-formal", que eh o que estah implicito nos seus comentarios acima. Quer dizer entao que um Peleh ou um Michael Jordan nao sao pessoas "inteligentes"?! Isso pra nao falar na pilha de "colegas academicos" que eu vejo por aih e que estao loOonge de poderem ser classificados como "remotamente inteligente"! :-P Entao, devagar com o andor [que o santo eh de isopor].

Isis: Ratos sao bixos mais complicados do que pode parecer aa primeira vista, o que torna a "antropomorfisacao" dos resultados algo um tanto nao-trivial. Por exemplo, as ratas tem a habilidade de controlar seus respectivos ciclos reprodutivos, de tal forma que se a populacao de ratos diminui, elas rapidamente comecam a ficar ferteis novamente, com o intuito de recompor a populacao.

Agora, dada a nossa atual capa cultural, eu nao sei se seria tao categorico ao dizer que sao os "mais fortes que sbrevivem e procriam" — ateh porque, eh preciso se definir o significado de "forte" bem cuidadosamente.

[]'s.

João Carlos disse...

Vamos por partes (disse Jack, o Estripador...)

Osame, no meu fraco entender, não se trata de "biologic fitness"; é uma questão de discernimento (que, é claro, é maior entre as pessoas com mais informação).

Isis, existe o que você mencionou e existe até o evento onde as ratas-mães cometem infanticídio de suas próprias crias. Mas essas condições são extremas. E concordo com Daniel: o termo mais correto seria "apto", não "forte" (quase sempre são equivalentes, mas existem muitas exceções específicas - vide o caso da anemia falciforme entre os humanos da Costa dos Escravos).

Não discuto que a natureza seja auto-regulatória. Mas acho (é "achismo", mesmo) que está havendo uma má interpretação dos dados estatísticos. Semelhante àquela do obstetra que observou que mulheres saudáveis com mais de 40 anos não tinham problemas em levar a bom termo suas gestações, e concluiu que "gravidez depois dos 40 'faz bem' "...

Carlos Hotta disse...

Fitness não é só, necessariamente, uma medida de número de descendentes mas também uma medida das chances que estes descendentes têm de sobreviver.

Além disso, fitness é um conceito que não tem sentido de ser aplicado em humanos modernos. Se for para forçar este cocneito na nossa sociedade, devemos analisar as condições sociais, e não apenas "biológicas", dos filhos de mulheres de alta escolaridade atingirem a maturidade comparada com os filhos de mulheres de baixa escolaridade.

Isis Nóbile Diniz disse...

Olhe aí mais um dado que acabou de ser publicado: "Vinte porcento das mulheres americanas entre 40 e 44 anos não têm filhos, o dobro de 30 anos atrás. (...) As estatísticas, no entanto, não explicam a causa que leva as mulheres a não ter filhos. Uma hipótese seria a opção pela carreira, mas outra seriam problemas de fertilidade por adiar o início da vida reprodutiva." Mais aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/08/080820_americanasfertilidade_ba.shtml

Isso lembrou outro detalhe com relação à taxa de natalidade... As mulheres no mercado de trabalho e em seu papel na sociedade de hoje. Recentemente, li uma matéria na Fapesp sobre comportamento. Antes, as mulheres que não casavam eram chamadas de "solteironas". Atualmente, são vistas como "independentes". Isso não significa que não queiram ter filhos... Mas, com certeza, afeta a taxa de natalidade. Veja aqui: http://xisxis.wordpress.com/2008/05/05/as-mulheres-nao-sao-mais-as-mesmas/

Em outra pesquisa: "Em cada dez, sete mulheres pesquisadoras científicas e seis homens acreditam que é muito difícil combinar a carreira com o cuidado aos filhos." Leia aqui: http://xisxis.wordpress.com/2008/06/13/135/ .

As mulheres, atualmente, precisam cuidar da casa, do marido, serem bonitas, inteligentes e ter uma carreira. Os homens podem discordar, mas hoje em dia passamos por essa pressão. Assim, onde entram os filhos? Sem contar que, por conta de tudo isso, estão adiando a gravidez. O que significa menos descendentes.

Tudo isso influencia. O assunto é muito complexo para ser visto por poucos lados. De qualquer maneira, acho completamente natural e saudável a queda do crescimento populacional - até acredito que há um dedo aí do nosso instinto e inconsciente que não são fáceis de perceber para quem está vivendo a situação. Seria mesmo insustentável continuar crescendo.

Charles Morphy disse...

Olá, amigos!

De forma alguma o termo "forte" pode ser utilizado quando falamos de seleção. E, diferentemente do que foi comentado acima, "apto" não é quase sempre equivalente à "forte". Essa percepção talvez tenha a ver com nossa predileção por mamíferos e programas da National Geographic...
O que seria o "mais forte"?
Existem milhares de casos na evolução de modificações que nada têm a ver com seleção do "mais forte": um exemplo óbvio é o surgimento de parasitismo obrigatório em vários grupos. A redução do tamanho de dinossauros avianos também pode ser citada.
Além disso, há três tipos de seleção natural (direcional, disruptiva e estabilizadora) que mostram que o que se mantém são as populações portadoras de atributos que permitem maior sobrevivência e reprodução diferencial.
Quanto ao fitness (que pode ser traduzido como valor adaptativo), ele tem sentido nas populações modernas, sim. As chances de sobrevivência na nossa população não são determinadas apenas por características biológicas herdáveis, mas também por atributos exclusivos da nossa cultura e sociedade, os quais também são herdáveis.
No entanto, seleção não explica tudo e o papel do acaso é fundamental.
Quanto a filhos... não tenho nenhum (só 3 gatos) e, se depender do meu desejo, vou continuar assim...

Osame Kinouchi disse...

A Silvia, o Carlos e O Hotta ainda não revelaram quantos filhos (esperados ou não). Mais um link para a fogueira: homens poligamicos vivem mais (e acho quecom certeza têm mais fitness, basta ver a foto...):
http://comciencias.blogspot.com/2008/08/ainda-para-discusso-do-ms-da-roda-da.html

Carlos Hotta disse...

É para o levantamento da blogosfera científica em português? :)

pretensão 2 X 0 concretizado

mas depois tem que normalizar pela idade do povo...

João Carlos disse...

Batendo por partes...

@ Isis:
Antes, as mulheres que não casavam eram chamadas de "solteironas". Atualmente, são vistas como "independentes". Isso não significa que não queiram ter filhos...

Ainda anteontem encontrei com uma prima que foi ter a primeira filha com 40 anos... o segundo está, hoje, com 9 anos. (ela se enquadra nessa de trabalhar fora, ser independente, etc...)

@ Charles:

E, diferentemente do que foi comentado acima, "apto" não é quase sempre equivalente à "forte". Essa percepção talvez tenha a ver com nossa predileção por mamíferos e programas da National Geographic...

Também depende do sentido que você atribuir a "forte"... Mesmo usando o National Geographic como fonte para um exemplo, o antílope mais rápido tem maior chance de sobreviver aos predadores (e tem que ser mais forte do que os demais na disputa de fêmeas...). Mas foi por isso mesmo que eu trouxe o exemplo da Anemia Falciforme. Nesse caso, os "anêmicos" são mais "aptos"...

Osame Kinouchi disse...

Talvez seja melhor usar os conceitos de inteligencias multiplas de Gardner: inteligencia social, esportiva, musical etc aumentam o fitness do individuo, mas inteligencia matematica não (vejam asérie The Big Bang Theory, please!)
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Big_Bang_Theory_(TV_series)

Silvia Cléa disse...

Oi, Osame!

Primeiramente, respondendo à sua pergunta/enquete...filhos!? nem pensar...hehehehhee...não os tenho sequer planejamos (o casal aqui) em tê-los, tanto no passado, qto no presente ou futuro. ;o))))
Em relação às inteligências múltiplas de Gardner...sinto muito ir contra mais uma vez, mas conheço inúmeros superdotados que têm muito mais do que 1 filho...
Aliás, falando nisso, até parece que a capacidade intelectual pode ser mais importante que a ignorância (a falta de cultura), a falta de disponibilidade dos serviços de saude, à falta de dinheiro, a falta de lazer e a preocupação em ter mais mão-de-obra para 'tocar' o empreendimento familiar (p.ex. a cultura de suas terras)...tudo isso em relação À necessidade de ter menos filhos.

bjos

Silvia

João Carlos disse...

Comentando sobre a "Poligamia Masculina" do post do Osame:

Não precisa ser biólogo para perceber que o "gargalo" do crescimento de qualquer população é a quantidade de mulheres (fêmeas, em geral - mas estamos discutindo a humanidade) férteis. Uma mulher grávida fica "infértil" por nove meses... enquanto um homem, em cerca de 10-12 horas está pronto para reproduzir novamente.

Mas é exatamente isso que se deve evitar! Pior para nós, machos da espécie!... :D Para o "registro estatístico" do Osame, nós, aqui, temos dois filhos (uma menina, que tem um filho) e um menino (que tem uma filha a caminho). Quando nasceu o menino, minha mulher "mandou fechar a fábrica" (eu estava viajando na época, mas isso já estava combinado de muito).

Apenas uma pergunta: a estatística abrangeu também os "solteirões", ou só comparou os polígamos aos monógamos?... ;)

Osame Kinouchi disse...

Resultado da enquete: Osame(4), Isis(3), Hotta(2), João(2), Silvia(0), Charles(0). Supondo que o Daniel diga 2, teremos média de 1.85, supondo que seja 1, teremos 1.71, e supondo zero teremos média 1.57. Em todos os casos, nossa pequena amostra de pessoas inteligentes (quem acredita não ser inteligente por favor se manifeste!) mostra que atualmente esse fator provavelmente não contribui para a reproduçao dos "genes da inteligência" (se existirem). Precisariamos ter uma média acima de 2 filhos por casal. Assim, eu acho que ganhei a cerveja, não só porque duvido que o Daniel diga que pretende ter dois filhos como duvido que a Isis venha a ter três...