03 fevereiro, 2009

O peso da evidência

(...)
Tão forte quanto a nossa vontade de negar evidências que contrariam nossos paradigmas, é nossa capacidade de reconhecer que essas evidências contrariam o paradigma. "É assim que se fazem as revoluções científicas!" diria Thomas Khun, do outro lado da sala, encerrando a discussão.

Leia mais no VQEB.

11 comentários:

Osame Kinouchi disse...

Mauro, essa metáfora eu vi na forma de uma historinha de Rubem Alves, mas acho que eram sapos, e se referia ao artigo "How is to be a bat?" Eu defendo que a comunidade científica examine as pseudociencias caso a caso (ou melhor, tópico a tópico), com índices probabilisticos de credibilidade, em vez de tomar posicao em bloco (tudo o que foi tocado pela New Age está automaticamente contaminado!). Exemplo: uma aluna de mestrado minha está começando um projeto em Plant Neurobiology, uma área que sofreu grande discriminaçao até recentemente por causa de livros New Age sobre a "sensibilidade das plantas".

Maria Guimarães disse...

ei, mauro, você anarquizou com os marcadores! (não é mais meu papel, mas uma vez chata de plantão, sempre chata)

não entendi bem qual seria a revolução científica do benjamin button. seria a aceitação de algo que contraria todas as expectativas (sugeridas pelo conhecimento científico?).

talvez seja isso mesmo o necessário, em qualquer área da ciência. desprender-se do esperado para encontrar algo completamente novo.

hoje ouvi uma entrevista na npr norte-americana com o harold varmus, um dos assessores do novo governo para assuntos científicos. quando perguntado sobre o que faria se tivesse um cheque em branco para investir em pesquisa sobre câncer, ele disse que nem tudo que é importante o dinheiro compra. gênio, por exemplo. o que o dinheiro compra não é o gênio, mas dar a quem tem essa capacidade a oportunidade para pensar livremente. diz varmus que é essencial dar aos pesquisadores tempo de lazer e tempo de trabalho real, sem precisar escrever projetos e pedidos de verba. coisa rara hoje, será por isso que os avanços são quase sempre incrementais e não revolucionários?

Mauro Rebelo disse...

Osame, procurei pelo comentário do Rubem mas ainda não achei. Porém, achei o outro texto, que chama "What is like to be a bat" e é do Thomas Nigel. Baixei e vou ler assim que der. Concordo com você que temos de evitar ao máximo o preconceito, mas você há de concordar que plant neurobiology é meio sensacionalista, não é?!

Mauro Rebelo disse...

Maria, você já sabe que todos sentiram sua falta no EWCLiPO, não é?! E que seu nome já está na comissão organizadora do segundo encontro, sem te deixar chance de faltar.

A inversão do processo de envelhecimento seria uma revolução científica. Mas a segunda questão é a mais determinante: quanto tempo os cientistas levariam para aceitar essa evidência incontestável (caso ela aparecesse), por apego a seus antigos paradigmas? Principalmente com o sistema de peer-review completamente viciado que assola o sistema de publicação e de distribuição de verba, e que obriga o pesquisador a pensar cada vez menos e fazer copy/paste cada vez mais?

Um viva para Harold Varmus!

PS: desculpa pelas palavras-chave, mas tinha tempo que eu não publicava aqui e acabei me esquecendo e copiando aquelas do meu blog.

Osame Kinouchi disse...

Ótimo se a Maria estiver na comissao organizadora!

Mauro, se vc acha a Plant Neurobiology sensacionalista, vc nao conhece os cosmologistas teoricos!
Iremos apenas medir as velocidades de potenciais de ação no caule de plantas de soja...

Maria Guimarães disse...

mauro, acho que a inversão do processo de envelhecimento seria uma revolução da natureza, não da ciência.

sei que é imperdoável, mas ando tão atribulada que esqueci completamente da EWCLIPO. vou ter que procurar pra ver se vocês contam nos blogues como foi... enquanto eu estiver assim, não contem comigo pra organizar nada!!!

Osame Kinouchi disse...

Como eu estou me tornando um Bayesiano, estou ficando convencido de que nossas probabilidades a priori em relacao a certas crenças nao podem ser zero ou 1, porque dai nao importa o tamanho da evidencia, vc nunca muda de opiniao... Por exemplo, eu posso ser cetico 99,99% sobre algum tópico, mas se eu for 100%, o cara cai fora da ciencia pois a minha probabilidade a posteriori nao é modificada pelas novas evidencias (como vc muito bem falou no seu post!)

Pensadora disse...

Esse filme é bem interessante se consideramos o que seria a capacidade humana de simplesmente "se transformar em algo" e não "ser". Por exemplo uma criança vive a infância, um universo onde evolui sua aquisição do mundo onde nasceu e que conhece aos poucos. Como seria se transformar em criança sem ser?

Por favor me faça uma visitinha...
http://www.vitaperfectaest.blogspot.com/
http://muito-bem-obrigada.blogspot.com/

João Soares disse...

Olá amigos, a maioria biólogos (?) creio
Muito interessante vosso blogue.
Parabéns.
Um abraço transatlântico
Voltarei
Aguardo vossa visita ao BioTerra.

Osame disse...

João, seu blog já foi colocado no Portal ABC!

Osame Kinouchi disse...

Pessoal, qual o tema da Roda de Março? Darwin? Ano Internacional da Astronomia? Sugiro ainda três temas: 1. O status epistemologico da Psicologia Evolucionária;
2. Critérios de demarcação científica (ou seja, definir melhor o que é ciencia, pseudociencia, protociencia e terapias nao cientificas - inclusive a Psicanálise).
3. Giordano Bruno: cientista, pseudocientista, mago renascentista, profeta de religioes egípcias solares ou o Erick Von Daniken de sua época?